[TRADUÇÃO] A pergunta que você não quer fazer a Daniel Radcliffe / Autor: Nuara Costa

Jungle” foi lançado nos EUA essa sexta-feira (20/10), em alguns cinemas, On Demand e Digital HD. Como divulgação do filme, o Huffpost entrevistou Daniel. Na entrevista, ele falou sobre os desafios de filmagem de Jungle, futebol americano e histórias reais que ele gostaria de ver como filmes. Confira a tradução da entrevista abaixo, com créditos de tradução ao Potterish:

 

A pergunta que você não quer fazer a Daniel Radcliffe

 

Daniel Radcliffe aceita falar sobre quase tudo, incluindo a franquia (*tosse* Harry Potter * tosse*) que o fez muito conhecido. Mas se você tiver a chance de conversar com o ator, há uma pergunta que você deveria evitar, que o HuffPost descobriu em uma entrevista semana passada.

 

Não pergunte a Daniel Radcliffe sobre quão difícil é ser ator.

 

Tecnicamente, nós nem perguntamos isso. Ele mesmo falou disso.

“Ninguém quer ouvir atores falando sobre quão difíceis as filmagens são,” Radcliffe disse quando perguntamos do que ele estava orgulhoso nesse novo filme, “Jungle,” a história de sobrevivência de Yossi Ghinsberg, um homem que venceu as probabilidades e viveu por três semanas perdido na Amazônia.

 

A irritação de Radcliffe com tespianos que se auto-congratulam apareceu novamente quando nós perguntamos de sua transformação para o filme, já que ele perdeu uma quantidade digna de Dobby de peso de sua figura.

 

“Mais uma vez, eu não quero…” começou Radcliffe, “uma das coisas que mais me irrita é atores que – eu penso no exemplo clássico disso com filmes sobre boxe. E o ator está falando sobre quão intenso é treinar e coisas do tipo, mas, sabe, há boxeadores,” disse Radcliffe. “Boxeadores existem.”

 

Ele continuou, “Não é uma coisa que nos faz especiais. Eu quero ser cuidadoso com isso… eu estava indo para casa e ficando em um hotel a noite, e Yossi viveu isso de verdade. Eu não quero ficar tipo, ‘oh, sim, foi tão difícil.’ “

 

Por mais que Radcliffe queira minimizar, a filmagem de “Jungle”na Colombia e Austrália foi sem sombra de dúvidas, angustiante. O ator nos contou um caso de clima imprevisível que adiou uma cena importante por uma semana quando o set foi inundado por 3 metros d’água durante a noite. Radcliffe disse que operadores de câmera podiam facilmente ficar agrupados na mesma pedra perto de corredeiras.

 

“Todos vão se segurar em algo para não cair no rio, então a gente conseguiu esses tipos de redes de segurança em que todo mundo segura. Foi um desafio para filmar, e você fica com uma grande sensação de realização quando faz algo nessas condições,” ele disse.

 

Radcliffe continuou a se abrir sobre tópicos que ele gostava de discutir, incluindo fantasy football (tipo de Cartola FC para o futebol americano) e até “Sharknado.”

 

É verdade que você gosta de Fantasy Football?

 

Oh, sim. Absolutamente. Eu tive um fim de semana muito bom, na verdade, Bill. Ganhei meus dois jogos no fim de semana. Obrigado por perguntar.

 

Estou em duas ligas, uma que eu conduzo e uma em que estou há alguns anos, e eu consegui me dar bem esse ano pela primeira vez em um tempo, então, sim, obrigado. Eu sempre estive. As pessoas acham estranho […] pessoas que me conhecem por ser bem Inglês. Mas eu sou um fã obcecado por futebol americano.

 

Bom, parabéns nas suas vitórias. Não está sendo tão bom para mim esse ano.

 

Sinto muito.

 

Não é sua culpa. É culpa do Odell Beckham.

 

Esse filme tem cenas intensas, mas a verdadeira história é ainda mais louca. Yossi caiu e um galho ficou alojado em seu reto.

 

Houve algumas coisas como o momento que eu corto algo da cabeça do meu personagem. Tinha uma minhoca na minha cabeça, como aconteceu com Yossi, eu acho que ele teve que cortar 18 delas, não apenas uma. E nós ficamos tipo, não dá. Há um limite do que as pessoas podem ver.

 

Minha preocupação quando eu vejo algo que diz “baseado em fatos reais” é que eu sempre fico com o pé atrás. Eu já fico com em alerta, e fico, “OK, mas quanto disso realmente é verdade.” E depois de ler o roteiro, eu li o livro de Yossi, e fiquei tipo, “Oh, uau! Na verdade, tivemos que cortar muito para o fazer mais verdadeiro.”Eu acho que quando você está assistindo um filme e vê [algo] que te atinge como, “isso não aconteceria,” mesmo se aconteceu na vida real, te tira a atenção. Uma das coisas foi o galho no reto. Nós ficamos tipo, “como vamos fazer isso? Como mostramos isso? Como vamos levar isso durante o filme sem se tornar gráfico?” Não há nada engraçado nisso. É horrível, mas nós tivemos medo que parecesse doloroso, nojento e pudesse gerar uma reação de risada. Você quer manter a história das pessoas, e houve momentos que aconteceram com Yossi que foram muito extremos. Se eu fosse um membro do público, eu iria questionar isso, mesmo sendo verdade.

 

Eu sei que você não quer falar sobre as dificuldades que teve que passar, mas sua transformação foi bem dramática.

 

Eu não sou um ator metódico nem nada, mas eu senti que estaria fazendo meu trabalho muito mais difícil se eu fosse para casa e comesse bife com batatas toda noite… então eu apenas cortei minha alimentação. Eu tive, acho, duas ou três semanas antes, indo para aquela cena, eu estava comendo uma porção de peixe ou peito de frango com uma barra de cereal todo dia. E por dois dias antes da cena, eu meio que parei de comer. Ajuda com a aparência, mas… há algo em sentir aquela exaustão genuína, sentir nas suas pernas, me sentir cansado foi muito útil, e também naquela última cena, quando o set foi inundado foi ainda mais triste porque eu tinha um grande bastão de chocolate na geladeira pronto para eu comer quando terminássemos. Minha terça a noite, eu vou para casa. Eu vou comer aquilo tudo. E então foi atrasado por uma semana, então eu fiquei tipo, “OK, eu acho que vou fazer isso por mais uma semana.”

 

Se você fosse fazer outro personagem da vida real, quem seria?

 

Essa não é a realmente a resposta para sua pergunta, mas é meio que uma meia resposta para ela […] há duas histórias reais que me fascinam e nunca foram transformadas em um filme, que eu saiba. […] Há uma mulher chamada Dr. James Barry, que viveu uma vida extraordinária. Ela fingiu ser um homem sua vida inteira e se tornou um dos médicos mais velhos na Inglaterra, e foi para a Guerra da Crimeia, e Florence Nightingale a descreveu enquanto recebia a maior reprimenda que ela já recebeu, basicamente. Depois, ela também se tornou o primeiro médico a fazer um parto cesariano, e ela viveu sua vida toda como um homem. E não foi descoberto até depois de sua morte que ela era uma mulher. Ela deixou instruções na sua mesa para ninguém despir seu cadáver e para que seu corpo fosse enterrado nas roupas em que morreu então as pessoas poderiam honrar isso. E de repente eles ficaram tipo, “Oh, você não é um homem.” Então essa é uma história incrível. E também, eu acabei de assistir a série “Roosevelts” de Ken Burns, e porque não teve um bom filme sobre a Eleanor Rooosevelt é incrível. Esse filme precisa ser feito.

 

Você expressou interesse em “Sharknado”antes. Eu falei com o escritor, Thunder Levin, que disse que você teve um conflito de horários e não pode fazer um dos filmes. Qual foi a razão?

 

Eu amo esses filmes. Eu não acho que seria bom neles. Eu sou um grande fã dos filmes “Sharknado.” Eu não sei se eu realmente… eu acho que algumas coisas eu prefiro assistir do que estar nelas.

 

“Jungle” estará disponível em alguns cinemas e On Demand  & em HD digital no dia 20 de Outubro.

 

A entrevista foi condensada e editada.

 

Tradução: Nuara Costa (Potterish)

Revisão: Roger Uchoa (Potterish)








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