Entrevista para a Seven Magazine! / Autor: Andressa

Confiram a entrevista completa traduzida do Daniel para a Seven Magazine do The Telegraph UK, onde ele fala sobre “Horns”, “A Young Doctor’s Notebook”, entre outros assuntos:

Daniel Radcliffe:“Eu sempre tive uma intolerância por mau comportamento.”
Daniel Radcliffe permanece muito bem ajustado para alguém, que mesmo aos 23 anos, ainda tem aguentar ser chamado de ‘Harry Potter’ todos os dias. Só nao pergunte sobre seu saldo bancário…

Daniel Radcliffe entra no quarto de hotel como um cachorrinho ansioso, mãos tremendo e sorrisos para os publicitários reunidos. Assistentes de produção e maquiadores. Ele esta falando animadamente sobre a “linda loira” que ele encontrou no corredor. Ela havia perguntado se ele poderia dirigi-la para o seu quarto -não tão sutilmente revelado o número do quarto dela no processo – mas ele não pode ajudá-la. “Mas isso não teria funcionado de maneira alguma.” disse ele, “porque ela ela tinha mais ou menos 1,88 de altura.” Ele está brincando, ele tem uma namorada, mas o ponto em que ele fala sobre sua altura é intrigante. Ele tem 1,65 de altura. Essa é a primeira coisa que você nota nele, mas por sorte isso não é a primeira coisa que a câmera percebe. Câmeras de filmagem amam um protagonista masculino cuja cabeça parece um pouco grande demais para seu corpo, e atores menores são mais propensos a terem esta proporção de ouro do que os maiores: assim pensam Alan Ladd, Humphrey Bogart, James Dean, Dustin Hoffman, Tom Cruise e assim por diante.

Hoje, com 23 anos, Radcliffe parece ágil e magro em jeans e uma camisa xadrez, com proeminentes sombrancelhas escuras e grandes olhos azuis. Quase em paródia de sua aparição em Extras de Ricky Gervais – ele protagonizou ele mesmo como um adolescente excitado desesperado para parecer rebelde – ele me disse que é “viciado em nicotina” e precisava de um cigarro antes de começarmos nossa entrevista. Ele revira um e o fuma fora da janela.

Eu perguntei se isso é um privilégio de estrelas de cinema. “Eles me deixam fazer isso aqui, de modo que eu não tenha que ir lá fora”, ele disse. “Haverá fotógrafos, não por mim, mas porque eles ficam em torno de hotéis legais como esse. É praticamente a única coisa em que eu exponho em minha posição, para poder fumar dentro desses lugares”. Bem eu deveria pensar que muitas vezes ele não precisa expor sua posição, porque a “sua pessoa” faz isso por ele, abrindo um caminho, reservando a melhor mesa e assim por diante. “Eu tento não deixar com que isso aconteça, mas sim, isso pode estar acontecendo sem eu saber. Eu não tenho um comitê na minha vida pessoal. Eu me conduzo aqui e eu me conduzo em casa, mas é isso. Eu odeio essa coisa de deixar o nome para conseguir uma mesa. Talvez seja um costume inglês, que seja um pouco constrangedor dizer: “Olá, eu sou Daniel Radcliffe, isso faz diferença para você?”

Ele qualifica seu comentário sobre os fotógrafos dizendo que eles não irão necessariamente estar esperando por ele. Sua modéstia, autodepreciação e boas maneiras são aparentes, e um ótimo crédito para seus pais, que conseguiram moldar uma personalidade bem arredondada e funcional, fora de circunstâncias potencialmente disfuncionais.

No mais, Radcliffe parece um pouco ansioso demais para não aparecer estrelado ou arrogante. Ele me diz que nunca usou drogas, tendo visto os efeitos que têm sobre as pessoas. E depois de algumas bebedeiras, muitas que terminaram em apagões, ele desistiu de álcool em 2010. Ele disse no passado que ele era “muito chato, barulhento, inapropriado, bagunçado”.

Foi quando ele estava bêbado que ele revelou um lado de sua personalidade que não gostava? “Não foi que eu me tornei uma pessoa desagradável em tudo, foi que eu senti que eu estava “fugindo” de pensar nas coisas. Foi um jeito de ignorar meus medos sobre ‘Vou ser capaz de continuar com meu negócio de ator depois que a saga de Harry Potter acabar?’ Sabe, foi um jeito, eu acho, de lidar com isso. E foi um jeito muito ruim de lidar com isso.”

Bom, teve uma nova vida pra ele no mundo dos filmes depois de Potter. Pela manhã eu o encontrei e todos os meios de comunicação estavam trazendo comentários sobre o filme que ele estreou no começo do ano: The Woman in Black, o filme de terror britânico mais arrecadado em 20 anos, tendo 127 milhões de dólares no mundo todo. As matérias, que ele não teve chance de ver, são como The Woman Black virou o filme que mais impressionou no ano, mesmo que a faixa etária fosse de 12 anos, os pais levaram suas crianças para assistir. “Oh isso”, ele fala, parecendo aliviado quando estou dizendo o porquê dele estar nos jornais. “Eu tenho um pouco de orgulho sobre ele o filme mais falado do ano. Eu pensei que ao ver o trailer você pôde entender que tipo de filme que vai ser. Eu disse, que se seu filho é menor de 12 anos, eu teria avisado a ele para não ver este filme. Aparentemente tinha uma menina na premiação britânica que desmaiou e quando eu ouvi isso, eu estava, como, ‘nós fizemos algo certo’.” (O filme que ele irá estrelar no próximo ano pode  ser ainda mais dramático para os fãs de Harry Potter; em “Horns”, ele representa um homem que de repente cria chifres, e que pode ser ou não um assassino).

O filme foi meio que uma cerimônia para Radcliffe, um sinal enfático de que ele tinha saido de Harry Potter. “Teve uma parte de mim em algumas cenas que eu estava levemente assustado com o meu próprio rosto…” Ele desconversa. “Estou assustado de qualquer tipo de expressão que pareça com a expressão de Harry, e eu também estou pensando que a jornada para mim no ano passado foi meio que uma aceitação, de ir, ‘Este é o meu rosto que também atuou em Harry’. Eu tenho que parar de lutar com isso, e não preocupar-me em ser expressivo algumas vezes. Até onde eu posso dizer, a principal motivação da maioria dos atores são as dúvidas e as neuroses.”

Eu pergunto se ele sentiu um peso nos seus ombros, aos 11 anos, quando ele foi escolhido para ser a estrela que era esperada para ser uma franquia de sucesso? Digo, no primeiro filme ele poderia falhar; pessoas poderiam dizer que não foi tão bom quanto o livro e toda a coisa poderia fracassar. Foi estressante? “Não nesta idade. Eu não comecei a sentir essa pressão durante muito tempo. Eu provavelmente acho que uma das melhores coisas sobre Chris Columbus [o diretor], foi que ele fez o processo tão divertido que nós nunca pensaríamos nisso, e foi até o terceiro filme que eu comecei ‘OK, agora eu quero me dedicar mesmo a isso, começar a aprender sobre atuar e melhorar’.”

Que ele estava trabalhando ao lado de alguns dos grandes atores britânicos – Alan Rickman, Michael Gambon, Gary Oldman – significava que ele estava aprendendo com os melhores. De fato tinha um pequeno ponto nele indo de Rada (Royal Academy of Dramatic Art) até deixar a escola – não que ele estava na escola, em vez disso ele estava tendo tutores junto a ele no set. Mas e a universidade? “Eu fiz o ensino médio, mas decidi não entrar na faculdade, porque eu acho que a universidade é algo pra descobrir o que você quer, e eu sabia o que queria, eu já estava fazendo.” Sua parceira de elenco Emma Watson (Hermione) foi capaz de unir os dois, no entanto. Ele pensa em fazer? “Bom pra ela, mas eu não acho que eu poderia ter feito isso. Tenho em mente, eu me dei bem no meu GCSEs e no meu AS-levels, eu tive boas notas e eu estava feliz com elas, mas as notas da Emma fizeram as minhas parecerem muito baixas, você sabe, Emma é muito dedicada.”

Além disso, ele adora ler poesias e histórias de ficção, o que descobri quando ele me conta sobre Kill Your Darlings, de baixo orçamento, mas artisticamente descomprometido que ele fez depois de The Woman in Black, o qual vai estrear no próximo ano. Ele interpreta o poeta Allen Ginsberg e o seu conhecimento sobre sua paixão pela Beat Generation certamente impressionante; Radcliffe pode conversar muito sobre a jornada de Ginsberg da classe média até o mundo de “riqueza, libertinos e endinheirados”.

Ele também se diverte falando como é interpretar um homem gay. “Eu estava em uma posição que eu nunca estive antes,” ele lembra. “Foi um pouco estranho, mas esse filme foi muito ligeiro que nem tinha tempo para se preocupar.” Sobre o tema da sua vida amorosa – ele é hétero, a propósito – ele diz que é muito mais fácil namorar garotas que estão no mundo do cinema porque “elas podem ficar tranquilas em ficar em um local, e em cenas amorosas que você tem que fazer. Onde você está beijando alguém, leva um pouco de tempo para se acostumar, para todo mundo. E mesmo quando eu saio com uma atriz que tinha que fazer uma cena amorosa com alguém, eu ficava tipo: ‘Eca… acho que não vou assistir isso’. É uma coisa estranha, que você não pode sair dessa.

“O filme sobre Ginsberg não teve muito problema nesse aspecto porque era principalmente nos homens que eu estava interessado.”

Antes deste filme ser estreado irá ter uma outra viagem literária, essa é a vez de uma minissérie de TV. A Young Doctor’s Notebook é uma comédia durante a revolução russa adaptada de vários contos de seu escritor favorito russo, Mikhail Bulgakov. Seu parceiro de elenco é Jon Hamm de “Mad Man”, que irá interpretar o mesmo personagem, um médico, só que mais adulto. “Eu pensava que eles iriam estrear na primavera do próximo ano”, diz Radcliffe, que também disse que ele estava “lisonjeado” que talvez um dia se tornará um grande ator, como o Hamm. “E eles estavam, como, ‘vamos estrear no Natal, porque vai ter muita neve’. Não é remotamente festivo, mas está nevando o tempo todo.”

Durante as filmagens ele diz que ele aprendeu muito sobre amputar membros do corpo humano. “E eu acho que eu poderia fazer uma traqueotomia agora.”

Nesses termos, você tem que admirar a determinação com a qual ele tem evitado qualquer coisa que poderia se comparar a Harry Potter, especialmente quando se considera a quantidade de pressão que ele deve ter estado sob para ter sucesso nesse papel. Antes de Ginsberg e Bulgakov ele teve uma estréia ainda mais inesperada, aos 18 anos em 2007. Foi em Equus, a controversa peça sobre desvio sexual, de Petter Shaffer.

“Foi um sinal de atenção,” ele diz agora. “Se eu olhar para trás, isso pode ser a escolha mais importante que eu já fiz na minha vida, em termos de coisas fora de Potter, porque eu mostrei as pessoas que eu não estou aqui apenas para mostrar a fama que eu tenho de Potter por tanto tempo eu puder tê-la. Isso não é o que eu sou. Eu estou jogando um jogo muito maior que este.”

A peça implicava em uma cena de nudez que solicitou a manchete inevitável “Harry fica com a sua varinha de fora”. Mas valeu a pena. Charles Spencer do The Daily Telegraph aclamou a “força dramática” de Radcliffe e “presença de palco eletrizante”. Para a maioria dos homens, eu digo, se expor na frente de uma multidão de estranhos é a essência de pesadelos. Então como foi? “É estranho nas primeiras vezes que você faz isso, mas acaba se tornando um emprego. Olhando para trás, acho que eu era provavelmente mais corajoso do que sou agora. Eu falei com um amigo que fez Hair, e ele disse: ‘Eu gosto de ficar nu no palco, é divertido’ e eu disse: ‘Você fez o Hair! Você ficou nu por, talvez, um minuto, e foi com um conjunto de pessoas nuas. O meu foi sozinho e por mais ou menos 10 minutos!”

Até agora é dificil de simpatizar com sua vida. Eu digo- ele é a pessoa mais rica com menos de trinta anos em seu país, por exemplo – mas eu me pergunto se sua adolescência fora tão diferente como a de todos os outros. Quando eu tinha essa idade, se eu me lembro bem, eu estava um pouco consciente. Ser consciente sempre foi uma opção para ele, uma vez em que ele esteve até então acostumado a ter rosto projetado nas telas de cinema e em outdoors em toda o mundo?

“Você ainda pode ser consciente na minha posição. E tímido. A timidez se manifesta de forma diferente em mim. Eu acho que é mais um constrangimento. Como quando eu vou para esses eventos, como os BAFTA, ou como se eu fosse convidado para essa coisa chamada Met Ball, e eu acabei tendo uma boa noite porque eu levei uma amiga, mas normalmente eu me sinto muito estranho em eventos como esse”.

Por que? “Porque eu sinto que não sou bom em conversa fiada, e eu não sou… Você sabe, conhecer pessoas dessa maneira fugaz, eu nunca sei como dar um impressão exata de mim mesmo, então eu começo a ficar nervoso e cambaleio.”

Quando as pessoas o reconhecem na rua, elas dizem “Hey, é o Harry Potter!” ou elas dizem “Aquele é Daniel Radcliffe”? “Eu estaria mentindo se eu dissesse que eu não tive Harry Potter em tudo. Claro que sim. Mas quer saber? Eu diria que a visão é agora bastante encorajadora em favor de Daniel Radcliffe, que é bastante encantador. Eu passei por duas meninas em um banco no outro dia, e eu ouvi ambas dizerem ‘Ah meu Deus, é Daniel Radcliffe’, e sempre que isso acontece eu penso: ‘Siiiiimm!’ Não porque se lembraram de mim, mas sim porque usaram meu nome.”

Para alguns a adolescência é estranha o suficiente sem ter que vivê-las em um holofote, eu digo. Será que ele teve pessoas em volta dele ajudando-o a lidar com as pressões da fama – terapeutas, suponho? “Você sabe, as pessoas que eu falo são minha mãe e meu pai. Eles são pessoas maravilhosas, e sempre foram bons em me fazer ciente de que partes dele eram reais e quais não eram, e me fazendo consciente de quais partes eram importantes e quais não eram”.

“Ajudou o fato de eles já estarem nesse ramo de negócios”, disse ele. Seu pai, Alan, é um ex-agente literário, que desistiu de seu emprego para acompanhar seu filho quando ele foi escolhido entre mil crianças para interpretar Harry Potter. Sua mãe, Marcia, é uma agente de elenco, quem o colocou na frente dessa audição fatídica.

Mesmo que ele estivesse crescendo nos sets de filmagem, onde o mundo inteiro estava aparentemente girando envolta dele, seus pais conseguiram manter seu ego sobre controle? “Eu não acho que há em mim, para ser honesto. Eu não tive… Eu sempre tive, como, a partir de 11 anos, eu tive uma tal intolerâcia pelo mau comportamento dos atores que eu não acho que eu seria essa pessoa.” E o lado finenceiro das coisas? “Eu tenho um advogado maravilhoso, e eu tenho minha mãe, e meu contador, que era o contador da minha mãe quando ela era mais nova. Ele se chama Keith e ele também é brilhante.”

Eu imagino se Keith saiba o quanto vale o jovem Daniel, mas Daniel sabe? “Eu não, não. Eu escuto coisas que dizem, mas eu não sei se algumas delas são verdadeiras. E eu nunca quero parecer ingrato por tudo isso, mas o dinheiro não é o fator de motivação na minha vida. Também,” ele adiciona com uma risada, “Eu seria a última pessoa que deveria ser deixado no comando de tudo, francamente. Porque eu sou terrível em matemática. Não que eu estrague tudo ou coisa do tipo, mas eu simplesmente não iria fazer nada com isso.”

Graças às habilidades de sua mãe em investimentos, ele então é dono de várias propriedades em Londres e Nova York, bem como uma impressionante coleção de arte, incluindo trabalhos de Damien Hirst e Craig Aitchison. Sua fortuna pessoal foi estimada à 50 milhões de Libras. Deveria ser a estimativa maior ou menor? “Eu não irei jogar esse jogo de adivinhação.” ele disse educadamente mas firmemente “Eu apenas não vou.”

Sua educação parece ser uma das suas características. De sua parte, no passado, ele se descrevia como um nerd, hiperativo e nervoso, e você também pode ver dicas dessas coisas em sua personalidade. Mas ninguém parece ter uma palavra ruim a dizer sobre ele, e que, considerando todas essas coisas, é um grande feito.

É hora de tirar suas fotografias então nós retornamos para o outro quarto. Uma troca de camisa é necessária e Radcliffe a tira para revelar um impressionante pacote de músculos, e bíceps que só podem ter vindo de horas na academia. E, sim, ele fez isso completamente sem auto-consciência.

Tradução e Adaptação: Andressa Macedo e João Galdi – DRBR

Fonte: Telegraph.co.uk








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