[TRADUZIDA] Resenha de Imperium pelo Telegraph / Autor: Nuara Costa

Imperium vem sendo resenhado por diversos jornais britânicos. Já ganhou algumas estrelas, mas infelizmente com o Telegraph, ganhou apenas duas. Segue abaixo a resenha crítica feita pelo crítico de filmes, Tim Robey:

Resenha de Imperium: o thriller neonazista de Daniel Radcliffe é um barril de pólvora com quase nenhum explosivo dentro.

O corte de cabelo no estilo “bacia de pudim” em Daniel Radcliffe no início de Imperium não é apenas terrível, ele sela o filme com um problema específico.

Ao invés de impulsionar o personagem, um agente do FBI novato chamado Nate Foster, em uma jornada ao coração da escuridão, se disfarçar como um skinhead neonazista de repente parece a melhor coisa que já lhe aconteceu.

Ambos antes e depois do cabelo sair, as autoridades de Washington estão em alerta máximo para um ataque de armas químicas, depois de um césio-137 – um dos ingredientes principais para uma bomba – ser capturado em uma batida policial.

Suspeitando o envolvimento da extrema Direita e não do terrorismo Islâmico, a colega de trabalho de Foster, Angela (Toni Collete, fazendo muitos favores a esse filme) o escolhe para se infiltrar em um grupo fascista local, significando que ele tem que se revestir da ideologia do supremacismo branco, falar e andar como eles e esperar receber alguma informação sobre a carnificina iminente.

Radcliffe, nesse thriller com o orçamento bem apertado, não é o problema. Os avanços que ele vem fazendo na cena indie americana não são nada se não testes de resistência.

É provavelmente justo dizer que ele nunca vai te aterrorizar, mas esse não é a tarefa: Nate está tentando se apresentar como um estudante afiado dos princípios nacionalistas do que como um bandido.

A leve diligência nervosa que você espera de uma performance de Radcliffe aparece bem, e ele não é ruim ao dar a esse agente inexperiente a inteligência rápida para sair de algumas situações.

O problema são as situações. O filme peca em muitas oportunidades de encurralar o herói e isso te faz perguntar quais os motivos que levaram o escritor-diretor Daniel Ragussis a nos fazer passar por isso.

Ok, ele quer contrastar diferentes crenças de facções fascistas americanas – cristãs, anti-semitas, pseudo-libertária, e outras. É por isso que ele faz Nate escutar os argumentos de Gerry (Sam Trammell), um burguês intelectual aparentemente civilizado que esconde seu racismo tóxico embaixo de uma folheada por um gosto de música clássica.

Gerry continuamente convida os homens tatuados às suas festas no quintal, mas é mais difícil acreditar em como ele se sente vitimizado – e isso, como nós viemos a entender pela personagem de Collete, é o fator comum em todas as formas de neonazismo.

Outro adversário interessante é Tracy Lett, espalhando ódio pelo rádio, mas nunca sujando suas mãos.

O filme soa áspero consigo mesmo quando fazendo todas essas distinções, mas falha em conseguir algum drama a partir delas; está muito ocupado retorcendo suas mãos para ir direto ao assunto. Ele quer crédito por nuances que não são destacadas e inteligência que não está lá.

Com todo o perigo político que a América está enfrentando no momento, essa trama deve ser um barril de pólvora. Mas enquanto o fuzil está sendo aceso, quase não há explosivo dentro.








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