Entrevista completa do Daniel Radcliffe para a GQ Style Brasil! / Autor: Andressa

Daniel Radcliffe está na capa da edição de verão 2017 da revista GQ Style brasileira. A revista traz um novo photoshoot e uma entrevista exclusiva, na qual Daniel fala sobre Harry Potter, Swiss Army Man, Imperium, sua carreira, seu estilo e como lida com seu dinheiro. Leia abaixo:

Esta poderia ser a clássica história do ator mirim que se embriaga com a fama precoce e, quando adulto, cai na obscuridade e faz qualquer coisa para estar de volta aos holofotes, mesmo que isso signifique se envolver em escândalos. Mas as coisas fugiram um pouco do roteiro com Daniel Radcliffe.

O astro de Harry Potter conseguiu sobreviverr praticamente ileso a ter sido o protagonista de uma das mais bem-sucedidas franquias do cinema, a ter seu rosto estampado mundialmente em livros, roupas e brinquedos, e a ter acumulado uma fortuna que o coloca entre os atores mais ricos de Hollywood – a maioria, homens com pelo menos 15 anos a mais do que ele.

E não é só isso: Radcliffe parece ser um cara absolutamente normal. Basta ver como o encontramos para esta entrevista, no descolado Soho Hotel, no centro de Londres, onde promovia seus mais recentes filmes, Imperium e Swiss Army Man (ainda sem títulos em português). De jeans e camiseta cinzas, botas pretas de bico fino, cabelos ligeiramente despenteados e barba por fazer, ele recebe a GQ Style com um sorriso, a oferta de um chá e muito entusiasmo. Não usa relógio. Não exibe um celular de última geração. Não pede que sua assessora fique em um canto para acompanhar a conversa e interrompê-la, caso ele acabe revelando mais do que devia.

Nem é preciso. Aos 27 anos – mais de 16 deles passados diante das câmeras -, Radcliffe não tem medo de perguntas e sabe muito bem dar seu recado. O principal é que Harry Potter é uma parte importante de seu passado, mas o que ele quer agora é curtir o presente. “Todo mundo me pergunta se estou tentando me distanciar de Potter intencionalmente. Acho que, como ator, é natural querer fazer algo totalmente diferente”, conta. “Minha inspiração são atores como Gary Oldman e Imelda Staunton (Sirius Black e Dolores Umbridge, na saga), que tiveram carreiras imprevisíveis e que são fantásticos justamente porque conseguiram fazer de tudo e mostrar sua versatilidade.”

E nada pode ser mais diferente do menino-bruxo do que Manny, o personagem de Radcliffe no ligeiramente surrealista Swiss Army Man, escrito e dirigido por Daniel Kwan e Daniel Schneirt: um homem morto que é levado pelas ondas a uma praia deserta e que é carregado para todo lado pelo solitário e perdido Hank, vivido pelo ator Paul Dano. Em determinado momento, Manny passa a falar e a se expressar com reações “constrangedoras” de seu corpo, como ereções ou flatulência. “Recebo muitos roteiros, mas a maioria não me mostra nada novo. Com Swiss Army Man, a criatividade saltava aos olhos. Na hora, percebi que era algo do qual eu queria fazer parte. E o resultado é um filme muito divertido e, ao mesmo tempo, incrivelmente bonito”, diz o ator.

Já em Imperium, escrito e dirigido por Daniel (outro!) Ragussis, ele encarna um introvertido geek do FBI que é destacado para se infiltrar em uma rede de neonazistas americanos. “É um thriller tenso e cheio de reviravoltas. Interessei-me em fazê-lo por meu personagem não resolver tudo na base do tiro, mas com inteligência”, descreve.

Os dois filmes percorrem o circuito de festivais de cinema independente ao redor do mundo e tiveram curta exibição nos Estados Unidos e na Europa, sinal claro de que o sucesso nas bilheterias não é uma prioridade para Radcliffe. “Eu tive a incrível sorte de começar minha carreira com algo grandioso como Harry Potter. Hoje, estou em uma posição privilegiada para atores da minha idade, porque não preciso trabalhar por dinheiro”, explica. “E, enquanto isso durar, quero encontrar os projetos mais diferentes possíveis e criar um conjunto interessante de obras.”

Se depender do quanto entra e do quando sai de sua conta bancária, o ator deve continuar nessa trajetória que mistura blockbusters, produções de baixo orçamento, peças na Broadway e aparições em seriados de TV. A revista Forbes calcula seu patrimônio em cerca de US$ 110 milhões. A fortuna é gerenciada por uma empresa aberta pelos pais de Radcliffe, o agente literário Alan e a diretora de elenco Marcia. Seus maiores gastos até hoje foram apartamentos em Londres, onde nasceu e cresceu, e em Nova York, cidade que adotou há alguns anos.

Novamente fugindo do roteiro tradicional da fama, o ator não só não tem carros como aprendeu a dirigir apenas recentemente. “Só tirei minha carteira para poder dirigir no set, senão as seguradoras se recusavam a cobrir qualquer acidente”, revela. “Nunca me interessei por carros. E sou prático: é impossível dirigir e estacionar em Londres e Nova York, então faço tudo a pé, de táxi ou com um amigo que é motorista.”

Radcliffe, no entanto, não esconde a admiração pelas escolhas do colega Rupert Grint, o ruivo Ron Weasley de Harry Potter: “Uma das primeiras coisas que ele comprou com o salário do filme foi uma caminhonete Chevrolet dos anos 50, que tem uma buzina ridícula que parece o canto do Pica-Pau [personagem do desenho animdo]. Depois, veio um caminhão de sorvete. Para mim, isso é que é uma coleção bacana”.

O ator também é prático na hora de se vestir. Confessa que gosta e se produzir para o tapete vermelho e fica lisonjeado quando vê seu nome frequentemente nas listas dos mais elegantes. Mas conta que, se pudesse, passaria o tempo todo de jeans e camiseta. “Minha maior preocupação é me sentir confortável com o que eu visto”, explica. “Quanto mais à vontade estou, mais consigo ser eu mesmo.” Entre suas marcas preferidas estão Topman, The Kooples, John Varvatos, Club Monaco e Asos.

Radcliffe é econômico até na hora do lazer. Uma vez por ano, tira férias em alguma praia ao lado da namorada, a atriz americana Erin Darke, com quem está desde 2012, quando filmaram juntos Versos de um Crime. “Neste ano, passamos duas semanas na Grécia. No ano passado, em Antígua, no Caribe. Acho que meu maior gasto é com viagens entre Nova York e Londres ou Los Angeles, sempre por causa do meu trabalho”, conta.

Outra das “extravagâncias” favoritas do ator é comprar camarotes para assistir a partidas de futebol americano com os amigos, muitos deles conquistados na época de Harry Potter, como o próprio Grint, Emma Watson e seu dublê nas cenas perigosas, David Holmes. São esses poucos privilegiados que podem segui-lo e sua conta segreta no Instagram, a única que ele mantém nas redes sociais. “Não tenho Twitter nem Facebook porque acho que iria facilmente sair brigando. Tenho muitas opiniões sobre tudo, sou muito impulsivo e acabaria respondendo aos ataques que são tão comuns nessas mídias”, admite.

Por tudo isso, Radcliffe está longe de ser um prato cheio para os paparazzi. “Não me meto em brigas. Não fico bêbado. O pior que pode acontecer é eles me flagrarem fumando”, confessa. “O assédio da imprensa e o fato de saber que há pessoas que eu não conheço falando de mim são coisas muito massacrantes. Não conseguiria lidar com isso constantemente.”

À sua maneira, o ator é um típico representante dos millennials, ou geração Y, como ficou conhecido o pessoal que, como ele, está hoje entre os 20 e 30 e poucos anos: mais ligado em viver experiências do que em comprar desenfreadamente, preocupado com o meio ambiente e com o consumo ético, e interessado em trabalhos que tragam mais prazer do que dinheiro. “Acho que isso é resultado de como o mundo está louco e assustador hoje em dia e do fato de termos crescido em meio a uma economia em crise. É como se todos nós disséssemos: ‘Sabe o quê? Só preciso de bons amigos e de bons momentos para ser feliz.’ Acho isso ótimo. Melhor curtir agora do que se preocupar com o futuro”, decreta.

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[Scans]

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[Photoshoot]








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