Yahoo! Movies: Review de “Swiss Army Man” / Autor: Andressa

Sundance anuncia: filme Swiss Army Man de Daniel Radcliffe é uma arte inteligente entregue entre gases flatulentos

O teatro Eccles, sede das apresentações das estreias do Sundance, estava lotado na sexta à tarde, com milhares de apreciadores do cinema curiosos e intrigados para a curta sinopse do novo filme Swiss Army Man. Em poucas palavras, simplesmente dizer que Daniel Radcliffe interpreta um morto no primeiro filme surreal de Dan Kwan e Daniel Scheinert é subestimar a fantástica mistura de coração e gases.

Sim. Gases.

Nos primeiros minutos de Swiss Army Man, um jovem suicida chamado Hank (Paul Dano) acha o corpo em uma praia de uma ilha deserta, descobre o talento do corpo de soltar fortes gases flatulentos, e começa a pilotar o garoto bruxo azul morto como um jet-ski através do oceano Pacífico, em uma tentativa desesperada de encontrar a civilização humana.

É uma introdução empolgante, e alguns dos membros da plateia não permaneceram por muito tempo; a primeira meia hora do filme apresentou uma boa quantidade de pessoas saindo da sala, o que é raro para uma estreia do Sundance nos primeiros horários. Mas aqueles que permaneceram tiveram o prazer de ver um filme muito inventivo que ousa quebrar as barreiras e recompensar uma profunda consideração – mesmo que o filme tenha sido, como os diretores admitiram durante um Perguntas & Respostas após a apresentação do filme, inspirado por uma piada flatulenta.

Aqui estão alguns pensamentos sobre Swiss Army Man, que é facilmente o filme mais divisor de águas a estrear no festival deste ano.

O que era real? Radcliffe não está morto – ou pelo menos inanimado, por muito tempo. Hank o carrega por aí depois de chegarem em uma segunda ilha deserta, e só pelo prazer de não ficar sozinho, começa a conversar com ele – como Tom Hanks e Wilson em O Naufrago. Mas ao contrário da bola de vôlei ensanguentada, o corpo começa a responder. Ele se apresenta como Manny, mas além do seu nome, ele não se lembra de muito da sua vida passada. Ele tem um bom professor em Hank, que passa a maior parte do filme explicando tudo, de palavras do vocabulário a como interagir com pessoas no ônibus (especialmente mulheres).

Kwan e Scheinert contaram ao auditório que, enquanto trabalhavam no filme, eles tinham uma história simples em mente: um homem suicida tem de convencer um corpo morto que viver vale a pena. E enquanto Hank faz isso, Manny começa a ficar fisicamente capaz e consciente, e quando o cara morto reaprende sobre o amor e sexo, sua ereção começa a agir como uma bússola para a jornada deles.

Nenhuma regra é realmente estabelecida para os que assistem, e na maior parte do filme, é difícil dizer se os elementos supernaturais do filme são “reais” ou parte da imaginação de Hank. Ele realmente pilotou um cadáver como jet-ski soltando gases? Ele estava realmente falando – ou recebendo respostas de – um cara morto? Ou as lições que ele estava dando era apenas uma forma de encarar seus arrependimentos e erros? A realidade é o que fazemos dela?

Um ótimo bromance: Sendo Manny realmente um zumbi simpático e inocente, ou apenas animado pela mente de Hank, Dano e Radcliffe tem uma incrível química desde o início. As conversas de uma via de Dano no começo do filme com o corpo sem vida de alguma maneira não parecem estranhas, e depois, os dois personagens criam uma relação que é uma mistura de pai-filho e, enquanto o tempo passa, homoerótica. E não é nem no subtexto; quando Hank ensina Manny sobre amor, ele se veste de mulher e os dois simulam encontros que se tornam mais e mais íntimos.

Dano e Radcliffe interpretam personagens que precisam muito um do outro, e isso se torna bem claro na telona.

Agora esses são efeitos práticos: Os Daniels, como Kwan e Scheinert chamam seu relacionamento, ficaram famosos pelos seus videoclipes muito inventivos (incluindo “Turn Down for What” de DJ Snake e Lil Jon) que incluem participantes sensacionais se contorcionando e desafiando a gravidade. Eles subiram a um outro nível aqui, com Radcliffe e muitos bonecos parecidos com ele sendo jogados, virados, e balançados por 95 minutos.

O título Swiss Army Man, é derivado dos vários usos de Manny; ele cospe uma fonte de água limpa, cria fogo com seus gases, atira balas da sua boca, e corta madeira com uma autoridade real. Durante o Perguntas & Respostas, os Daniels disseram que quase tudo que se vê nas telas foi feito nas locações, usando truques de câmera. Apenas imagine Daniel Radcliffe espirrando água e andando nas costas de Paul Dano; é ainda mais engraçado do que você está imaginando.

O filme também é uma revelação de design de produção. Os únicos suprimentos de Hank vêm de uma lata de lixo, e ele tem que usar tudo que tem para criar o que por fim se torna uma pequena vila para ele e Manny. Me lembrou do que os Garotos Perdidos criaram no filme Hook (Hook – A Volta do Capitão Gancho) de Steven Spielberg, mas muito mais assustador.

O amor machuca… ou será que não? Enquanto Dano e Radcliffe ocupam por volta de 95% do tempo do filme, há algumas cenas de uma mulher misteriosa, interpretada por Mary Elizabeth Winstead. Sem divulgar seu papel ou porque ela importa, eu sugiro que ela representa o poder de amar alguma coisa, mesmo que seja sem reciprocidade.

Yahoo! Movies – Jordan Zakarin
Traduzido e adaptado por: May Oliveira








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