Q&A com Daniel Radcliffe no The Whistler Film Festival / Autor: Rafael Alves

Como sabem, Daniel participou do Whistler Film Festival, perto de Vancouver  no Canadá e esteve em uma sessão de perguntas e respostas com o jornalista George Stroumboulopoulos. As fotos do evento você confere em nossa galeria. Abaixo uma parte do Q&A traduzida.

Sobre seu personagem em Horns

Dan: É sobre um cara que acorda em uma manhã e descobre que ele tem um par de chifres crescendo em sua cabeça. Sua namorada foi assassinada e toda a cidade pensa que ele é o responsável pelo crime. E um dia ele acorda com isso. Na primeira parte do filme ele usa os chifres para fazer as pessoas confessarem seus desejos bizarros e verdades, e depois ele usa para encontrar quem realmente matou sua namorada. Este é um elemento de terror.

É também um filme com lindas histórias de amor, como nunca li antes. É bastante violento e realmente divertido, e isso é ótimo! As pessoas são tão ansiosas pra encaixar um filme em certo gênero – o que facilita no marketing. E tenho certeza que quando Horns for lançado, vocês o verão rotulado como um filme de horror, ou qualquer que seja. Mas existem tantas coisas e quanto mais difícil definir um filme, provavelmente, melhor ele é.

Sobre o filme A Mulher de Preto

Dan: Eu provavelmente não disse isso o tempo todo, mas sim, eu acho que isso foi crucial. Eu não queria criar muita pressão para o filme dizendo ‘é verdade, este é um filme muito importante pra mim, e se tudo não sair bem, eu ficarei muito, muito preocupado. ’ Mas sim, se aquele filme não tivesse conseguido nada, eu estaria devastado e muito preocupado… Então fiquei muito grato quando o filme se saiu bem.

Eu tenho que dizer que sorri um pouco quando ouvi sobre as reclamação da comissão de censura… Eu andei por todos os lugares dizendo, ‘se você tem uma criança com menos de 12 anos, não o deixe assistir’. É um real filme de terror. E… Eles os levaram do mesmo jeito. Aquelas crianças ficaram assustadas.
Sobre o fim de Harry Potter

Dan: Eu acho que você chega a um estágio que você cresceu o quanto podia em um ambiente. E apesar de estar cercado por pessoas que eu amo, e pessoas que eu vejo muito, às vezes você precisa estar em uma sala cheia de estranhos, e ter aquele momento de ‘eu não conheço todo mundo aqui.’ Eu sempre penso que é muito bom estar no set, e ser tanto parte da tripulação, como do elenco.

Então eu consegui fazer isso com Potter, eu cresci com aquela tripulação, então é claro que isto seria o caso. Eu estava realmente preocupado se eu estaria pronto para o mesmo tipo de familiaridade em uma nova tripulação. Isto é dar a você toda oportunidade de falhar, e esperar que isto não aconteça.

Sobre Kill Your Darlings e interpreter Allen Ginsberg

Dan: É divertido. O texto não é reverente. Não coloca estes homens como grandes venerados da literatura Americana. O filme os mostra como um tipo de meliantes droga-podre que estavam na década de 40 quando se conheceram. Não vai ser apenas uma história seca sobre recontar os eventos… Eu espero que fique muito bonita, é uma história triste sobre amor e o que significa ser um artista.

Kill Your Darlings é um tipo de filme que eu nunca fiz antes… Existem várias linhas no texto que a maioria dos atores diria que odeia. É como: ‘Alan chora descontroladamente. ’ E eu estou tipo: ‘então, talvez eu consiga. Vamos ver como isto vai sair. ’ Ao menos que você tenha aquele truque de chorar na hora, que algumas pessoas têm. Quanto mais você tenta e força, mais estranho e horrível isso fica. Como eu descobri!

Três incontroláveis cenas ao amanhecer nas primeiras semanas de filmagem tiveram essas lágrimas realmente naturais. A primeira vez aconteceu em um set, cheio de gente… Mesmo se você está como o personagem, aquele momento é apenas você. Gary Oldman me disse uma vez, ‘Não tenha medo, use todas as suas táticas, porque eles só verão o que está acontecendo ao personagem. ’

Sobre filmar A Young Doctor’s Notebook:

Dan: Durante o verão, eu fiz essa minissérie com Jon Hamm, baseada no livro “A Country Doctor’s Notebook” do autor Mikhail Bulgakov, e é sobre as experiências de um jovem doutor que foi mandado para o meio do nada na Rússia enquanto acontecia a Revolução Russa.

Eu acho que, provavelmente, é a única série de TV que se passa na Rússia de 1917 que não tem foco na Revolução Russa. Então eu recebo uma carta de um amigo me contando sobre essas incríveis mudanças políticas, com meu personagem preso neste sertão. É basicamente uma comédia sobre isolação, solidão, morfina e sífilis.
Com essa carreira, enquanto a maioria dos garotos está se afastando de seus pais, você, na verdade, tem a chance de gastar mais tempo com seu pai.

Dan: Sim, e isso tem vantagens e desvantagens. Quando você é parecido com seu pai – e nós somos inacreditavelmente parecidos – e vocês estão juntos todos os dias, vocês podem se “esfregar” de forma errada. Então, com o fim de Potter, houve esse sentimento de que cada um queria seu próprio espaço. Mas eu realmente sinto que Harry Potter nos tornou muito próximos como família. Eu fui muito sortudo com o fato que eles (meus pais) eram ambos desta indústria e me falaram como é estar em um set, o que fazer e o que não fazer. Nós somos um ótimo time, tanto quanto somos uma ótima família.

Eu acho que eles deviam estar bem conscientes dos riscos, pois eles recusaram (Harry Potter) inicialmente. Eles foram convidados para me deixar fazer o teste para Potter quando o contrato era para seis filmes e tudo seria filmado em LA. Ambos disseram não, que seria um jeito de destruir suas vidas. Então, eu suponho que eles sabiam que haviam riscos, mas eu acho que eles confiaram neles mesmo, como pais estão prontos para isso, ‘nós podemos fazer disso uma boa experiência’. Quando nós assinamos, o contrato era para quatro filmes. Durante quatro ou cinco filmes eles me perguntavam sempre: “você está feliz? Está tendo um bom tempo?”.

Sobre estar sempre nos olhos do público, sendo tirado a privacidade.

Dan: Para mim, este não é um argumento válido. Se você sai do seu caminho para buscar atenção da imprensa, então este é um argumento válido. Mas isso não é o que faço, ou fiz algum dia. Obviamente, eu venho aqui e converso com vocês, e dou entrevistas, e há certa quantidade de imprensa que vem com meu trabalho. Mas eu acho que isto é diferente de alguém que ativamente corteja a mídia.

Pelos primeiros seis anos, a imprensa nos deixou em paz. Depois, quando eu, Rupert e Emma completamos 16 anos, foi definitivamente a época de atenção da imprensa. Pobre Emma, quando fez 18 anos, os paparazzi se transformaram em criminosos, em minha opinião. Em qual contexto cinco homens correrem atrás de uma mulher em um beco é ok?

Em termos de manter minha vida privada, eu acho que eu tenho sido muito aberto a certas coisas. Mas você aprende. Não há um jeito limpo de fazer isso. Enquanto você dá entrevistas, vai aprendendo quanto você quer manter sobre você mesmo. Quanto de sua sanidade você precisa manter a si mesmo. Você apenas tem que aprender, com o passar do tempo, a maneira de manipular as coisas que te fazem feliz e mais contente, em sua vida.

 Source: Snitch Seeker

Tradução e Adaptação: Rafael Alves

ATUALIZADO: Confiram alguns vídeos do evento:








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