[TRADUZIDA] Entrevista do Daniel para o site AskMen / Autor: Letícia Brandão

O que molda o homem? Essa é a premissa por trás da série de entrevistas realizadas pelo site AskMen, intitulada de O Homem que Eu Sou Hoje, na qual os homens mais inspiradores do mundo falam de como chegaram até aqui.

Ele pode até ser mais conhecido como “estrela mirim” ou “menino bruxo”, mas, aos 27 anos, Daniel Radcliffe continua a subverter as expectativas como adulto. Ele está em um relacionamento com a atriz Erin Darke, conseguiu superar um problema difícil com a bebida e está acumulando papeis no cinema que muito se distanciam do bruxo favorito de todos e inimigo de Voldemort.

Os últimos filmes da sua lista são Imperium e Swiss Army Man, nos quais, respectivamente, Radcliffe interpreta um gente do FBI que se infiltra em um dos grupos de supremacia branca nos Estados e um flatulento cadáver que vira amigo de homem que tentou cometer suicídio. Até então, muito diferentes de Harry Potter.

Nós queríamos descobrir a fundo o homem que Daniel Radcliffe é, então conversamos com ele sobre a vida, amor e demos boas risadas  de Jeremy Paxman.

Você é o tipo de homem que pensa muito sobre o tipo de homem que é?

Eu acho que eu penso muito sobre o tipo de pessoa que eu sou… Eu não divido isso em algum tipo de categoria. Eu acho que sei o tipo de pessoa que eu sou e, sendo assim, eu sei o tipo de homem que eu sou, ou pelo menos tenho alguma ideia sobre isso – eu não enxergo isso sob a ótica de gêneros. E eu nunca seria do tipo que pensa, “Eu apenas me relaciono com certos tipos de homem que se parecem comigo.”

Você tem um dia livre. O que você faz?

Isso é uma coisa sobre a qual vale a pena falar, mas, provavelmente, começaria o dia indo à academia ou indo correr, porque, se eu fizer isso cedo, me sentirei bem melhor durante o resto do dia. Depois disso, apenas ficaria com a minha namorada, assistiria televisão e, de preferência sendo um domingo com futebol americano passando, a gente assistiria ao jogo por horas.

Qual a coisa mais difícil que você já fez?

Eu parei de beber – sentia que estava se tornando um problema para mim e eu não estava conseguindo lidar com isso muito bem. Você apenas fica cansado de ser aquela pessoa; sempre se sente como se fosse acabar sendo o problema das outras pessoas. E, de repente, um dia você diz pra si mesmo, “Na verdade, eu não quero mais fazer isso.” As primeiras semanas –  para dizer a verdade, os primeiros meses e anos –, em que você está se ajustando e se acostumando a viver sem a bebida, é bastante difícil. Agora é realmente muito mais fácil, mas isso tem a ver com fato de que estou mais confortável com quem eu sou. Quanto mais eu me reconheço, mais essa decisão se torna fácil.

Com que frequência você se exercita?

Eu me exercito muito. Eu diria que, no mínimo, quatro ou cinco vezes por semana. Mas eu sou bem obcecado e meu pai está incrivelmente em forma. Ele tem 57 anos e pratica CrossFit umas quatro vezes por semana  – ele não é viciando nisso, é bom destacar! Então, nesse sentido fitness, ele estabeleceu parâmetros bem altos para a minha família. Mas eu também me divirto e me sinto melhor depois. Eu acredito que estar em forma, conhecer o seu corpo e tê-lo disponível como ferramenta de trabalho é realmente muito útil como ator, e acabo vendo isso como parte do meu trabalho. E também porque eu fico bonito… Essa é a minha lógica!

O que te faz dar boas risadas?

Minha namorada ou South Park. Ou outras séries de televisãoRick and MortyBojack Horseman, as brincadeiras entre Richard Osman e Alexander Armstrong em Pointless, as interrupções de Jeremy Paxman, no programa University Challenge, quando ele diz às pessoas que as respostas delas não são boas o suficiente… Eu não sei o que eu prefiro mais – quando alguém dá uma resposta completamente errada e ele faz uma daquelas caras como se pensasse “Que idiota!” ou quando ele sabe alguma coisa a mais sobre a resposta e ele fala algo do tipo “Oh, eu acho que era a primeira sinfonia de Schumann.” Eu penso comigo mesmo, “Você não precisava falar isso, nós todos sabemos que você é inteligente, Jeremy!”.

Do que você tem medo?

Não ser capaz de fazer filmes pelo resto da minha vida – se alguém aparecer amanhã de manhã e dizer “Oh, eu sinto muito, mas você nunca vai ser capaz de atuar novamente, estamos retirando de você toda a sua carreira.” Eu sei que não é um medo racional, mas eu acho que, de modo geral, tenho medo de falhar e não ser capaz de fazer o que eu amo. Eu acho que esse é um medo que muitos atores têm e pensam alguma cosia do tipo, “Meu Deus, eu vou ser descoberto e ninguém mais vai me oferecer papeis, então nunca serei capaz de fazer o que eu amo.”

Qual a característica que você mais admira nas pessoas?

Admiro pessoas sinceras, que aceitam e não-julgam as diferenças. Eu acho que essas são características muito necessárias para o mundo e é o que tento fazer. Também admiro pessoas que tem perspectivas sobre alguma coisa que eu nunca pensaria em ter. Isso sempre me interessa muito em alguém.

Quais características que você odeia nos outros?

Pessoas que julgam as outras e que pensam ser superiores. Eu não me dou bem com isso. É por isso que quando alguém fala que algum filme é terrível, tem sempre uma parte de mim que pensa, “Até o pior filme é bom, porque conseguiu ser feito.” Tem alguma coisa no ato de julgar alguém que eu acho muito estranho e difícil. Pelo menos eles fizeram alguma coisa. Mesmo que seja ruim, veio deles e eles fizeram isso.

Quando foi a última vez que você chorou?

Ontem, assistindo à competição entre os irmãos Brownlee na linha de chegada – isso me acabou, eu fiquei em pedaços. Para mim, isso é o que tem de mais divertido no esporte, esses momentos em que você vê essas pessoas incrivelmente talentosas e que parecem ser de espécies diferentes – porque são tão fisicamente diferentes do resto do mundo – de repente se tornarem tão humanas, mas sem perder a sua excepcionalidade. Eu fiquei destruído.

Entrevista por: AskMen
Tradução e Adaptação: Letícia Brandão.








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