[TRADUÇÃO] Daniel Radcliffe fala sobre Jungle e porque não o veremos em Star Wars / Autor: Nuara Costa

A Forbes entrevistou Daniel Radcliffe sobre Jungle, e nessa entrevista ele fala sobre o filme que fez que considera ter sido menosprezado, sobre a possibilidade de dirigir um filme no futuro e o porque não o veremos em Star Wars. Confira a tradução abaixo:

Daniel Radcliffe fala sobre ‘Jungle’, investimentos, direção de filmes e porque não o veremos em ‘Star Wars’

Um nome familiar desde 2001 e com um currículo de trabalho que ostenta apenas 17 filmes mas uma bilheteria mundial de aproximadamente U$8,38 bilhões, Daniel Radcliffe é um enigma da cultura pop.

Os filmes de Harry Potter o transformaram em uma estrela, enquanto seu trabalho no teatro e filmes como Amaldiçoado e Um Cadáver Para Sobreviver o transformaram em um ator aclamado no cenário indie.

Este último é um filme com uma história contorcida que aparece novamente no novo filme, Jungle.

O drama-aventura biográfico conta a história de Yossi Ghinsberg (Radcliffe), um turista israelita que viajou para a selva boliviana e acabou tendo que lutar pela sua vida depois de ficar preso na floresta sem ajuda ou resgate.

Eu me encontrei com Radcliffe para falar sobre o filme, sua filosofia de carreira pós-Potter, seus investimentos, planos para dirigir filmes e sua opinião sobre mudar de uma franquia de bruxos para uma de uma galáxia muito, muito distante.

Simon Thompson: Seu personagem em Jungle diz que está em busca do extraordinário. Você acha que isso também representa você e sua carreira pós-Potter, seja intencionalmente ou acidentalmente?

Daniel Radcliffe: Acho que sim, mas nunca pensei desta maneira antes. Eu honestamente pensava que a pergunta que você iria fazer seria sobre o personagem ir procurar o extraordinário e viajar, e como alguém que nunca viajou e tirou férias como eu se relaciona com ele. Eu nunca pensei nisso dessa maneira, para ser honesto, mas muito obrigado. O negócio é que estou em uma posição onde não preciso fazer nada a não ser que eu queria fazê-las e não existem muitos atores nesta situação. Tenho a chance de ir atrás de coisas que eu amo, que são coisas as vezes estranhas e diferentes, mas que eu tenho muita paixão, e isso é uma posição muito rara de estar para um ator.

ST: É por isso que você insiste em coisas diferentes, criativamente e fisicamente, porque você não precisa se preocupar com a bilheteria?

DR: Eu não sei. As vezes sim. Quando estávamos filmando a cena de Jungle em que eu caia na lama no final, eu pensei ‘Acho que essa é a terceira cena que eu faço que fico preso num buraco de lama’. Eu não penso conscientemente, tipo ‘Ah, isso vai realmente me ferrar fisicamente, então vou pegar esse papel’. Apenas acontece que eu tenho feito alguns desses tipos de filmes. Tem uma coisa muito gratificante, como ator, em poder usar seu físico em um papel, ou algo que gere a sensação de que o dia de trabalho valeu a pena.

ST: Quando você está no estúdio e está prestes a fazer essas coisas perigosas, o diretor fica constantemente preocupado em ser aquele que acidentalmente mata Daniel Radcliffe? Como é a atmosfera?

DR: Gosto de pensar que os diretores e a equipe de dublês que eu trabalho sabem que eu não sou um idiota e seria capaz de virar e dizer ‘Ei caras, é…’. Tiveram alguns momentos que eu realmente gostei de fazer neste filme. Estávamos fazendo umas coisas próximo ao rio e eu estava sobre as pedras, olhando para o lado para as cachoeiras, eu estava preso à um cabo de segurança, mas gostei de assustar o diretor escorregando um pouquinho mais, sabendo que eu conseguiria controlar e não cair no rio, e causando um pequeno ataque cardíaco nele.

ST: Após Harry Potter você fez alguns filmes interessantes com um variado sucesso de bilheteria, mas qual você acha que é o mais menosprezado ou subestimado?

DR: Provavelmente Amaldiçoado, eu amei esse filme e senti como se a maioria das pessoas só pensassem ‘O que é isso?’, mas ele fez todo sentido para mim. Ele encontrou uma pequena audiência culta que eu sempre esperei. Geralmente algumas pessoas super tatuadas e de aparência maneira vem falar comigo e dizem ‘Ei cara, eu adorei Amaldiçoado’, e isso significa muito pra mim. Sendo honesto, eu não fico pensando ‘Ah, eu queria que este filme tivesse sido melhor, ou que mais pessoas tivessem assistido’. Muitas pessoas julgam o sucesso de um filme ou o quanto ele rende de bilheteria na primeira semana de estreia, mesmo isso sendo importante e devendo ser levado em consideração, os filmes vivem além desse período. Com Imperium, quando saiu originalmente ele rendeu bem e recebeu boas críticas, mas então foi lançado no iTunes e Netflix ano passado. Eu estava fazendo uma peça na época e de repente o número de pessoas falando comigo sobre ele e indo todas as noites para a porta do teatro falar sobre Imperium eu pensei ‘Por que todo mundo está falando disso assim de repente?’. Desde que um filme encontre a sua audiência, não importa pra mim exatamente em que momento isso ocorra.

ST: Você é conhecido por fazer alguns investimentos inteligentes. Gostaria de olhar isso de duas maneiras. Primeiro, o que você faz para investir em sua carreira?

DR: Eu faço aulas de canto e trabalho com uma professora de dialetos principalmente para coisas de teatro. Ela é alguém que me aproximei muito, agora trabalhamos juntos em todos os meus roteiros e criamos algumas ideias. Acho que estou ficando mais ativo na minha carreira e em buscar projetos, e quando encontro, realmente fico envolvido no seu desenvolvimento, mantendo toda a atenção, buscando sempre melhorar. Assim que saí de Potter ou poucos anos depois, eu acho que estava um pouco relutante e me achava apenas um ator e não queria lidar com a outra parte. Dá pra viver assim por alguns anos, mas depois que aparece um filme que você realmente gostaria que acontecesse e que não acontece por qualquer motivo, e isso já aconteceu comigo no mundo indie algumas vezes, se você tiver um pouco de controle sobre um projeto você começa a ficar mais interessado e é isso que eu percebi que estava fazendo.

ST: Você também tem, nos últimos anos, investido em pinturas, você tem uma obra de Damien Hirst, e você tem uma paixão por comprar livros. Você enxerga isso como um investimento sábio ou puramente por prazer?

DR: Comprar livros, é puramente por prazer, pra ser honesto. O lado investidor das coisas, que não é na maioria feito por mim, não me descreveria como um investidor sábio, mas tenho sorte de estar rodeado de pessoas que são muito boas nisso e que entendem de finanças muito mais que eu. Sinto como se os leitores dessa edição da Forbes vão se aborrecer por eu realmente não ter muito conhecimento sobre o mundo financeiro. Acho que particularmente por eu ter sido muito afortunado, financeiramente, desde muito cedo, quando você é jovem obviamente não lidaria com isso, seria algo muito irresistível. Sempre pareceu pra mim que eu não sou capaz de lidar com essas coisas, que alguém mais confiável, sensível e adulto que eu precisa estar cuidando disso.

ST: Você já falou outras vezes sobre mudar para direção de filmes. Se você estivesse em busca de financiar um projeto, acha que seria mais fácil ou mais difícil de fazê-lo por ser ‘Daniel Radcliffe’?

DR: Gosto de pensar que seria um pouquinho mais fácil, porque se fosse eu contra um diretor de primeira viagem, uma coisa que eu teria de vantagem, mesmo nunca tendo dirigido nada, é ter passado muito tempo em estúdios de filmagem e acho que entendo muito bem como eles funcionam, como guiar um estúdio e o que é necessário. Honestamente, gosto de pensar que sou capaz de convencer alguém a confiar em mim com as rédeas de alguma coisa em algum momento. Também acho que em termos de financiamento, pelas coisas que eu gostaria de fazer no meu primeiro filme, eu não estaria pedindo muito dinheiro. Não acho que qualquer coisa que eu pediria para dirigir seria algo de muito custo, certamente não no momento. Espero que direção de filmes seja algo que eu consiga fazer daqui pra frente.

ST: Existe uma piada recorrente que todo ator no Reino Unido pode estrelar nos filmes de Harry Potter ou em um filme de Star Wars ao longo dos anos. Quando veremos Daniel Radcliffe aparecer em um filme de Star Wars? Já houve essa oportunidade?

DR: Eu tenho certeza que provavelmente não, mas eu não sei, nunca aconteceu. Eu certamente não seria contra, mas também ficaria surpreso. Ficaria surpreso se eles quisessem que isso acontecesse. Na maior parte do tempo, se um diretor diz ‘Ah, eu não quero ele porque ele fez Harry Potter’, eu não acho que esse seja um bom motivo para não me escalar para um filme, mas quando esse filme faz parte de uma enorme franquia, acho que ter alguém que é muito reconhecido por outra franquia de filmes pode ser estranho e confuso como se estivesse acontecendo um crossover dos filmes de Harry Potter e Star Wars.

 

Tradução: Mayra Oliveira








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