Daniel Radcliffe fala sobre “What If” para a Attitude Magazine / Autor: Andressa

Se há uma coisa que você pode dizer sobre a carreira pós-bruxo de Daniel Radcliffe, é que ele não está com medo de correr riscos. Desde que ele levantou sobrancelhas pela primeira vez com uma performance ‘frontal’ em Equus, o ator de 25 anos virou para o lado do horror com The Woman in Black, o drama gay da época beat em Kill Your Darlings, e a fantasia bizarra Horns de Alexandre Aja ano passado. Agora, a ex-estrela da capa da Attitude pode adicionar outro gênero ao seu CV cada vez mais abrangente, com a incomum comédia romântica What If?

Atuando oposto a Zoe Kazan de Revolutionary Road e estrela Adam Driver de Girls (e em breve de Star Wars), Radcliffe mostra um desempenho aclamado pela crítica como Wallace, um aluno de medicina que abandonou os estudos que jura não socializar por um ano, só para – você adivinhou – cruzar com a menina de seus sonhos em uma festa. Saindo em DVD esta semana (09 de fevereiro), Dan fala sobre o próximo passo em sua crescente carreira pós-Potter, e sobre fazer uma comédia romântica para o século 21…

Em que estado estava What If? quando você se juntou ao elenco? Michael Dowse já estava escalado como diretor?

Michael estava muito afim, e quando recebi o roteiro, veio com uma carta dele dizendo por que ele queria que eu fizesse o papel e porque que ele pensou que eu seria bom. E então eu li o roteiro e nos falamos pouco depois. Me tornei ligado nele porque eu absolutamente queria fazê-lo.

Em seguida, foi apenas uma questão de encontrar a garota para interpretar Chantry. Precisávamos de alguém que, além de ser, obviamente, muito charmosa e engraçado, também fosse muito, muito inteligente, porque sua personagem é. E Zoe Kazan é uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci – esqueça apenas atriz ou ator, ela é uma das mais brilhantes em geral. Com isso, trabalhar com ela foi realmente fácil, porque ela só responde a toda e qualquer coisa que você dá a ela.

Quanto tempo durou a busca?

Eu não acho que tenha sido mais de três meses entre eu me tornar interessado e nós nos preparando para começar a filmar. Por isso, foi um processo bastante rápido com este, e uma vez que Zoe tinha lido e amado – e ela só tinha Ruby Sparks saindo – não havia necessidade de procurar em outro lugar, obviamente. Ela era a nossa garota.

O script estava na lista negra de roteiros quentes – quando ele veio para você era na forma que está agora? Foi muito adaptado?

Ele era praticamente da mesma forma que é agora. As únicas diferenças foram que, em um ponto, a última parte do filme que se passa na Irlanda deveria se passar na América do Sul. Mas a Irlanda é muito amigável para filmes, portanto, nós transferimos para Irlanda. Fora isso, foi muito o mesmo. Pequenas mudanças em termos de diálogo foram feitas, mas não houve grandes mudanças na história ou qualquer coisa assim.

No momento em que eu soube que eu ia fazer o roteiro foi na página dois, quando Wallace está corrigindo Chantry em sua pronúncia de uma palavra, e eu estava tipo, “Ah, eu sou esse cara.” [Risos] Eu definitivamente me identifiquei muito com aquilo.

Eu também gostei do quão inteligente era e quanto coração também tinha. Há sempre um perigo em filmes como este que pode acabar sendo 90 minutos de pessoas fazendo graça umas com as outras, se tornando algo um pouco sem alma, e, na verdade, o nosso filme tem uma enorme quantidade de alma. Eu realmente acho que vai fazer as pessoas muito felizes. É um filme no qual você sai feliz, o que é uma coisa difícil de fazer sem recorrer a truques baratos.

Apesar do que acontece entre Chantry e Wallace, o filme parece muito claro que homens e mulheres podem ser amigos. Como você acha que ele atinge esse equilíbrio?

Essa é a coisa sobre o filme, porque eu acho que há duas questões distintas. Devido a este filme, as pessoas começaram a me perguntar se homens e mulheres podem ser amigos. E, claro, a resposta é sim. Sou amigo de muitas mulheres que eu não tenho nenhuma intenção de dormir com. Há também a questão de saber se os homens e mulheres que são incrivelmente sexualmente atraídos um pelo outro pode ser apenas amigos. Essa é uma questão muito mais difícil, e muito mais difícil de se lidar. Essa é a questão que está presente no filme. Eu acho que é uma coisa muito fora de moda agora – a ideia de que homens e mulheres não podem ser amigos. Acho que já está caído no esquecimento agora.

Como foram suas primeiras conversas com Michael? Era essencial que vocês dois tivessem uma química?

Sim, e foi também sobre descobrir que tipo de filme que ele queria fazer. E isso é uma coisa difícil de quantificar ou de falar. Michael fez referência a um monte de outros filmes. Ele estava se referiu a filmes como It Happened One Night e When Harry Met Sally. Eles eram grandes pedras fundamentais para nós, porque é tudo sobre como as relações são construídas através de brincadeiras, e também por tipo insultar um ao outro no começo, e fazer graça.

Nós também conversamos sobre a forma que ele queria fazer o filme. Michael disse que queria filmar muitas cenas amplas e apenas deixar a audiência assistir aos personagens em vez de cortar para closes próximos. E ele se apegou a isto belamente – porque normalmente os diretores dizem coisas assim mas tudo vai por água abaixo quando eles veem um ângulo melhor. Ele faz muito isso no filme – parece que o objetivo é deixar as cenas amplas o máximo possível – então em vez de contar o que você precisa ver dos personagens, ele apenas observa a história. Essa é a diversão do filme: você observa muito intimamente o início de um relacionamento de forma muito divertida e você pode viver isso através dos personagens.

Wallace desistiu da faculdade de Medicina e é um cara gente boa no filme. Comédias românticas geralmente eliminam a existência dos empregos de seus personagens. Foi interessante o personagem ter essa especificidade?

[risos] Bem, eu acho que o Wallace poderia facilmente ter sua profissão eliminada completamente, para ser honesto. Por outro lado eu realmente amo que Chantry é uma mulher com emprego no filme e você pode ver ela executando seu trabalho várias vezes. Ela não é apenas uma garota que tem tempo livre para se preocupar com homens. Ela tem um trabalho que precisa frequentar. Não é o foco do filme, apenas um fato e eu acho que Elan Masrai é um ótimo escritor que pega essas pequenas coisas e as tornam em algo. Elan, a propósito, é o cara que beija minha ex-namorada no filme.

A saída do personagem da faculdade aparece brilhantemente algumas vezes quando as pessoas se machucam e querem que ele de repente lide com isso.

Ele causa alguns desses machucados.

Sim, na verdade, ele realmente causa! Estes são meus momentos favoritos no filme porque geralmente ele é cheio de diálogos e de repente nos vemos naquelas comédias gags*.

É um verdadeiro momento Buster Keaton*.

Sim, absolutamente. É como uma daquelas ótimas piadas de Peter Sellers girando o globo. Você sabe que ele vai colocar a mão no globo e cair. É uma piada similar; antes de acontecer você sabe exatamente como vai ser, mesmo assim isso faz você sorrir. Elas são ótimas. Porque outro motivo você teria que abrir a janela se ninguém fosse cair através dela? É um ótimo momento.

Adam Driver está no próximo Star Wars. É difícil manter-se sério durante as gravações com ele?

Adam Driver é um dos improvisadores mais engraçados que já conheci. Uma das coisas em que eu mais me aperfeiçoei durante esse filme foi como não rir em frente a câmera, porque ele regularmente dizia coisas que me fariam querer rir. Minha parte favorita, e eu acho que está no filme, foi quando ele estava assistindo os idosos jogando boliche e gritava para um deles: “Você não poderia encontrar essa pedra nem se estivesse no seu rim!” (risos) Ele é incrível, e um cara interessante também. Ele esteve na marinha, comanda uma organização de caridade e ele é um cara interessante e inteligente.

Como é trabalhar em Toronto?

Eu filmei dois filmes no Canada ano passado – um em Toronto e um em Vancouver – e foi um prazer trabalhar em ambos. Canadenses são bem amigáveis e muito educados. Eles são tudo que suas reputações internacionais dizem que são. Eu me diverti muito lá. Eu comi muito – muita batata frita com queijo e bacon. Foi um lugar muito divertido para se trabalhar.

Falando em comer muito, um dos pontos altos desse filme é o sanduíche Fool’s gold. Você experimentou?

O fool’s gold é incrível. Para as pessoas que não sabem, ele é um sanduíche enorme com muita manteiga de amendoim, geleia e bacon, e é delicioso. Eles, obviamente, fizeram alguns no set para a montagem que seria feita no filme. E, eu não entendo o porquê, mas eu e um outro cara estávamos ansiosos para provar o sanduíche e o resto do pessoal estava sendo muito saudável e, honestamente, covardes em relação a isso. Todo mundo deveria ter experimentado. Foi adorável.

Você também foi para Dublin com o filme?

Eu tive que ir até Dublin para uma filmagem. Eu fui chutado de algumas escadarias e, então, tive que correr um pouco. Mas foi adorável estar lá, de qualquer forma – É sempre um prazer ir pra Irlanda e Dublin é uma ótima cidade. Dublin tem cenas bem breves, mas é mostrada lindamente no filme. Esse filme usa as locações que tem muito bem. Foi uma cena adorável e eu tive que trabalhar com a incrível Oona Chaplin, que teve que pisar em mim para ter certeza de que eu não estava morto. E ser chutado nas escadas pelo Rafe Spall.

Tradução e adaptação: May Oliveira, Rafael Rodrigues e Juliane Sanchez

Fonte: Attitude Magazine

 


*Buster Keaton – ator e diretor americano de comédias mudas baseadas no humor gags.

*Gags – tipo de comedia baseadas em corridas, quedas e fugas.


 








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