[TRADUZIDA] Entrevista do Daniel Radcliffe para a Esquire UK / Autor: Andressa

Daniel Radcliffe: “A masculinidade está em um lugar bem estranho no momento”

Com os seus novos lançamentos, Imperium e Swiss Army Man, o ator fala sobre a masculinidade moderna e fingir ser um neonazista.

Olhando para ele, você não acreditaria que Daniel Radcliffe acabou de acordar. Com iced coffee na mão, vestindo uma t-shirt justa e uma barba, ele parece estar calmo consigo mesmo. Passa das 14:00 no Soho Hotel em Londres, mas tendo crescido em sets de filmagem, Radcliffe está acostumado a dormir quando pode.

Contra o estereótipo de ator mirim, o ator de 27 anos é conhecido por ser incomumente educado e seus olhos azuis são acesos com uma concentração que nunca vacila enquanto conversamos. Ele não bebe mais e evita as redes sociais, porque cerveja o leva ao caos e o Twitter à brigas.

Como você se preparou para Imperium? Você trabalhou junto com o ex-agente secreto Mike German em quem o papel se baseia?

A parte mais interessante de fazer o filme foi sentar com o Mike e ouvir suas histórias. Eu perguntei sobre como ele viveu daquela maneira e o que mais me impressionou foi o tipo de cara medido e contido que ele é. Você podia ver imediatamente como isso ajuda em situações tensas, não reagir a provocações, então eu levei isso para o papel.

Eu também li muita literatura supremacista branca e fui em seus websites e fóruns. A reação mais comum depois de assistir Imperium é as pessoas dizerem, “Mas isso não existe de verdade, certo?” e existe sim, está bem aí.

Qual foi a coisa mais interessante que você achou na sua pesquisa?

Há diferentes tipos de supremacistas, dos punks skinheads aos mais refinados, membros inteligentes do movimento que não gostam de violência porque eles – bizarramente – ligam para a sua imagem.

Ler sobre a largura das crenças é estranhamente confortador, porque você percebe que se eles estivessem em posições de poder, eles iam rasgar uns aos outros.

O filme destaca o fato de que a mídia ignora grandemente o terrorismo branco. Você acha, levando em conta o ressurgimento da direita na política principal, é particularmente importante que essa história seja contada agora?

Absolutamente. Há pessoas no mundo que querem que nós acreditemos que apenas um grupo de pessoas é responsável pelo terrorismo, e é triste de ver que essa ideia está nos virando uns contra os outros. Meu pai é da Irlanda do Norte, então o conhecimento de que pessoas brancas podem criar o terrorismo foi construído em mim.

Quando nós estávamos fazendo o filme ainda era o tempo em que as pessoas estavam rindo da ideia de Trump se tornar presidente, mas o que está acontecendo agora é assustador.

Eu entendo o patriotismo e amo o UK, mas o que mais me chateia sobre o Brexit é que o patriotismo tem tom nacionalista, o que não deveria. Quão menos suporte nós colocamos em bandeiras e nomes, melhor, pois somos todos a mesma espécie.

Você teve que assumir um personagem falso que é racista e antissemita. Quão difícil foi usar essa linguagem?

Foi horrível. Eu costumava chegar nos atores com quem gritava nas filmagens e tentava ter uma conversa civilizada. Aquelas palavras ainda têm um poder real e a pessoa do outro lado da rua pode me ouvir gritando e não saber que estamos numa filmagem. Honestamente, estou contente que me senti estranho com isso, porque caso contrário ficaria preocupado.

Você abertamente fala sobre ser um feminista. O que você acha da masculinidade moderna?

A masculinidade está em um lugar bem estranho no momento. Os homens costumavam ser capazes de ser inteligente e sensíveis, mas também fortes como unhas e essas coisas não precisavam ser mutualmente exclusivas. Agora a pressão para se sentir macho geralmente vem as custas da igualdade.

Eu acho que esta refletido nos movimentos pelos direitos dos homens. Não parece que aprendemos nada. Você tem que aceitar de alguma maneira que como um homem branco, você praticamente tem o mundo nas mãos. Quando você ouve as pessoas dizerem “nós somos aqueles sendo oprimidos”, você só pode pensar “Jesus, olhe a sua volta”. Ainda sou questionado sobre ser um feminista como é algo que você deve assumir e “tirar do armário”.

Você postou um tributo quando Alan Rickman morreu, apesar de não usar muito as mídias sociais. Por que se sentiu obrigado a fazer isso?

Não é que eu acredite que você precisa publicamente mostrar sua tristeza para sentir algo. Mas aconteceu algo atrás da morte de Alan, onde todo mundo queria falar sobre seus personagens, e eu queria dizer o quanto ele era uma pessoa memorável também. Sua lealdade imutável com seus amigos era algo que você normalmente não vê e seu memorial foi um testamento de como carinhoso ele era, particularmente com pessoas mais jovens.

Entrevista por: Olivia Ovenden – Esquire UK
Tradução e adaptação: May Oliveira e Nuara Costa








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