[TRADUÇÃO] Daniel Radcliffe fala sobre porquê ele gosta quando as pessoas riem dele / Autor: Nuara Costa

Ainda na onda de entrevistas para divulgação de Jungle, Daniel concedeu uma entrevista descontraída a TIME na qual fala sobre Jungle, interpretar um personagem real, aparecer em Animais Fantásticos e porque ele gosta quando escuta uma piada sobre ele. Confira abaixo a tradução feita por nossa equipe:

 

Daniel Radcliffe fala sobre porquê ele gosta quando as pessoas riem dele

 

Em uma cena em Jungle, o novo filme de Daniel Radcliffe, o jovem que ele interpreta acorda em uma cama desconfortável, sozinho e com dor. O lado de sua testa acima de seus olhos está queimando e ele instintivamente toca o local, fazendo uma careta. Então ele pega sua mochila e tira um par de pinças. Tremendo, ele pega a pinça e pressiona contra sua testa, através de sua pele irritada, que está pulsando de uma maneira suspeita. Segundos depois, uma minhoca parasita lentamente sai do buraco. É uma cena tão nojenta que até Lord Voldemort olharia para outro lado.

Infelizmente para os personagens envolvidos, não existem varinhas em Jungle, que estréia no dia 20 de Outubro. O drama-aventura que prende a atenção baseado na história real de Yossi Ghinsberg, um mochileiro Isralense que, aos 22 anos, quase morreu na floresta tropical Boliviana onde ele se perdeu por três semanas nos anos 80.

Jungle é o mais novo filme de baixo orçamento que Radcliffe abraçou desde seus dias em Harry Potter. Ano passado, ele estrelou como um cadáver flatulento ao lado de Paul Dano no filme meio perdido no meio do nada, Swiss Army Man. Ele também lidou com outros papéis ousados em filmes de terror como Amaldiçoado, o drama Versos de um Crime e o thriller Imperium.

Alguns dias antes de Jungle estrear nos cinemas, o ator de 28 anos, sentou com a TIME em Londres para conversar sobre sua (falta de) habilidade de sobrevivência, aparecer em uma piada de John Oliver e se ele já considerou aparecer na franquia Animais Fantásticos.

 

TIME: O que te atraiu em Jungle?

 Daniel Radcliffe: A história em si é uma história de sobrevivência, mas o que eu achei mais tocante foi a noção que há cerne dentro das pessoas que se recusa a morrer. Obviamente nessa situação, é um home sobrevivendo sozinho na floresta, mas eu acho que essa vontade indestrutível de viver se aplica a pessoas na guerra ou em terríveis regimes e grandes provações ao redor do mundo. Eu gosto de pensar que há algo fundamental em todos nós que pode ser ativado quando se é forçado ao extemo.

 

Como você sobreviveria se estivesse perdido na floresta por três semanas? Eu provavelmente sobreviveria por 15 minutos.

 Eu espero que nunca esteja nessa situação. Como você, eu provavelmente sobreviveria pouco. Eu nunca fui Escoteiro, não sei ascender fogo… Se eu me perdesse com outra pessoa que tinha experiência com essas coisas eu sobreviveria bem – sou um bom ajudante. Mas se você estivesse perdido comigo, você não teria chance, sério, especialmente se estivéssemos em algum lugar perto da água, já que eu provavelmente me afogaria.

Você não sabe nadar?

 Eu não sou um bom nadador. Eu sei nadar, mas não sei boiar ou ficar “em pé”algum lugar profundo. Sabe esses filmes tipo Mar Aberto? É o meu pior pesadelo.

Então você nunca faria um filme de tubarão?

 Eu filmei muito em água, então não me importo com isso. Mas eu não acho que eu faria um filme de tubarão. A quantidade de trabalho que seria necessário e o tempo em mar aberto – eu não acho que estaria feliz com isso.

Quanto tempo você passou na floresta nas filmagens?

 Nós ficamos três ou quatro semanas na floresta colombiana e três semanas na Austrália. Foi um filme difícil para a equipe; eles tinham que carregar equipamentos pesados dentro e fora da floresta, o que era uma caminhada de três quilômetros. Há algo que nos conecta em filmagens difícieis como essa, quando você sente que todos estão juntos nessa.

Onde você ficou na maior parte da filmagem?

 Na Colômbia nós ficamos em um dos hotéis mais bonitos em que estive. Parecia o covil de um vilão de James Bond, na maneira menos malvada.

Parecia estranho ir ao set depois de ficar em um lugar luxuoso?

 Sim, muito. Eu não sou um ator metódico, mas eu senti que seria estranho, muito inconsistente, estar interpretando esse cara que passou por coisas difíceis enquanto eu estava vivendo essa vida incrivelmente confortável, linda, luxuosa fora do set. Então, quando eu estava ficando no hotel, eu tentei não comer pra manter a minha energia baixa.

Quão perto de Yossi Ghinsberg você trabalhou?

 Antes das filmagens, nós conversamos por quatro horas em conversas separadas por Skype, onde eu tentei entender a cabeça dele. Yossi esteve muito no set, particularmente para a filmagem na Colômbia. Quando se está fazendo um filme sobre a vida de alguém, a pessoa estaria dentro de seus direitos se falasse, “eu não gostei disso”ou “não aconteceu assim,” mas ele não o fez. Ele apoiou todo o processo e aceitou que algumas coisas seriam diferentes do que foram na realidade.

Seus filmes mais recentes foram de baixo orçamento. Foi uma decisão consciente de se afastar de blockbusters e seguir papéis mais indie?

 Eu estou em uma posição onde eu não tenho que fazer nada que eu não queira; a única razão que eu tenho para fazer um filme é porque eu gostei muito dele e sou da opinião que a maioria dos roteiros mais interessantes que eu li recentemente não estão sendo feitos por grandes estúdios. Isso é bom porque você consegue uma grande liberdade criativa, mas também é ruim porque indies são difíceis de conseguir ser feitos. Eu tive algumas decepções nos anos pós-Potter, mas eu fui muito sortudo com outros como Versos de um Crime, Um cadáver para Sobreviver e Imperium.

Quais diretores que você gostaria de trabalhar?

 Eu tenho uma lista dos diretores com quem eu gostaria de trabalhar como, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, os irmãos Coen, Martin McDonagh e Quentin Tarantino – apesar de eu não saber que papel haveria pra mim em um filme de Tarantino, mas ei, quem sabe! Eu também adoro trabalhar com diretores de primeira viagem, como Daniel Scheinert e Dan Kwan em Um cadáver para Sobreviver e John Krokidas em Versos de um Crime.

Quais gêneros você gostaria de tentar?

 Eu estou para fazer um filme chamado Guns Akimbo, que será a primeira vez que eu irei fazer um filme de ação. Falando por cima, eu não acho que há um papel pra mim em muitos filmes de ação e papeis que eu faria. Mas eu li esse e pareceu perfeito. É o jeito que um cara como eu pode se encaixar em um filme de ação e é bem divertido.

O que você quer dizer com um cara como você?

 Quero dizer alguém que não seja o Dwayne Johnson ou os Hemsworth, que são bons atores e feitos para filmes de ação. Apesar de eu ser em forma e forte para a minha altura, geralmente quando eu leio roteiros sobre um cara batendo em outros com suas mãos, eu não acho que o público iria acreditar em mim fazendo isso.

Você se enxerga se envolvendo em outra grande franquia no futuro?

 Eu absolutamente posso me ver fazendo outra, mas dependeria do roteiro. Seria divertido fazer outro daqueles filmes doidos de estúdios. Foi incrível começar com Potter e há muito que eu não sinto falta [nisso]. Eu nunca recusaria fazer outra franquia, mas não estou correndo para isso agora.

Se pedido, você faria uma aparição em Animais Fantásticos?

 Acho que não? Mas de novo, se fosse algo que eu acharia divertido fazer, ótimo. Novamente, eu não estou correndo para fazer isso.

Você está começando a ser reconhecido por outros papéis além de Harry Potter?

 A maioria das pessoas me reconhecem por Potter, não estou me iludindo quanto a isso. Mas eu escuto algumas pessoas falando o quanto gostaram de Um cadáver pra sobreviver ou Imperium e isso é sempre ótimo.

Eu tenho que dizer, eu estava assistindo John Oliver outro dia e ele estava fazendo um seguimento sobre Equifax, e ele dizia algo tipo, “Equifax soa como uma peça onde Daniel Radcliffe transa com uma máquina de fax,” se referindo a minha peça de 2007, Equus. O fato que eu fiz Equus 10 anos atrás ter se tornado uma referencia cultural me fez genuinamente muito feliz. Eu estava tipo, “Essa foi uma piada sobre mim que não era sobre Harry Potter. Eu agradeço por isso!”

Como é pra você quando alguém se referencia a você assim?

 Você sempre tem um momento de tensão onde você se sente tipo, “ai Deus, o que eles vão dizer?” e depois você faz tipo, “Ah não, isso é ok.” É engraçado e estranho, mas eu também acho que esse tipo de coisa é estranhamente lisonjeiro. Há essas cartas de Cards Against Humanity que têm meu nome com um contexto sujo e eu autografei muitas dessas cartas para pessoas em stage doors. E eu acho isso tudo bem engraçado.

 

A piada do John Oliver foi bem engraçada e eu não a vi como sendo ofensiva. Eu tenho certeza que muitas pessoas fizeram piadas sobre mim que eu nem vi, ainda bem. Falando por cima, se esse é o tipo de coisa que irrita algumas pessoas, então elas estão se irritando por motivos errados.

 

Você não está nas redes sociais. Porque?

 

Bom, eu estou no Google+, mas não sei se isso conta e é muito dizer que eu estou nele. Eu não tenho Twitter porque eu sou opinioso e ficaria bravo com alguém se eles dissessem algo ruim sobre um amigo. Eu brigaria com as pessoas. Eu seria uma dessas pessoas.

 

Minha namorada está [no Twitter] e eu entrei na sua conta outro dia. Ela tinha retweetado alguém da polítca e comecei a olhar para os tweets deles, e eles tinham brigado com alguém então eu comecei a olhar aquela briga, então eu terminei achando essa conta do Twitter bem de direita e isso é bem depressivo.

 

Eu sei que essas coisas estão lá, e acho que é importante reconhecer e falar sobre, mas ver pessoas realmente estão lá falando com ódio para o outro é cansativo e estressante. E particularmente se você é uma menina, seja famosa ou não, as redes sociais parecem como inferno fresco.

 

Tradução: Nuara Costa








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