Entrevista do Daniel para a revista Esquire / Autor: Andressa

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Daniel concedeu uma entrevista para a revista Esquire, onde ele fala sobre seu filme, Kill Your Darlings, que teve sua estréia no dia 18 de Janeiro, no Sundance Film Festival, em Park City. Leia:

PARK CITY, Utah — Assassinato, história, sexo gay, e realeza literária: Kill Your Darlings é praticamente um app para um assassino de busca otimizada no Sundance Film Festival, e uma das premieres de mais sucesso no começo do fim de semana aqui. O filme é essencialmente a origem da história dos Beats: a história de como os jovens Allen Ginsberg (Daniel Radcliffe), Jack Kerouac (Jack Huston), e William S. Burroughs (Ben Foster) se conhecem através do sedutor, e rico Lucien Carr (Dane DeHaan). Por sorte, o filme de estréia de John Krokidas é baixo em pretensão e, em vez disso, freia a energia selvagem e imatura dessas crianças em idade universitária e montá-lo em um conto esticado de assassinato, baseado na vida real, um história de Carr pouco contada e admirado obsessivamente. Para dizer o mínimo, é uma partida importante para o artista anteriormente conhecido como Harry Potter, que interpreta um jovem Ginsberg encontrando sua voz, e seu “macaco” sexual. Nós conversamos com Daniel Radcliffe sobre sua vida pós-Potter e, ele diz, “o menino bruxo teve os joelhos presos atrás das orelhas.”

ESQUIRE.COM: Assim, Sundance é muito diferente do universo de Harry Potter. O que te surpreendeu mais?

DANIEL RADCLIFFE: Eu suponho que o tipo de dádiva das coisas, que são simplesmente bizarro. Onde as pessoas querem dar-lhe lenços e outras coisas. Eu esbarrei contra um telefone, e uma mulher apareceu para me dizer tudo o que eu queria saber. Quer dizer, eu tenho um telefone. Eu não estou procurando por um novo não importa o quão fascinante pode ser. E há um monte de paparazzi. Mas tem sido um fim de semana maravilhoso. É bom ter um filme em que todo mundo está realmente animado.

Esquire: Eu era louco pelos Beats como um adolescente. E já que eu trabalho em revistas, eu às vezes sou assombrado por essa linha de Ginsberg, “Você vai deixar que nossa vida emocional seja revelada pela revista Time? Eu sou obcecado pela Time. Leio toda semana.” Você tem uma linha favorito?

DR: Ben Foster foi um enorme fã de William S. Burroughs, mas eu estava ciente e gostava de sua poesia de um jeito. Eu não tenho uma linha favorita, mas eu tenho um poema favorito: “Kaddish”, devido à forma como o seu conhecimento de sua vida e de sua mãe informa a maneira de ler a sua poesia. É de partir o coração.

Esquire: Neste filme, o jovem Ginsberg sacode sua vida mais conservadora e abraça uma identidade nova e selvagem. Você está tendo uma experiência semelhante, deixando Harry Potter?

DR: Você sabe, eu não tinha pensado nisso no começo, mas John [Krokidas], o diretor, pensou muito antes de mim, e é uma das razões pelas quais ele pensava que eu era adequado a esta parte – porque ele pensou que eu estava vivendo um arco da vida real desta viagem. Alguém me perguntou se era intimidador participar dos Beats, e é intimidador, mas não é difícil se você parar de pensar neles como os Beats, e pensar neles como pessoas indo em uma viagem muito grande de auto-descoberta, alegria e então de responsabilidade. Você precisa experimentar tanto para descobrir quem você é. Quando você está dezessete a vinte e poucos anos, que é o tempo que você está tentando descobrir quem você é, se você está tentando fazer algum tipo de impacto artístico ou criativo, é a idade em que você começar a descobrir como fazer isso. Tanto quanto ele pode ser uma fonte de grande frustração, e é da frustração que você pode construir ambição.

Esquire: Você já sentia algum tipo de ambição, digamos, cinco anos atrás?

DR: Sim. Nem todo mundo tem que correr ao redor de Nova York e usar drogas e se envolver com um assassino. Mas, sim, deixando Potter, trabalhando em coisas novas – mais do que qualquer coisa que está confirmado é o quanto eu quero dirigir. Eu quero escrever, também, mas isso é o que eu sei agora e não sabia há cinco anos.

Esquire: Quando você dirigir um filme, seria mais provável que seja thriller, ou o tipo de filme que acaba por aqui no Sundance?

DR: Eu acho que Sundance é a opção mais provável. Meu gosto nos filmes que fiz como ator é semelhante ao que eu faria um diretor ou escritor: tudo muito estranho, coisas desafiadoras, um pouco fora dos padrões.

Esquire: Eu estou imaginando que você leu Ginsberg no set de Harry Potter. Você sente como se você estivesse superando esse mundo finalmente?

DR:Não particularmente – não nos sentíamos como crianças quando tínhamos 19, 20, 21. Se eu estava lendo Ginsberg, legal. Mas, certamente, eu entendo o que você está dizendo. É quase como se eu não pudesse dizer que superei Potter enquanto eu estava lá, mas sua capacidade de aprender e crescer depois de um tempo, quando você se encontra em um ambiente por um tempo muito longo e muito confortável​​, diminui. O que eu aprendi é que tem que haver um elemento de medo ou ansiedade de que algo pode dar errado.

Esquire: Todos estão falando da sua cena de sexo gay com Dane DeHaan. Mas você parece bem tranquilo sobre isso. Você já ficou nú nos palcos em Equus. Você não parece escrúpuloso sobre sexo.

DR: Na minha opinião: Você pegou o trabalho, você leu o script. Eu estava no set uma vez para uma cena com nudez com uma atriz que sabia que isso ia acontecer e então entrou em pânico por causa da cena de sexo. Eu me lembro de ter pensado: “Você sabia que isso iria acontecer e agora você está atrasando as gravações.” Seria a mesma coisa que eu ler o script, e depois, no set, dizer: “Oh, na verdade podemos apenas nos beijar e abraçar?” como um idiota. “Posso manter minhas calças para a cena de sexo?” Quero dizer, está no script. Está no script, você pegou o trabalho. Eu não sou maciçamente escrúpuloso sobre sexo na verdade. Isso acontece.

Esquire: E ainda assim as pessoas estão chocadas com Harry Potter fazendo isso.

DR: É chocante pelo fato de ser eu. Caso contrário, não é inteiramente chocante que eu estou atuando como Allen Ginsberg em um filme sobre auto-descoberta de sexo, e tem uma cena de sexo. Como a minha co-estrela Dane DeHaan disse, as pessoas estão muitas vezes atraídas uma pela outra e pessoas que estão atraídas uma pela outra muitas vezes querem fazer sexo. Eu estou feliz pela cena bem feita. John nunca viu a versão dessa cena que ele queria: sexo gay em um filme pareceu tão real. Ele queria conseguir isso e ele conseguiu. Isso também fez amigos meus me mandarem mensagens divertidas como comentários, que realmente me fizaram rir.

Esquire: Como?

DR: Uma muito legal dizia algo como: “A cena de sexo provavelmente será chamada de gráfica, porque é entre dois homens, mas não é.” Em seguida, houve uma sobre o garoto bruxo ter tido os joelhos presos atrás das orelhas.

Esquire: Eu escutei algumas piadas sobre sua “varinha mágica”…

DR: Sim, John Krokidas fez essa piada no Q&A, e eu disse para Dane: “Ah não, nós vamos ouvir essa piada até o final da vida.”

Esquire: Eu ouvi dizer que tiveram filmagens frontais, mas foram deixados na sala de edição.

DR: A quantidade de nudez no filme pode variar bastante. Mas é importante para mais pessoas verem o filme. E nós teríamos uma diferente classificação se tivesse mais pênis neste filme. Desculpem o trocadilho, mas não é o ponto da coisa. Os close-ups no meu rosto, são onde a história está sendo contada. Não tem um nu frontal no final, mas fizemos nossos trabalhos.

Esquire: Você não é a única estrela de uma franquia passando para filmes mais artísticos. Você sente uma rivalidade nisso? Já viu Robert Pattinson receber grandes papéis e pensou, “Ele já foi uma vez o garoto no fundo das minha cenas em Hogwarts”?

DR:Com Rob, eu olho para as pessoas e eu acho que é fácil identificar os que estão nessa pelas razões certas, que querem carreiras com longetividade. O interessante sobre o meu cenário e o de Rob é que Harry Potter e Crepúsculo foram os filmes que fizeram a gente, mas Jennifer Lawrence teve uma indicação ao Oscar antes de Jogos Vorazes. Mentalmente, estamos torcendos uns para os outros. Franquias não devem ser evitadas. Elas podem ser emocionantes e elas dão-lhe a oportunidade de fazer outros filmes. E é sempre agradável de ver que é possivel sair de uma franquia, ter uma carreira, e ser respeitado, quando você vê esses outos atores.

Esquire: E a sua co-estrela Dane DeHaan irá atuar como Harry Osborne na franquia Homem-Aranha.

DR: As pessoas me perguntam se eu tenho um conselho – ele não precisa de nenhum conselho. Essa idéia de estrelar uma franquia é mais intimidador e um ator independente irá apenas fazer besteira em um grande set, isso é ridículo.

Tradução e Adaptação: Andressa Macedo e Yasmin Mueller








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