[TRADUZIDA] BBC entrevista Daniel e ele fala sobre política e terrorismo / Autor: Nuara Costa

Com Imperium e Swiss Army Man estreando no UK essa semana, diversos jornais e revistas fizeram matérias sobre os filmes e entrevistaram Daniel. Na matéria da BBC, Daniel fala sobre o cenário político dos EUA e UK e também  sobre terrorismo.

Daniel Radcliffe fala sobre o Brexit e medo do Trump

Daniel Radcliffe acredita que o voto do Brexit no UK, junto com a ascensão de Donal Trump, fez a Extrema Direita “agora uma legítima parte da discussão política.”

O ator, que em seu último filme, Imperium, interpreta um agente do FBI que se infiltra em uma trama de uns extremistas de direita que planejam detonar uma bomba, diz “a maioria dos eleitores não são extremistas racistas.”

Ainda assim, ele continua: “Algo aconteceu com o Brexit e com Trump, as pessoas podem ouvir esses pontos de vista na TV e acreditar que é uma maneira legítima de pensar sobre as pessoas.”

Ele diz que sente que é mais difícil ser patriota após o voto do UK de sair da União Européia.

“Algumas pessoas vão pensar que você é racista. Patriotismo está ligado a um nacionalismo e não é a mesma coisa,” ele diz.

“Eu me vejo como muito patriota mas não tem nada a ver com a ideia de querer nos separar da Europa. Nós somos uma ilha, mas uma mistura de culturas e línguas nos fizeram o que somos. É muito triste observar as pessoas pensarem que esse não é o caso.”

Imperium foi filmado no ano passado, o ator explica, “quando eu não poderia ter previsto nenhum desses pontos de vista expressados no filme sendo colocado na mídia. Trump era um candidato de brincadeira.”

O filme,  co-estrelado pela atriz australiana, Toni Collette, é uma colaboração entre o seu escritor-diretor, o americano Daniel Ragussis, e o ex-agente do FBI Mike German, que foi a inspiração para o papel de Radcliffe como Nate Foster. German foi um agente secreto infiltrado em movimentos de Extrema Direita por anos, levando muitos a serem presos.

Entretanto, apesar de alguns ataques destacados publicamente, mais notoriamente o bombardeamento em Oklahoma em 1995, liderado pelo supremacista Timothy McVeigh, Ragussis acredita que o foco no terrorismo inspirado pelo Isis significa que a cobertura na violência de Extrema Direita não é mais predominante.

“Grupos supremacistas brancos não são necessariamente classificados como terroristas,” ele explica.

“Eu sinto que nós não devemos chamar a atenção para as pessoas inspiradas pelo ISIS,” Radcliffe adiciona. “Quando a bomba explodiu em Nova York, eu estava dizendo a mim mesmo ‘por favor, não deixe que o autor seja negro, ou muçulmano – porque se for, vai ser usado pelo Trump.’ Mas nós não precisamos chamar a atenção para os ativistas de Extrema Direita.”

O ator diz que sua descendência Judia “não foi um fator decisivo para fazer esse filme.”

“Também tem a ver com meu pai ter vindo da Irlanda do Norte. O filme mostra que o terrorismo vem em diversas formas.”

“Eu sei por meu pai ser Irlandês, que pessoas brancas também fazem isso. Eu acho que é útil lembrar as pessoas disso agora.”

Radcliffe adiciona que ele “mergulhou” na autobiografia de Adolf Hitler de 1925, Mein Kampf, e expressa a esperança de que neonazistas assistam Imperium.

“Eu não ligo se eles fazem isso como uma atividade de ódio porque eu sou judeu,  eu sinto que esse é o tipo de filme que eles podem assistir porque, enquanto nós não tivermos uma mente aberta sobre as ideias deles, nós temos uma mente aberta sobre supremacistas brancos enquanto pessoas – se você assistir ao filme, nem todo mundo lá é skinhead, eles não são retratados como monstros.”

Contudo, foi a cabeça raspada de Radcliffe, feita durante uma cena no filme, que deu a Imperium mais publicidade quando as primeiras fotos causaram uma comoção na internet quando foram lançadas ano passado.

“Não deveria ser notícia que alguém cortou o cabelo, mas acho que foi bom para o filme,” disse Radcliffe.

Ele também aceita, apesar de não entender, porque cinco anos depois do último Harry Potter, ainda há tanto frenzi.

“Eu tenho que sentar perto de atores em entrevistas e ouvi-los dar respostas para as perguntas da mídia e penso, ‘Eu nunca poderia dizer isso, iria parar em todo lugar.’ É muito estranho – eu estou lindando melhor com isso.”

“Eu só continuo fazendo diferentes escolhas para filmes diferentes – e o fato que eles são tão diferentes hoje em dia não é um comentário ao meu papel como Potter, eu só não quero me repetir.”

“Então ninguém deveria esperar um remake de A mulher de preto, Versos de um crime ou Imperium.”








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