[TRADUZIDA] Matéria de capa da August Man Malaysia / Autor: Nuara Costa

Daniel foi entrevistado pela August Man Malaysia no mês passado, enquanto estava em cartaz em Nova York com a peça Privacy. A matéria foi publicada no início do mês e nela, Daniel fala sobre crescer em frente aos holofotes, seus papéis em filmes indie, sobre a indústria cinematográfica e seu apoio aos grupos minoritários através do Trevor Project. Confira abaixo a matéria na íntegra:

Daniel Radcliffe é capa da edição de Setembro da ‘August Man Malaysia 2016’

A história mostra que crescer em nos holofotes de Hollywood geralmente resulta em uma transição difícil de ator mirim à ator, perturbado por problemas legais, problemas mentais, preocupação financeira e por aí vai. Como a jornada pode ser bem traiçoeira, raros são os que conseguem manter os pés do chão e continuar suas carreiras na vida adulta.

Um bom exemplo é a nossa capa do mês, Daniel Radcliffe, que tinha apenas 12 anos quando o primeiro filme de Harry Potter, A Pedra Filosofal, estreou em 2001. Ao interpretar o personagem título, um papel que iria ocupar toda a sua carreira ao longo da adolescência, até o lançamento do último filme em 2011, As Relíquias da Morte: Pare 2, Radcliffe se tornou o Bob Gragam de San Francisco Chronicle descrito como “a personificação da imaginação de todo leitor.”

Aos 17 anos, Radcliffe nos deu um vislumbre de sua vontade de entrar no mundo adulto das artes performáticas quando ele estreou nos palcos na peça de 1973 do escritor inglês Peter Shaffer, Equus, onde ele interpretava um papel principal de um menino cuidador de cavalos com uma obsessão por eles. Radcliffe não foi apenas elogiado pela profundidade de sua interpretação, mas também indicado para o Drama Desk Award e louvado por ser capaz de sair de sua persona de Harry Potter.

Radcliffe continou em seu sucesso teatral do West End na Broadway em 2011, no musical How to Succeed in Business Without Really Trying, um papel interpretado previamente por veteranos como Robert Morse e Matthew Broderick. Mais uma vez, Radcliffe foi indicado ao Drama Desk, além de uma indicação de Drama League. Na tela, Radcliffe interpreta um pai viúvo com a tarefa de cuidar de problemas legais e de propriedade de uma mulher doente de quem espalhavam rumores de estar assustando uma pequena cidade Inglesa, onde sua casa era localizada, em meio a densos nevoeiros e pântanos, na adaptação de 2012 do livro de Susan Hills ‘A Mulher de Preto’. A essa altura, nosso ator estava a desabrochar em um ator consumado.

Relacionado a evolução suave de Radcliffe, ele diz, “Eu acho apenas que fui muito sortudo. Eu sempre tive boas pessoas ao meu redor que nunca vão me deixar ter um grande ego ou algo do tipo. Eu também acho que é porque eu não cresci em LA; Eu meio que fiz tudo em Londres, de onde eu sou, então isso faz uma grande diferença. LA é um mundo muito específico. Eu acho que se você cresceu lá, seria moldado de uma maneira completamente diferente.”

Comprometido à sua arte, Radcliffe dá o crédito de manter um bom controle de seus filmes e peças ao seu foco de manter o objetivo de sempre dar uma interpretação honesta, dizendo, “Eu adoro os dois e quero continuar gostando por muito tempo. Eu acho que teatro é uma disciplina um pouco diferente. Há certas coisas que você precisa fazer diferente tecnicamente, mas falando no geral, você está sempre mirando no mesmo alvo – honestidade e verdade, e apenas ser o mais realista possível.”

Quando fizemos nossa entrevista por telefone, Radcliffe estava atuando em Nova York, na peça de James Graham, Privacy, uma peça moderna com um olhar para problemas de privacidade trazidos pelo mundo digital, no qual o personagem de Radcliffe entra em uma jornada de auto-descoberta quando detalhes íntimos de sua vida privada que ele estava guardando cuidadosamente já estão por aí. Sobre o pepel, ele diz: “Está sendo um dos trabalhos mais divertidos que eu já fiz. Há muita participação da plateia e interação, o que deixa tudo bem divertido.”

Os filmes adultos mais recentes de Radcliffe incluem Swiss Army Man e Imperium. No primeiro, uma fantasia e comédia-dramática dos diretores Dan Kwan e Daniel Scheinert, o ator Paul Dano de Love & Mercy, interpreta Hank, um homem preso em uma ilha deserta e tentando suicídio que se torna amigo de um cadáver trazido para a praia pelo mar, interpretado por Radcliffe. Para o divertimento da plateia, Hank também pode manipular o cadáver de Radcliffe como uma ferramenta universal, daí o título Swiss Army Man. Juntos, os dois embarcam em uma jornada surreal pela sobrevivência e achar o caminho de casa.

Vendo um recorrente retorno aos papéis de fantasia, nós perguntamos a Radcliffe se ele é atraído a isso, ao que ele responde, “Eu meio que gosto porque te dá a chance de explorar situações normais e humanas em uma maneira que é meio estranha. Fantasia é um guarda-chuva bem amplo para muitas coisas. Por exemplo, Swiss Army Man não é uma segunda realidade, e também não é o mesmo mundo que Harry Potter ou O Senhor dos Anéis; é tipo um mundo onde tudo pode acontecer, então eu acho que eu gosto desse aspecto da fantasia, mas não que vai ser o que eu vou fazer pro resto da minha carreira. Esperançosamente eu posso manter uma boa mistura de fantasia e realidade.

Com certeza, no segundo filme, Imperium, dirigido e escrito por Daniel Ragussis com Michale German, que era um agente do FBI, Radcliffe entra em um projeto inspirado por eventos reais. O filme retrata a jornada de seu personagem, um agente do FBI que se infiltra com grupos Neo-Nazistas supremacistas para impedir um plano terrorista.

Apenas do enredo, podemos esperar Radcliffe demonstrando sua proeza na ação, mas o ator, que sempre demonstrou uma inclinação para algo com mais profundeza, responde que o filme se assemelha mais a um thriller do que um filme cheio de ação. “É isso que eu gosto no roteiro, que filmes desse gênero geralmente vêm cheios de ação, mas esse tem um pouco de ação, mas é mais para um thriller.”

“No mundo real, se você aciona uma arma, você é meio que o pior agente infiltrado no mundo, então tudo que você tem são o seu charme e suas habilidades em ler as pessoas nessas situações e isso é meio que a única arma que você tem à sua disposição. Então é sobre assistir esse cara navegar entre essas situações diferentes e assustadoras, todas baseadas em um caso real.”

Na vida real, nós gostaríamos de elogiar Radcliffe por ser um papel importante em apoiar o Trevor Project desde 2009, em seus esforços de prevenir tentativas de suicídio entre grupos minoritários, particularmente os da comunidade LGBTQ, entre outras caridades.

“Eu sempre fui muito privilegiado em viver em uma comunidade tolerante e liberal, então quando alguém me chamou a atenção para o fato de que ainda há em alguns lugares, como nos EUA, onde a comunidade LGBT é tratada com hostilidade quando estão crescendo, só me parece que para isso estar acontecendo hoje, soa ridículo. Quando me contaram sobre a organização, eu fiquei muito animado em ser capaz de lhes dar algum suporte e, esperançosamente, ser parte da construção de um futuro melhor.”

Enquanto suas recentes escolhas para papéis tem sido nesses filmes com lançamentos limitados e produções mais independentes, Radcliffe revela que é aqui que ele acha o trabalho mais interessante para fazer sua carreira crescer, dizendo: “Eu acho que é aqui onde os roteiros mais desafiadores estão. No momento, é aonde a indústria do cinema está, é que as pessoas tem medo de arriscar dinheiro em uma coisa que não é garantia de sucesso. Então eu acho que os filmes mais desafiadores e interessantes estão sendo feitos no mundo independente, apesar de nem sempre ser o caso. No geral, eu fico mais próximos desses projetos, mas isso não quer dizer que eu não quero manter uma mistura dos dois em minha carreira, o que seria o mais ideal. Apenas acontece que, no momento, eu estou indo aonde eu acho os roteiros e projetos que eu acho mais interessantes estão, e eles acontecem de ser no mundo dos filmes indie.”

Hoje, mesmo que Radcliffe não veio de uma formação superior em Atuação, ele tem mais do que nos convencido de sua capacidade de atuar com papéis sólidos que ele vem armazenando. “Eu costumava me perguntas se eu estava perdendo alguma coisa por não ter feito isso. As vezes eu iria estar no set com atores que foram treinados e eu me preocupava que eu não tivesse as mesmas habilidades que eles, mas eu meio que percebi que eu tive muitos tipos de treinamento, já que eu fui treinado em como estar em um set de filmagem por anos assim, como pessoas que foram treinadas em escolas de Teatro vão ter ótimas habilidades vocais e de projeção. Eu tenho um conjunto diferente de habilidades, mas eu meio que os adquiri por estar em um set de filmagem por muito tempo. Todos vem para essa indústria de seu próprio jeito, provando que você acha um processo que funciona pra você”

Seguindo em frente, o ator de pleno direito deseja dirigir seu próprio material, mas no meio tempo, ele está feliz em maximizar o potencial de sua atuação e aproveitar o processo ao longo do caminho. “Eu sempre me diverti muito no meu trabalho. Eu sou muito sortudo. Eu acho que atuar é um trabalho divertido em termos de grandes lugares para trabalhar. Swiss Army Man é definitivamente um dos sets mais divertidos em que eu já estive. É meio que um filme louco e estar lá todo dia, você está filmando alguma coisa meio louca. Eu estava constantemente sendo surpreendido, e foi um grupo interessante de pessoas com que se trabalhar.”

Finalmente, Radcliffe nos surpreende com a mensagem a seguir, terminando nossa matéria de capa com uma nota doce e marcando o início do nosso oitavo aniversário.

drsignatureok

Parabéns pela sua edição de aniversário! Com amor, Daniel Radcliffe.








2011 - 2016   DanielRadcliffe.Com.Br