[Traduzida] Entrevista para o IndieWire / Autor: Nuara Costa

Daniel também foi entrevistado pelo IndieWire. Na entrevista, ele fala sobre “Imperium” e porque realmente espera que grupos racistas supremacistas vão assistir ao filme. Confira a entrevista traduzida abaixo:

Daniel Radcliffe revela porque quer que Neo-Nazistas vejam seu novo filme, “Imperium”

A narrativa é sempre a mesma: Daniel Radcliffe está fazendo algo que não é Harry Potter! Desde seus dias como Harry Potter, o ator britânico tem constantemente misturado seus papéis, pulando da Broadway para filmes fora do padrão, como “Swiss Army Man” e “Horns,” para filmes como “Truque de Mestre 2” ou dramas como “Kill Your Darlings.” Ele achou tempo para fazer televisão (A Young Doctor’s Notebook) e animação (Bojack Horseman). Ele estrelou em um filme de terror famoso (A Mulher de Preto) e se casou com Zoe Kazan no charmoso “Será Que?”

E ainda assim, a história permacene: Daniel Radcliffe está fazendo algo que não é Harry Potter. Em seu último filme, “Imperium” do diretor Daniel Ragussis, Radcliffe está mais uma vez fazendo algo diferente, interpretando um agente do FBI que se infiltra em grupos supremacistas que estão prestes a fazer um grande ataque terrorista. O que o seu personagem, Nate Foster, acaba descobrindo surpreende ele e o público. O papel oferece a Radcliffe mais uma chance de expandir seu trabalho. Para Radcliffe, ser diferente é seu padrão.

Quando o IndieWire recentemente perguntou a Radcliffe se ele se cansa de falar sobre a narrativa, o ator sorriu um pouco e foi rápido em clarificar seu pensamento no assunto:

“Não, essa foi a expressão de ‘sim, você está certo, muita gente me pergunta isso.’” Ele  ri. “eu não estou cansado de as pessoas me perguntarem sobre meu novo projeto ou nada do tipo, mas eu acho que eu fico meio entediado com a ideia de que pessoas pensam que todo papel que eu escolho é, de alguma forma, um comentário sobre a minha relação com Potter.”

A essa altura, ele também já se acostumou com isso.

“É engraçado porque isso meio que acontece toda vez,” ele disse. “Quando eu fiz ‘Equus,’ as pessoas disseram, ‘Ok, ele está se distanciando do Potter.’ Em ‘Kill your Darlings,’ foi a mesma coisa, e depois ‘Horns’ e agora ‘Swiss Army Man’ e agora esse filme. Eu não estou esperando pelo dia em que as pessoas vão parar de perguntar sobre isso. Eu acho que se a minha carreira estivesse seguindo um caminho que não me alegrasse, eu provavelmente estaria menos animado em falar sobre isso, mas eu estou muito feliz em como as coisas aconteceram.”

Para Radcliffe, toda essa variedade não é um comentário em seu papel mais conhecido, mas apenas uma marca de sua dedicação à sua carreira como um todo.

“Eu sinto que eu recebo uma quantidade não merecida de crédito por escolher papéis diversos porque eu interpretei o mesmo papel por muito tempo. Eu acho que todo ator, ou pelo menos todos os bons atores, querem fazer a maior quantidade de papéis diferentes possível.”

A carreira sempre em transformação de Radcliffe também se beneficiou de diretores que estavam igualmente desinteressados na narrativa “se distanciar de Potter” que sempre é colocada no jovem ator. Ou, no caso de Ragussis, diretores que estão dispostos a usar os encantos já estabelecidos de Radcliffe de uma nova maneira.

Quando foi escalar Radcliffe para o filme, Ragussis focou na inspiração real do papel – o co-escritor Mike German, ex-agente do FBI que baseou a história do filme em algumas experiências dele no campo – como uma maneira de ver essa escalação não convencional.

“Uma das coisas que mais me interessou sobre Mike e sua história foi quão diferente ele era do que eu pensava ser um agente do FBI,” disse Ragussis. “Ele não é aquele cara grandão que vai entrar em um lugar e bater nas pessoas. Ele é esse cara calmo e inteligente.”

Para Ragussis, ter certeza que Nate teria essas características se tornou um diferencial, eventualmente permitindo-o ver Radcliffe como “a pessoa perfeita para o papel.”

Radcliffe também reagiu a essas características. Ele explicou que estava animado por ver “um roteiro que teve a coragem de fazer um personagem inteligente e permiti-lo resolver problemas e ultrapassar obstáculos através disso.” Esse não é o tipo de coisa que ele está acostumado a ver.

“Geralmente você recebe roteiros que fazem isso no início e depois só recorrem a armas e ação no final, o que sempre dá a sensação de um filme policial, especialmente nesse tipo de filme,” ele continou. “Se você é um agente disfarçado e você atira, você é provavelmente o pior agente disfarçado no mundo dos agentes. Pelo menos uma vez, eu li um roteiro que o manteve inteligente.”

“Você não quer se repetir e você quer contar histórias que tem relevância, que valham a pena e que digam algo sobre o mundo em que vivemos agora,” disse Radcliffe. “Eu acho que é o que esse filme faz.”

Apesar de as circunstâncias em que Nate se encontra – e as companhias que ele começa a fazer ao longo do caminho – parecer chocante para alguns públicos, o roteiro de Ragussis e German mantêm “Imperium” no chão, focando na experiência da emoção. Nomeadamente, que Nate é um estranho em sua vida normal, nos faz entender o porquê ele eventualmente sentiu certa camaradagem com as pessoas que ele estava investigando.

“É generalizar muito dizer que qualquer pessoa que entrar em um movimento supremacista branco era depressiva e vulnerável, mas muitas pessoas são,” disse Radcliffe. “Muitas pessas são vulneráveis e são expostas a certas ideias terríveis no momento errado, é isso o que é preciso [para que eles se tornem radicais].”

Ragussis foi meticuloso em sua pesquisa para o filme, e de vez em quando encontrava histórias que se relacionavam diretamente com os sentimentos complicados de Nate no filme.

“Uma das histórias que eu estava lendo era sobre esse garoto que se viu preso no estilo de vida skinhead,” ele disse. “Ele veio de uma infância complicada, e pela primeira vez, ele tinha um grupo de pessoas o escutando, levando sua opinião a sério, eles estavam dizendo ‘Você tem um lugar nesse mundo, você tem algo a dizer.’”

Foi um conceito ao qual Radcliffe deflagrou de grande modo. Mesmo meses após terminar as filmagens, Radcliffe ainda se animava quando falava sobre as complexas emoções e motivações que motivam pessoas como as que Nate teve que se infiltrar.

“A ideia de você dizer a alguém, ‘sua esposa não te deixou porque ela não te ama, você não perdeu seu trabalho porque você é ruim nele, é uma conspiração global contra você e nada disso é sua culpa. De fato, você pode se tornar um soldado nessa batalha,’” o ator disse. “Isso é muito empoderante para pessoas que não sentiam que tinham algum poder.”

Ragussis adiciona, “Você é parte de um objetivo ideológico maior que, na mente deles, está lutando por liberdade e justiça de emancipação. No ponto de vista deles, é por isso que eles estão lutando. Você pode ser um soldado em uma causa, você pode doar a sua vida para algo maior do que você mesmo. Certamente a historia da humanidade está repleta de pessoas fazendo isso, pelo bem e pelo mal.”

O tipo de entendimento imparcial e atenção para o complicado – e controvéso – ponto de vista faz “Imperium” se destacar de outros filmes que são rápidos em demonizar um lado ou o outro. E é algo que Radcliffe e Ragussis esperam que vai chamar a atenção a pelo menos um grupo inesperado de frequentador de cinema: supremacistas brancos reais.

“Alguém me disse outro dia, ‘Você se preocupa com pessoas, supremacistas indo ver esse filme?’” Radcliffe disse. “E eu fiquei tipo, ‘Não, isso é exatamente o que eles deveria estar indo ver.’ Eu acho que é porque é um filme que tenta retratar as áreas normais nessas pessoas, mais do que demoniza-los. Poderia ser um filme que supremacistas poderiam ver e ver como eles foram retratados.”

Ele adiciona: “Eu acredito que filmes podem ter um impacto no mundo. Mesmo se é apenas uma pessoa, isso é fantástico. Eu tenho certeza que 99.999% deles vão assistir e odiar ou apenas odiar nós dois. Mas se aquele .1% recebe algo diferente disso, então é incrível.”








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