[Traduzida] Entrevista de Daniel Radcliffe para Vanity Fair / Autor: Andressa

Deixe Daniel Radcliffe explicar porque seu filme sobre um cadáver flatulento, Swiss Army Man, é “lindo e épico”

Ele também nos disse como contou um spoiler de Harry Potter para Gary Oldman.

Na sexta-feira, Daniel Radcliffe fez sua segunda aparição nas telonas nesse verão. Algumas semanas atrás, ele interpretou um vilão no blockbuster deliciosamente doido Now You See Me 2; esta semana, Radcliffe voltará em Swiss Man Army. Este último é muito diferente do primeiro, ou de qualquer filme, assim dizendo.

Não reconhece o título deste filme da dupla de diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert? Talvez você tenha ouvido falar dele por outro nome: “O cadáver flatulento de Daniel Radcliffe”. Com isso em mente, não é difícil de adivinhar como o filme indie inspirou tanto algumas pessoas a saírem da sala quanto a outras aplaudirem de pé, no festival de Sundance do inverno passado.

Embora isso possa ser difícil de acreditar, este filme realmente faz perguntas significativas — na maior parte através de Radcliffe, como um cadáver flatulento chamado Manny. Na sua essência, Swiss Army Man é um filme que pondera porque as coisas que nos estranham (por exemplo, peidar e masturbação) fazem-nos sentir tão desconfortáveis — e por que desperdiçamos tanto de nossas vidas se preocupando com eles.

Para chegar ao fundo de como um cadáver flatulento pode realmente oferece uma mensagem significativa, a Vanity Fair foi até a fonte: o próprio Daniel Radcliffe. Nós conversamos sobre Swiss Army Man, sua carreira pós-Harry Potter, porque muitos de seus papéis nos fazem nos contorcer, e se ele está ou não lendo spoilers de Cursed Child.

VF.com: Depois de Harry Potter, um monte de seus filmes têm tirado os telespectadores de suas zonas de conforto, especialmente Swiss Man Army. Por que você escolhe papéis como esses? Há uma certa satisfação que vem com eles?

Daniel Radcliffe: Não é que eu quero ter esse efeito nas pessoas, necessariamente — embora eu ache que isso é bom. É mais que eu só escolho coisas com base no que eu acho interessante, o que soa tão simples que parece uma mentira, mas não é.

Você nunca pode prever o que vai ser bem sucedido — e também sou muito ingênuo, já que faço um filme como este pensando: “Todo mundo vai amar isso!”. Quando eu fiz Kill Your Darlings, eu falava: “Como este não é um filme para todos?”. E, claro, em seguida, você descobre: “Tudo bem, então, eu acho que tenho gostos bem específicos de alguma forma”.

Basicamente, é sobre o que me excita, e eu estou em uma posição no momento em que eu não tenho que fazer algo a menos que eu realmente goste. E eu não sei se eu vou estar nessa posição para sempre, por isso parece sensato fazer coisas mais estranhas e legais enquanto eu posso.

Isso faz sentido. Achei interessante que você tenha feito todos estes projetos menores, mas neste verão você também está nesta grande blockbuster, Now You See Me 2. É um filme de magia, mas você interpreta o cético.

Que eu, estupidamente, não pensei sobre antes. Acho que as pessoas não vão acreditar em mim quando digo isso, mas a coisa da magia nem sequer me ocorreu. Mas sim, as pessoas que eu admiro são sempre as pessoas que conseguem misturar e fazer as duas coisas: fazer coisas super comerciais e fazer indies super-estranhos também. E esse é o tipo de carreira que eu quero para mim.

O grande atrativo em trabalhar em Now You See Me 2 foi — tanto quanto o primeiro filme, é muito divertido, e é divertido fazer parte desses grandes filmes — trabalhar  com esse elenco. Há tantas pessoas nele que eu admiro por muitos motivos diferentes: Dave Franco é um dos melhores jovens atores protagonistas homens que temos, porque ele também é incrivelmente engraçado e auto-depreciativo. E você tem o Jesse (Eisenberg) como alguém que é um ator fantástico e também um escritor prolífico. Woody Harrelson e Mark Ruffalo são Woody Harrelson e Mark Ruffalo. E então Michael Caine.

Como uma pessoa inglesa, ele era uma daquelas pessoas que ouvi falar enquanto crescia – e você fala “Oh, eu quero que as pessoas falem sobre mim dessa maneira um dia”. Esse é o Everest da minha própria aspiração pessoal. Esse é o maior elogio em que eu posso pensar, porque ele é meio que universalmente adorado como pessoa e como profissional.

Só começar a trabalhar com ele e ver que — eu não sei quantos anos ele tem agora, mas eu acho que deve ter uns 80 anos, e ele ainda. . .

Ainda está trabalhando.

Ainda está trabalhando, e ele ainda ama fazer isso. Ele não é um desses atores mais velhos — e há um grande número deles — que dizem: “Ok, vamos fazer o que tem que ser feito e vamos fazer rápido e eu vou embora”. Ele está se divertindo, ele está rindo, ele está fazendo piada, ele está conversando com um amigo. É realmente inspirador.

Paul Dano tinha trabalhado com ele em algo pouco antes de nós trabalharmos juntos, e Paul estava dizendo que ele era tudo que queremos ser quando estivermos mais velhos. Ele é a prova de que você não tem que se tornar um burro cansado.

Então, quando você leu o roteiro de Swiss Army Man, qual foi sua reação inicial? Eu não posso nem imaginar.

Todos meio que pensam: “Oh, você deve ter entrado em pânico.” Mas, na verdade, a leitura era boa e fácil para um script.

A minha preocupação era: “Ok, eu entendo como isto vai ser engraçado; Eu não estou certo de que seja épico onde ele quer que seja”. Mas é. Isso é o que me surpreendeu. É belo e épico, e essas são as duas coisas que me deixou pensando: “Eles estão lá no script, mas como isso se traduz? Como você faz essas coisas na tela?”. E é aí que, francamente, esses diretores são como nenhum outro com quem já trabalhei.

Todos os dias, eles foram incríveis — você sabe, tinha uma cena em que Paul me dá um soco na cara, e eu engulo sua mão e o braço, e então ele me dá um soco no estômago para projetar seu braço para fora. Eu li isso no script e fiquei tipo: “Como vamos fazer isso?”. E então eles o fizeram só com ângulos de câmera e edição. Eles são realmente inteligentes.

Sabe aquela coisa que as pessoas às vezes dizem — é aquela besteira fofa que as pessoas dizem sobre abelhas: “As abelhas só pode voar porque ninguém lhes disse que elas não podem?”. Essa coisa? Eu acho que isso se aplica aos diretores.

Se você tivesse que assumir um dos papéis desses personagens na vida real — e ser o cadáver na praia que tem que aprender a ser humano, ou o ser humano que tem que ensiná-lo a viver — qual você preferiria?

Eu preferiria ser o cadáver que tem que aprender a ser humano. Honestamente, eu não sei o que isso diz sobre mim.

Há uma doçura no Manny, uma inocência. E eu sinto que é sempre a maneira que você deve vir ao mundo, e ele tem muita sorte de ter Hank. Considerando que, eu acho que se eu fosse Hank e fosse um homem suicida, eu teria… picos e depressões, assim me sentiria arrastando por aí esse cadáver irritante e alegre.

Já se passaram cinco anos desde que o último filme de Harry Potter terminou. Saindo desses filmes, você tinha um objetivo ou caminho de carreira específico em mente para si mesmo? Algo mudou?

Eu acho que o objetivo que eu tinha era apenas continuar trabalhando, e fazer tanta coisa interessante quanto possível.

Se você quiser ficar louco nesta indústria, a maneira mais rápida de fazer isso é fazendo um plano. Sendo assim, nunca teve um: “Eu quero fazer isto, e isto, e isto, e isto nessa hora”. E, na verdade, a única coisa que realmente se tornou ainda mais clara para mim ao longo dos últimos anos foi que — sem entrar em detalhes — todo a vez que eu fiz algo ou escolhi um papel pensando “Este é o caminho certo para a minha carreira, é o que eu deveria estar fazendo”, nunca deu tão certo quanto as vezes que escolho fazer algo porque amo.

Ok, última pergunta: Eu sei que você, compreensivelmente, não vai ver Harry Potter and the Cursed Child tão cedo. Mas você tem lido alguns dos spoilers?

Não, eu não li — mas você pode me dizer! Ele morre? Harry morre?

Na verdade, eu não sei também! Os únicos que eu li tinham a ver com Voldemort e Bellatrix.

Eles tipo, ficam juntos? Ok, eu vou… é, eu fui a pessoa que contou pra Garry Oldman que Sirius Black morria.

Espera, foi você mesmo?!

Eu cheguei no estúdio em uma manhã, e ele me disse: “Eu não tive tempo para ler o script; será que você pode me dizer, sou eu?” Porque nós todos ouvimos dizer que alguém morria.

Eu disse: “Sim, é você”. Eu estraguei a surpresa pra ele.

Entrevista por Laura Bradley
Publicada em Vanity Fair em 23 de Junho

Tradução e Adaptação: May Oliveira








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