Entrevista ao Wall Street Journal / Autor: Edigar Gomes

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Nesta semana o Wall Street Journal publicou uma entrevista com o Daniel, em que ele fala sobre sua nova peça, “The Cripple of Inishmaan”. Confira a entrevista traduzida a seguir.

 O MUNDO CONHECE ELE pelo bruxinho dos filmes “Harry  Potter”, mas Daniel Radcliffe já trabalhou mais nos palcos aos 23 anos do que muitos atores da sua idade — e até mais velhos.

“Eu sou muito grato por ter a oportunidade de atuar nos palcos”, conta ele. “Eu conheço muitos atores que já têm certa idade e nunca o fizeram, e eu não acho que eles irão um dia. Eu sou feliz por poder ter começado jovem.”

Daniel Radcliffe fez sua estreia nos palcos do West End no revival da peça “Equus” em 2007, e reprisou o papel de Alan Strang um ano depois, em sua estreia na Broadway. Em 2011 ele voltou à Nova York, dessa vez no papel principal do musical “How to Succeed in Business Without Really Trying,” ao lado de John Larroquette.

Agora, Radcliffe se prepara para retornar ao West End na produção de “The Cripple of Inishmaan”. A peça, dirigida por Michael Grandage, ficará em cartaz de 08 de Junho à 31 de Agosto no Teatro Noel Coward.

Nós nos encontramos com Daniel em um café de Fulham, o bairro onde ele cresceu.

 

WSJ: Como você se envolveu em “The Cripple of Inishmaan”?

Eu conheci Michael Grandage quando tinha 14 anos, meu agente tinha começado a me apresentar pessoas. Nós conversamos sobre teatro e eu contei à ele como eu queria muito isso. Alguns anos depois, eu trabalhei com Rob Ashford em “How to Succeed” e, é claro, Rob também é do Teatro Donmar de Londres. Ele já tem uma grande carreira lá, e já trabalhou muito com Michael. Eu acho que Michael o escutou falar bem de mim. Ele disse que me queria na terceira peça da temporada, então me deu cinco peças pra ler e nós discutimos sobre elas. Pra ser honesto, no momento que eu li “Cripple” (Aleijado), já sendo um grande fã de Martin McDonag, eu pensei “essa vai ser das difíceis”.

WSJ: Você vai interpretar “Billy”, um jovem com paralisia cerebral. Como você se preparou?

Eu tive que aprender um sotaque bem coplicado e, é claro, a parte física do personagem. Eu tenho tido aulas com uma técnica vocal, que tem um nível leve de paralisia cerebral. Na peça, o problema do personagem não é específico, ninguém fala o que tem de errado com ele. Então a gente teve que realmente analisar o texto, e tentar extrair o que pudesse. Depois que nós percebemos que era paralisia cerebral, entramos em contato com Janis Price, a técnica. Ela me contou o quê e como era, o que uma pessoa com essa deficiência consegue e não consegue fazer.

Aprender sobre isso tem sido realmente interessante, e eu espero que as pessoas que tenham esse tipo específico de paralisia o termo correto é hemiplegia — , venham conferir a peça e pensem que é uma coisa autêntica.

WSJ: O que te interessou nessa peça?

Essa é uma peça muito desafiadora, porque a maior parte do humor vem da crueldade. Vem dos outros personagens sendo implacavelmente cruéis com Billy. Eles o chamaram de “Billy Aleijado”  toda a sua vida, é normal pra eles fazer piada de seus braços, suas pernas, ser terríveis com ele. Pra mim, a parte interessante de Billy é tentar mostrar a diferença entre sua vida interior e exterior, a frustração dele no fato de que elas estão tão em desacordo.

WSJ: É interessante porque Billy é órfão, e também outros personagens que você interpretou têm um histórico familiar complicado.

Vamos contar Billy, David Copperfield, Harry, Maps (de “December Boys”) esse é o meu quarto órfão. O que é interessante pra alguém que tem uma família adorável. Meus pais são demais.

Chris Columbus talvez disse bem na minha primeira audição para “Harry Potter”, quando disse, “Dan é uma criança realmente feliz, mas tem alguma coisa nele que parece ligeiramente assombrada às vezes” mesmo sem querer. E eu acho que talvez seja minha característica de órfão.

WSJ: Você está escrevendo um roteiro. Como está indo?

Eu terminei o primeiro passo da coisa que estou tentando fazer. Eu enviei imediatamente pra John Krokidas (diretor de “Kill Your Darlings”), ele é a única pessoa para quem eu mostei. Eu só disse “pegue sua caneta vermelha”, e então ele veio com ideias brilhantes. Ele estava me dando várias notas e eu estava “oh, isto é muito inteligente”. Isso é uma coisa que eu definitivamente gostaria de fazer, porque é pura diversão, e eu quero dirigir. Acho que é mais fácil você mesmo escrever alguma coisa do que tentar convencer alguém a lhe dar um roteiro, quando se está dirigindo pela primeira vez.

Fonte: Wall Street Journal

Tradução e adaptação: equipe Daniel Radcliffe Brasil








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