Vanity Fair: Review de “Swiss Army Man” / Autor: Andressa

Será que Swiss Army Man de Daniel Radcliffe é o filme mais estranho na história do Sundance Film Festival?

Daniel Radcliffe atua ao lado de Paul Dano em facilmente um dos filmes mais bizarros que o Sundance Film Festival já viu.

Swiss Army Man é uma comédia tão surreal e intrigante, que até o produtor do Sundance Film Festival, ao apresentá-lo na última sexta-feira à tarde, confessou: “Não tenho certeza sobre o que é, mas achei que deveria estar aqui”.

Essencialmente, o filme mostra Paul Dano como um homem suicida preso em uma ilha deserta e pronto para desistir de tudo, quando um cadáver flatulento (interpretado por Daniel Radcliffe) aparece na praia. Dano é capaz de montar no cadáver de Radcliffe e pilotá-lo como um jet ski até o continente, onde as várias partes do corpo de Radcliffe oferecem um surpreendente número de utilidades de sobrevivência durante o percurso de Dano de volta à civilização (por isso o nome do filme). De alguma maneira, o personagem de Radcliffe começa a mostrar sinais de vida, e o personagem de Dano estimula seu ‘renascimento’ ensinando-o como viver, amar e a soltar gases discretamente… na teoria (o cadáver não para de soltar odores corporais durante o filme). A Variety sabiamente resumiu o filme como “O Náufrago encontra Um Morto Muito Louco, como dirigido por Michael Gondry”.

Independente da audiência ter gostado ou não do filme, ou das referências a flatulência feitas por ele, irão sair das salas de cinema sabendo que todos os envolvidos estavam 100% empenhados em uma visão única e equivocada, seja o que isso signifique. Porque, como os cineastas Daniel Scheinert e Daniel Kwan – os visionários por trás do videoclipe da música “Turn Down for What” de DJ Snake e Lil Jon – revelaram durante um Perguntas e Respostas que se seguiu ao filme, eles não estão muitos certos disso também.

“Originalmente, foi só uma piada sobre gases que o Dan [Kwan] falou para mim”, disse Scheinert sobre o que inspirou o filme. “E aí, só falando sobre como o homem pilotando um cadáver flatulento poderia ser um filme, acho que nos deparamos com algo muito pessoal. Era uma oportunidade de expressar mortalidade e grandes ideias, mas com piadas de pum, para que não nos sentíssemos tão constrangidos sobre isso ser um drama de longa-metragem”.

Kwan adicionou, “Foi como a ideia mais besta misturada com as ideias mais pessoais, e meio que juntamos tudo para ver no que dava”.

Em relação ao que se pedia dos atores, Radcliffe disse “O roteiro era muito engraçado e original. E então Paul escreveu para mim e disse, em resumo, ‘Eu acho que esses diretores são gênios loucos’. Então me encontrei com Dan Scheinert, e a chance de interpretar um cara morto nesse contexto foi demais para eu recusar”.

Dano ainda falou que estava pronto para começar assim que virou a primeira página do roteiro: “Tipo na página dois, quando o personagem estava pilotando o cadáver flatulento, eu já sabia que estava dentro”.

Mas… sobre o que é o filme mesmo?

“Tem uma frase que inventamos”, disse Kwan, “que era ‘Um homem suicida tem que convencer um cadáver que vale a pena viver.’ E é um filme que explora a contradição entre comédia e drama nisso”.

Embora o filme deixe a audiência com mais perguntas do que respostas, Scheinert parecia certo sobre pelo menos um aspecto do projeto. Quando um membro da plateia erroneamente identificava o filme como comédia, o cineasta imediatamente intervinha para esclarecer: “Na verdade, é um drama flatulento”.

Vanity Fair – Julie Miller
Traduzido e adaptado por: May Oliveira








2011 - 2016   DanielRadcliffe.Com.Br