ESPECIAL AO DAILY NEWS POR DANIEL RADCLIFFE / Autor: Edigar Gomes

Daniel escreveu um especial para o Daily News de Nova Iorque publicado ontem (13), onde ele fala sobre Kill Your Darlings, a escolha de seus novos projetos e o legado da série Harry Potter para ele.

Confira o artigo traduzido abaixo:

New York é um dos meus locais preferidos para se trabalhar. Depois de morar aqui durante How To Succeed In Business Without Really Trying, a considero minha segunda casa. Houve um momento particularmente hilário quando nós estávamos quase nus no Rio Hudson às 4:00 da manhã, filmando uma cena para Kill Your Darlings, quando parou um carro da polícia. Eu estava na água por apenas uns 40 minutos, mas Dane DeHaan estava lá por quase quatro horas.
Um dos oficiais perguntou, “O que vocês estão fazendo aí?” Nós dissemos a ele que estávamos filmando. “Tem alguém dentro da água?”, eles quiseram saber. Nós dissemos que sim e eles apenas foram embora.
Quando a gente estava se enxugando, nós percebemos que os policiais não queriam estar fazendo nosso trabalho, talvez nós não deveríamos estar no Rio Hudson.

Em Kill You Darlings, eu interpreto o poeta Allen Ginsberg aos 17 anos, quando ele estava se mudando pra Universidade Columbia e ele conhece Lucien Carr (Dane DeHaan), por quem ele se apaixona completamente. Carr é quem apresenta Allen aos futuros grandes escritores William Burroughs e Jack Kerouac. O filme mostra ele encontrando sua voz, tanto criativamente quanto como poeta e também sexualmente.

Eu certamente sabia que a cena de nudez e sexo em Kill Your Darlings atrairia atenção porque é levemente “indecente” e uma fácil manchete. Essa cena tem 30 segundos em um filme de duas horas, com uma montagem muito intensa e vários outros temas acontecendo. John Krokidas, o diretor, queria algo que parecesse bastante autêntico de um jeito que nunca se tivesse visto antes. E eu acho que nós conseguimos isso.

Por causa da cena de nudez que eu já tinha feito em Equus, na Broadway e no West End alguns anos atrás, eu não estava tão nervoso. Cenas de nudez são sempre um pouco estranhas. Não há tempo para ficar com vergonha. Essa foi uma de sete cenas que nós filmamos naquele dia e levou aproximadamente uma hora.

Talvez seja “chocante” porque muita gente continua me vendo como Harry Potter. Eu aceito o fato de que eu sempre vou ser associado à série e eu estou bem com isso.

Tudo que eu faço é escolher coisas que me interessam. Todo mundo vê essas coisas como trabalhos arriscados ou corajosos, mas eu só vejo eles como ótimos scripts.
É assim que eu me divirto fazendo meu trabalho — escolhendo papéis variados. Eu acho que um dos motivos de eu fazer isso seja eu ter passado 10 anos interpretando o mesmo personagem. Isso faz você querer, como ator, escolher caminhos diferentes.
As pessoas parecem estar gostando desses filmes, até os levemente estranhos como Horns ou os mais desafiadores como Kill Your Darlings. Todo mundo quer pensar que que Harry Potter seria uma algema na minha carreira, mas essa franquia me deu oportunidades incríveis. Está sendo um trampolim, ao invés de uma barreira.

E na maior parte, existem apenas diferenças superficiais em trabalhar num filme de grande orçamento como Harry Potter e em filmes indies como Kill Your Darlings. Nós não tivemos trailers nesse filme, o que eu adorei porque significava que os atores poderiam passar o tempo juntos. A gente cria uma conexão maior do que se todo mundo apenas fosse para seus trailers durante as filmagens.

Sobre o personagem que eu interpreto, uma das razões de eu ter aceitado particularmente esse papel é que há coisas em Allen Ginsberg com as quais eu me identifico. O personagem nesse filme é universal porque nós o vemos na época de sua vida que todos nós nos identificamos. É alguém descobrindo quem é, e todo mundo tem uma experiência parecida nessa idade que Allen tem no filme. É sobre amor jovem e tudo o que pode vir com isso.
A coisa que eu acho mais interessante é a diferença entre a vida interior e exterior de Allen. Os diários que ele mantinha durante sua adolescência nos dão uma amostra desse jovem que era incrívelmente ambicioso e sabia de sua genialidade. Tem um trecho em seu diário em que ele escreve “Eu sei que sou genial. Eu só não sei ainda que forma essa genialidade vai tomar.” Mas por outro lado, ele era tímido e não muito confiante quando se tratava das interações sociais. E eu acho isso interessante — interpreta essa grande figura da literatura antes de ele se tornar o grande homem que nós conhecemos hoje.

Chegar ao sotaque de Ginsberg foi uma grande coisa pra mim. Eu me diverti aprendendo como falar com o sotaque de New Jersey. No set, eu falava daquele jeito o tempo todo. Eu escutei muito gravações do próprio Allen Ginsberg e também os vários sotaques de New Jersey na internet. Eu não quis me aprofundar muito, porque o sotaque de Allen não era tão forte. Eu falava com o sotaque e lia vários de seus poemas e diários em voz alta sozinho e com minha treinadora vocal.

Nós também tivemos sorte de poder filmar na Universidade Columbia. Mas é impossível se perder completamente em um papel quando você está filmando no aberto. Teve uma certa cena em que eu subia os degraus da Low Memorial Library pela primeira vez e em cada lado da cena tinha cerca de 300 pessoas alinhadas, porque todo mundo tinha vindo ver as filmagens.

Você nunca se acostuma com isso.

Fonte: New York Daily News








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