[TRADUZIDA] Entrevista para a Den of Geek / Autor: Nuara Costa

A Den of Geek entrevistou Daniel durante sua divulgação de Swiss Army Man no UK. Nela, Daniel falou sobre interpretar um cadáver flatulante, seu vício em quiz shows, participações especiais em desenhos animados, futuros projetos e que irá voltar aos palcos de teatro no início do ano que vem!

Entrevista com Daniel Radcliffe: Swiss Army Man, quiz shows

Daniel Radcliffe conversa conosco sobre seu vício em quiz shows, Imperium, Swiss Army Man, e ereções falsas…

Quase todos os atores jovens em Hollywood devem estar com inveja da posição de Daniel Radcliffe. Já faz 5 anos desde que ele deixou de ser o menino bruxo, e agora ele está no próximo estágio de sua carreira. Saindo de uma das maiores franquias de todos os tempos, ele tem sido capaz de escolher basicamente qualquer papel estranho e interessante que ele quiser. Seus últimos dois filmes mostram a largura dos projetos que ele está assumindo. Semana passada nós o vimos se tornar um agente secreto do FBI infiltrado em grupos Neo-nazistas em Imperium, e nessa semana o notório filme ‘Daniel Radcliffe interpreta um cadáver que peida’ Swiss Army Man que finalmente chega aos cinemas no UK, seguindo a ovação em festivais de filmes ao redor do mundo.

O primeiro filme dos diretores de clipes, The Daniels, tem Paul Dano como Hank, um jovem preso em uma ilha deserta, até que um cadáver chamado Manny (Radcliffe) é levado pelo mar até a beira da praia. Apesar de ser doente, Manny oferece a Hank a companhia que ele precisa. Mas Manny não é um cadáver qualquer. Ele pode falar, e tem super poderes que incluem puns com poder de foguete. É um filme maravilhoso, único e genuinamente tocante do cinema indie que desafia descrição. Nós falamos com Radcliffe sobre os desafios de interpretar um personagem inanimado, seu amor pelos quiz shows da BBC e porque ele quer ser um convidado em Rick e Morty.

Então você é o ator mais sortudo no mundo agora? Basicamente capaz de escolher seus filmes, e fazer papéis tão esquisitos quanto em Swiss Army Man ou desafiadores como em Imperium?

Possivelmente. É um lugar único a se estar, ter 27 anos e uma quantidade decente de controle sobre a sua carreira. É bem raro. Eu sou muito sortudo. E sou sortudo no sentido de que o estranho tende a ficar mais estranho. Eu acho que fazer coisas como Equus e Horns são a razão pela qual as pessoas me mandaram [o roteiro de] Swiss Army Man. Eles pensam: “Ele gosta de coisas estranhas.”

Não vamos enrolar – a primeira coisa que eu tenho que perguntar pra você é com eles fizeram as ereções no filme? (Durante Swiss Army Man, Manny o cadáver fica muito estranhamente ‘excitado’ em momentos principais.)

Há duas versões para isso. Havia uma que era o equipamento hidráulico mais complexo que eu já vi. Você sabe as alavancas que eles tem perto das faixas de trem para controlar os sinais e coisas do tipo? Parecia que era operado por aquilo. Eles estavam torcendo eles para fazer esse movimento do pênis. Então era basicamente um cabo de vassoura na parte de dentro das calças, com um dos diretores mexendo.

O papel deve ter sido um dos maiores desafios físicos que se pode ter como um ator, interpretar um cadáver inanimado – você está constantemente tombando e rolando, incapaz de sustentar o peso do próprio corpo. Você ficou com muitos hematomas?

Eu acho que sim, mas eu meio que gostei de tê-los. É muito raro que como um ator você realmente sinta que está ganhando seu dinheiro, então é bem legal estar fisicamente envolvido em algo. Eu amo o lado físico disso. Uma das coisas que eu disse para os diretores quando nós nos conhecemos foi perguntar se eu poderia fazer a maioria dos meus stunts possível. Porque é uma grande parte do papel e eu não queria entregar isso para algum dublê, já que eles teriam que fazer a metade do filme. Eu fiz muitos stunts e adorei.

Também foi muito legal trabalhar nas coreografias para as cenas, particularmente quando meu personagem não consegue se mexer. Então se eu começar a cena olhando para um lado, e eu preciso olhar para o outro lado ao fim da cena, eu estava falando com Paul Dano sobre se tinha como ele mexer a minha cabeça em algum momento. Resolver tudo isso foi bem divertido.

Como que um filme como Swiss Army Man te conquistou?

Todo mundo acha que eu tive que ser convencido a fazer esse filme, mas não. Todo mundo diz que é uma ideia louca, mas eu já ouvi muitas ideias loucas e a maioria deles são merda! E essa é uma ideia louca executada brilhantemente. Digo, meu primeiro contato com o roteiro foi apenas uma linha e era algo do tipo “Homem suicida tem que convencer um corpo morto que a vida vale a pena ser vivida.” E eu pensei que isso soava surpreendente. Nós não realmente usamos o termo “Realismo Mágico” em um filme, já que tendemos a classificar tudo como ‘Fantasia’, mas eu sou um grande fã do Realismo Mágico e para mim, é isso o que esse filme é.

Isso é interessante, porque a linha que o pessoal começou a usar para descrever o filme depois que ele estreou no Sundance foi ‘Harry Potter interpreta um cadáver flatulante’ – o que cria uma imagem completamente diferente.

Bom eu acho que depois do Sundance nós ganhamos um outro nome: ‘O Filme do cadáver flatulante excitado do Daniel Radcliffe.’ Mas lendo o roteiro ficou bem óbvio pra mim que sim, parte dele era nojento, estúpido e estranho, mas era também lindo e profundo. E pra mim havia algo tão excitante sobre um mundo onde tudo isso está junto, e não está em conflito. Onde o nojento suplementa a beleza.

Manny também tem uma voz bem distinta – de onde isso veio?

Isso veio de muitos vídeos meus fazendo vozes estranhas e mandando para os Daniels, e vendo o que eles achavam. Foi um caso de olhar o que tinha acontecido com o Manny. Ele morreu, a rigidez cadavérica já tinha provavelmente se instalado, então seria difícil mexer o queixo e seus músculos. Poderia ser apenas ar passando pelas cordas vocais. Então nós criamos essa ideia em que ele só poderia falar se você estivesse bombeando ele. E aí você preenche as lacunas. Um pouco do meu entendimento pseudo-científico do que acontece às pessoas depois que eles morrem, agrupado com a sua imaginação preenchendo o resto.

Quando eu estava pesquisando para essa entrevista, eu achei pessoas dizendo que você escreveu perguntas para o quiz show da BBC, Only Connect. Isso é verdade?

Eu escrevi! Escrevi uma pergunta, fiz um cartaz para a connecting wall.

O Reddit pensa que foi uma pergunta sobre os Sex Pistols…

Ah, na verdade, eu acho que eu originalmente fiz o cartaz, e depois [o editor do Only Connect] Alan Connor decidiu que um deles funcionava melhor como uma única pergunta. Essa foi uma delas, mas havia outra que eu fiz sobre objetos inanimados em filmes que tem nomes – como Wilson em Náufrago e a boneca de Lars and the Real Girl.

Como que isso aconteceu?

Alan Connor é um amigo meu e foi um dos diretores de A Young Doctor’s Notebook. Eu sempre perguntei pra ele: “Se eu fizer um cartaz que é bom o suficiente, você coloca no programa?” E ele me deixou fazer! Eu não pedi para que colocassem o crédito! E é por isso que se você assistir Only Connect, as vezes você escuta meu nome. Havia um objeto nas vogais perdidas que a dica era ‘filmes do Daniel Radcliffe.’

Você é fã de quiz shows? É por isso que quando você foi convidado no BoJack Horseman eles te colocaram como um participante do game show do Mr Peanutbutter?

Não foi mas eu fiquei bem feliz quando eu descobri que era esse [o episódio em que eu estaria] porque eu amo quizzes. Mas eu apenas gostei bastante da primeira temporada da série e saí falando disso em entrevistas esperando conseguir uma participação. Agora eu tenho que começar a fazer isso com Rick and Morty.

Quão bom é Rick e Morty?

Incrível! Eu estou muito animado pela terceira temporada estar saindo. Eles fazem algo parecido com BoJack Horseman quando tentam ser incrivelmente tristes as vezes.

Mas voltando, você gosta de quiz shows?

Sim, eu amo quis shows. Sou obcecado por Pointless. Na verdade, isso é meio embaraçoso de se admitir e todo mundo que ler isso vai pensar que eu sou um péssimo amigo, mas eu tinha um amigo na minha casa ontem à noite que eu não vi a seis meses, e pela primeira hora em que eles estavam lá, eu disse que eles deveriam se sentar e ficar quietos porque eu ia assistir University Challenge. Então eu assisti e depois Only Connect veio logo depois, então assistimos esse também.

Você não poderia assistir depois no iPlayer?

Não, eu tinha que assistir ao vivo. É bem triste.

Qual o seu quiz show favorito?

Pointless. Eu amo Pointless, eu amo Only Connect. Eu assisto The Chase também, mas eu particularmente amo os quizzes da BBC, porque eles ganham pouco dinheiro. Eu acho que isso é algo na Grã-Bretanha, quão mais difícil o quizz é, menor é o prêmio. Teve esse momento incrível no Only Connect ontem a noite onde uma das garotas já tinha ido no University Challenge, e pra mim esse é um sinal de que tipo de programa é esse. Os participantes estão tirados por ser bons em outros programas.

O que mais você quer fazer com a sua carreira?

Eu quero muito dirigir. Idealmente dirigir algo que eu escrevi, porque eu sinto que eu teria um melhor entendimento do roteiro. E também porque se der errado, eu acabei com meu próprio trabalho, não o de outra pessoa. É basicamente isso, e eu quero continuar trabalhando enquanto eu puder. Eu quero ser ator pelo resto da minha vida, basicamente.

Que tipo de coisa você gostaria de escrever e dirigir?

Meio que uma comédia dark, eu acho que essa é a área em que eu sou mais interessado. Eu tento escrever coisas que são sérias, e acabo escrevendo piadas. As pessoas em que eu me inspiro são escritores-diretores como Coen Brothers, e Martin McDonagh, e Wes Anderson, e Quentin Tarantino.

Finalmente, qual o seu próximo projeto?

Talvez há algo para esse ano, mas eu ainda não tenho certeza. E talvez mais teatro no início do ano, que será anunciado em breve.

Daniel Radcliffe, muito obrigado!

Tradução: Nuara Costa





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