Assista abaixo a entrevista legendada do Daniel para o britânico The Independent realizada em Setembro durante a press junket de Swiss Army Man e Imperium.


Com dois lançamentos em algumas semanas, a estrela de Harry Potter, Daniel Radcliffe, discute o que ele quer para o seu futuro.

Desde 2012, quando Daniel Radcliffe atuou como Arthur Kipps na adaptação de Susan Hills, A Mulher de Preto, a estrela de Harry Potter tem feito uma abordagem eclética ao escolher papéis para evitar o destino de muitas estrelas infantis – a obscuridade.

Tornou-se claro que ele não precisava se preocupar, desde que a série Harry Potter acabou em 2011, ele nunca ficou sem atuar. Radcliffe atuou em nove filmes (incluindo Kill Your Darlings e Victor Frankenstein), um filme televisivo (My Boy Jack) e atuou com John Hamm na adaptação da BBC do livro de Mikhail Bulgakov, A Young Doctor’s Notebook. Sem mencionar as pesadas críticas por seu trabalho no teatro, o mais notável em 2007 (ao mesmo tempo da onda Potter) quando ele apareceu na adaptação de Peter Shaffer, Equus.

Seus últimos papéis em filmes lançados, não poderiam ser mais diferentes. Em Imperium, seu trabalho mais recente, Radcliffe atua como um agente do FBI que é mandado pela chefe (Toni Collette) a se infiltrar em um grupo supremacista branco, suspeito de planejar um ataque terrorista. Em preparação para o papel, o ator teve a desfavorável tarefa de procurar sobre a literatura nazista e em fóruns, nos cantos mais escuros da internet, para encontrar esses grupos de extrema direita.

“Foi cansativo, por que você está lendo um monte de ódio,” explica Radcliffe. “Gostaria de olhar nesses fóruns de internet e observar essas ginásticas mentais bizarras em que as pessoas se colocam. Qualquer argumento alimenta uma conspiração mais ampla que eles se convenceram que existe, tudo e qualquer coisa é torcida a favor ou contra apoiar a sua visão de mundo. Foi a intransigência. Você está constantemente contra a parede com estas pessoas, e você nunca vai mudar a mente delas. ”

Em contraste, ele se transforma em um cadáver flatulento que é trazido de volta a vida na comédia hit do Sundance do Daniels, Swiss Army Man, apresentada com um diferente conjunto de desafios. “O fato de que meu personagem, Manny é restrito em seus movimentos foi parte do atrativo,” diz Radcliffe. “Eu amo toda essa coisa física.” O desafio de Radcliffe é que, enquanto ele tem pequenos movimentos no filme, ele está longe da vivacidade, dependente de sua co-estrela Paul Dano para mover seus membros e carregar ele de A para B, significa que a dupla teve que trabalhar junta.

“Acho que foi no segundo dia, [Paul] cuspiu em sua mão e limpou-a na minha cara, ” relembra Radcliffe. “Depois daquele momento nós sabíamos onde estávamos, não havia tempo para puritanismo. Paul também é exatamente o tipo de ator onde você quer pular em cima. Ele é um ser humano amável e totalmente precioso.”

Com mais outros dois papéis sob o cinto, Radcliffe explica o que ele está procurando da sua carreira. “É sobre originalidade, e se eu vi isso antes ou se eu fiz isso antes, ou se isso é novo para mim de alguma maneira – também é com quem eu trabalho.” Desde seus dias de filme em estúdio, Radcliffe tem procurado trabalhar em filmes mais independentes, por que, para ele, é onde o trabalho interessante está sendo feito. “Eu estou em uma posição onde eu tenho a luxúria de inacreditavelmente escolher meus papéis, o que eu acho que incomoda o meu agente,” ele ri.

Radcliffe sabe que seus anos como “O Menino que Sobreviveu” deram a ele uma oportunidade rara, que muitas estrelas infantis nunca têm, e que isso pode não ser igual no futuro. Ao mesmo tempo, ele quer encontrar projetos que o excitem, incluindo mais peças de teatro, revelando que ele estará de volta aos palcos do Reino Unido no próximo ano.

O ator de 27 anos, recentemente, terminou uma temporada da peça de James Graham, Privacy, que foi transferida do Donmar Warehouse em Londres para off-Broadway. Para Radcliffe, é o trabalho nos palcos que desenvolve seu estilo de atuar. “Nunca houve uma peça na qual eu atuei em que não me senti um ator melhor depois.” A peça, uma documentário-drama sobre privacidade online, deu a nós uma oportunidade de discutir se a atenção da mídia é algo com o que ele luta.

“Um amigo meu se refere a isso como ‘corte’”, diz Radcliffe sobre atores e diretores que leem resenhas e colunas de fofoca sobre eles mesmos, um hábito que Radcliffe levou muito tempo para perder. “Levou um longo tempo para eu perceber que eu não preciso ser do jeito que as pessoas querem e se elas vão continuar ou não, isso não precisa me incomodar.” Fama é algo que veio rápido para o jovem Radcliffe. “Eu acho que uma das coisas mais difíceis sobre crescer sendo famoso não são as drogas ou tentações, mas sim tentar encontrar quem você é enquanto as pessoas já têm uma impressão sobre você.” A solução dele: evitar redes sociais e manter a privacidade sempre que ele puder.

E o que vem a seguir? Por algum tempo, ele tinha sido escalado para o filme The Modern Ocean, de Shane Carruth, no qual Radcliffe descreve como “o roteiro mais ambicioso de todos” que ele tenha lido. A dupla se conheceu no set de Swiss Army Man onde Carruth estrela como um figurante médico legista. Infelizmente, Radcliffe não está mais envolvido no projeto, mas ele irá aparecer em Jungle, uma adaptação do livro de Yossi Ghinsberg, sobre um guia fraudulento que lidera um grupo aos confins da selva boliviana.

Também atuando, a ex-estrela infantil tem outro truque na manga com suas ambições de mudar para a direção, e ele tem escrito um projeto que ainda está desenvolvimento. “Eu nunca quis sair da atuação, mas eu definitivamente quero dirigir, e eu iria amar, eu poderia dividir minha carreira entre dirigir e atuar.” Entretanto, nós deveríamos começar a chamá-lo de “O Menino Que Fez”.

Escrito por: Joseph Walsh – The Skinny
Tradução e adaptação: Gustavo Borella


Foram liberadas novas imagens de Imperium, incluindo uma dos bastidores. Confira:

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[Stills – Bastidores]


Durante o Zurich Film Festival, Daniel participou de mais duas entrevistas, uma para o 20 Minuten e outra para o Tages Anzeiger. Esta última nós iremos traduzir e em breve vamos publicar aqui no site, por enquanto confira os vídeos:

  • 20 Minuten:

  • Tages Anzeiger:

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No dia 1º de outubro, Daniel foi na rádio SRF 3 em Zurique, na Suíça, para falar sobre os filmes Swiss Army Man e Imperium.

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Você pode ouvir a entrevista clicando aqui.


Dia 30 de setembro aconteceu em Zurique, na Suíça, a premiere de Imperium no Zurich Film Festival. Daniel e o diretor Daniel Ragussis estavam presentes e, além de conversarem com diversos jornalistas, eles também introduziram a exibição do filme.

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[Zurich Film Festival – Imperium Premiere (30.09)]

[Zurich Film Festival – Imperium Premiere (30.09)]

Mais tarde, Daniel compareceu em um jantar patrocinado pela marca Tommy Hilfiger e encontrou com o seu colega de elenco de Truque de Mestre – O 2º Ato, Woody Harrelson.

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[Jantar da Tommy Hilfiger no Zurich Film Festival (30.09)]

No dia seguinte, 1º de outubro, Daniel participou da cerimônia de premiação do festival e apresentou a categoria Audience Award ao lado de Moderator Steven Gätjen.

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[Award Night Ceremony – 12th Zurich Film Festival (01.10) MQ]

Assim que conseguirmos as fotos da premiação em HQ iremos atualizar a galeria!


O agente do FBI Nate Foster (Daniel Radcliffe) é recrutado para uma operação secreta: ele deve se infiltrar em um grupo de supremacistas brancos suspeitos de planejar um ataque terrorista. Ele é acolhido por eles, mas luta para descobrir seus planos e manter seu disfarce.

Se você estivesse procurando alguém para se disfarçar como um skinhead racista e violento, você provavelmente não escolheria Daniel Radcliffe, mesmo seu personagem nas telas estando igualmente em dúvida sobre a missão. Inspirado por um agente real do FBI, Nate é um gênio adorador de música que não está acostumado com o trabalho nas ruas, ainda mais encarando gangues de valentões determinados a erradicar as minorias do solo americano. Mesmo assim, seu chefe (Toni Collette) escolhe ele para o trabalho.

É para a vantagem de Radcliffe que o seu personagem se sente deslocado, raspando o cabelo e tremendo como um passarinho entrando no ninho da águia. Junto com algum treinamento mental, a transformação física é tanta que convence os valentões que ele é um deles, e também convence quem assiste que tanto o agente Nate como o ator Daniel podem realizar essa façanha.

A história continua com outro tom, quando Nate fica próximo de um grupo de skinheads com o intuito de encontrar seu alvo: uma apresentadora de rádio (Tracy Letts) que pode estar fazendo mais do que somente incitando violência. Muito disso parece pesado e muito narrativo, porém existem alguns momentos de suspense, como quando Nate é convidado a fazer parte de um ataque espontâneo a um casal interracial.

As cenas mais memoráveis vêm do personagem de Sam Trammell de True Blood, um homem culto e familiar, que explica o seu ódio racial de maneira certa: particularmente arrepiante no clima político atual.

Mesmo outros atores podendo ser uma melhor escolha, Daniel Radcliffe aceita o desafio em um suspense de segredos que atrai sua atenção em algumas partes e te deixa perdido em outras.

Escrito por: Anna Smith – Empire
Tradução e adaptação: May Oliveira


Imperium vem sendo resenhado por diversos jornais britânicos. Já ganhou algumas estrelas, mas infelizmente com o Telegraph, ganhou apenas duas. Segue abaixo a resenha crítica feita pelo crítico de filmes, Tim Robey:

Resenha de Imperium: o thriller neonazista de Daniel Radcliffe é um barril de pólvora com quase nenhum explosivo dentro.

O corte de cabelo no estilo “bacia de pudim” em Daniel Radcliffe no início de Imperium não é apenas terrível, ele sela o filme com um problema específico.

Ao invés de impulsionar o personagem, um agente do FBI novato chamado Nate Foster, em uma jornada ao coração da escuridão, se disfarçar como um skinhead neonazista de repente parece a melhor coisa que já lhe aconteceu.

Ambos antes e depois do cabelo sair, as autoridades de Washington estão em alerta máximo para um ataque de armas químicas, depois de um césio-137 – um dos ingredientes principais para uma bomba – ser capturado em uma batida policial.

Suspeitando o envolvimento da extrema Direita e não do terrorismo Islâmico, a colega de trabalho de Foster, Angela (Toni Collete, fazendo muitos favores a esse filme) o escolhe para se infiltrar em um grupo fascista local, significando que ele tem que se revestir da ideologia do supremacismo branco, falar e andar como eles e esperar receber alguma informação sobre a carnificina iminente.

Radcliffe, nesse thriller com o orçamento bem apertado, não é o problema. Os avanços que ele vem fazendo na cena indie americana não são nada se não testes de resistência.

É provavelmente justo dizer que ele nunca vai te aterrorizar, mas esse não é a tarefa: Nate está tentando se apresentar como um estudante afiado dos princípios nacionalistas do que como um bandido.

A leve diligência nervosa que você espera de uma performance de Radcliffe aparece bem, e ele não é ruim ao dar a esse agente inexperiente a inteligência rápida para sair de algumas situações.

O problema são as situações. O filme peca em muitas oportunidades de encurralar o herói e isso te faz perguntar quais os motivos que levaram o escritor-diretor Daniel Ragussis a nos fazer passar por isso.

Ok, ele quer contrastar diferentes crenças de facções fascistas americanas – cristãs, anti-semitas, pseudo-libertária, e outras. É por isso que ele faz Nate escutar os argumentos de Gerry (Sam Trammell), um burguês intelectual aparentemente civilizado que esconde seu racismo tóxico embaixo de uma folheada por um gosto de música clássica.

Gerry continuamente convida os homens tatuados às suas festas no quintal, mas é mais difícil acreditar em como ele se sente vitimizado – e isso, como nós viemos a entender pela personagem de Collete, é o fator comum em todas as formas de neonazismo.

Outro adversário interessante é Tracy Lett, espalhando ódio pelo rádio, mas nunca sujando suas mãos.

O filme soa áspero consigo mesmo quando fazendo todas essas distinções, mas falha em conseguir algum drama a partir delas; está muito ocupado retorcendo suas mãos para ir direto ao assunto. Ele quer crédito por nuances que não são destacadas e inteligência que não está lá.

Com todo o perigo político que a América está enfrentando no momento, essa trama deve ser um barril de pólvora. Mas enquanto o fuzil está sendo aceso, quase não há explosivo dentro.


Daniel Radcliffe: “A masculinidade está em um lugar bem estranho no momento”

Com os seus novos lançamentos, Imperium e Swiss Army Man, o ator fala sobre a masculinidade moderna e fingir ser um neonazista.

Olhando para ele, você não acreditaria que Daniel Radcliffe acabou de acordar. Com iced coffee na mão, vestindo uma t-shirt justa e uma barba, ele parece estar calmo consigo mesmo. Passa das 14:00 no Soho Hotel em Londres, mas tendo crescido em sets de filmagem, Radcliffe está acostumado a dormir quando pode.

Contra o estereótipo de ator mirim, o ator de 27 anos é conhecido por ser incomumente educado e seus olhos azuis são acesos com uma concentração que nunca vacila enquanto conversamos. Ele não bebe mais e evita as redes sociais, porque cerveja o leva ao caos e o Twitter à brigas.

Como você se preparou para Imperium? Você trabalhou junto com o ex-agente secreto Mike German em quem o papel se baseia?

A parte mais interessante de fazer o filme foi sentar com o Mike e ouvir suas histórias. Eu perguntei sobre como ele viveu daquela maneira e o que mais me impressionou foi o tipo de cara medido e contido que ele é. Você podia ver imediatamente como isso ajuda em situações tensas, não reagir a provocações, então eu levei isso para o papel.

Eu também li muita literatura supremacista branca e fui em seus websites e fóruns. A reação mais comum depois de assistir Imperium é as pessoas dizerem, “Mas isso não existe de verdade, certo?” e existe sim, está bem aí.

Qual foi a coisa mais interessante que você achou na sua pesquisa?

Há diferentes tipos de supremacistas, dos punks skinheads aos mais refinados, membros inteligentes do movimento que não gostam de violência porque eles – bizarramente – ligam para a sua imagem.

Ler sobre a largura das crenças é estranhamente confortador, porque você percebe que se eles estivessem em posições de poder, eles iam rasgar uns aos outros.

O filme destaca o fato de que a mídia ignora grandemente o terrorismo branco. Você acha, levando em conta o ressurgimento da direita na política principal, é particularmente importante que essa história seja contada agora?

Absolutamente. Há pessoas no mundo que querem que nós acreditemos que apenas um grupo de pessoas é responsável pelo terrorismo, e é triste de ver que essa ideia está nos virando uns contra os outros. Meu pai é da Irlanda do Norte, então o conhecimento de que pessoas brancas podem criar o terrorismo foi construído em mim.

Quando nós estávamos fazendo o filme ainda era o tempo em que as pessoas estavam rindo da ideia de Trump se tornar presidente, mas o que está acontecendo agora é assustador.

Eu entendo o patriotismo e amo o UK, mas o que mais me chateia sobre o Brexit é que o patriotismo tem tom nacionalista, o que não deveria. Quão menos suporte nós colocamos em bandeiras e nomes, melhor, pois somos todos a mesma espécie.

Você teve que assumir um personagem falso que é racista e antissemita. Quão difícil foi usar essa linguagem?

Foi horrível. Eu costumava chegar nos atores com quem gritava nas filmagens e tentava ter uma conversa civilizada. Aquelas palavras ainda têm um poder real e a pessoa do outro lado da rua pode me ouvir gritando e não saber que estamos numa filmagem. Honestamente, estou contente que me senti estranho com isso, porque caso contrário ficaria preocupado.

Você abertamente fala sobre ser um feminista. O que você acha da masculinidade moderna?

A masculinidade está em um lugar bem estranho no momento. Os homens costumavam ser capazes de ser inteligente e sensíveis, mas também fortes como unhas e essas coisas não precisavam ser mutualmente exclusivas. Agora a pressão para se sentir macho geralmente vem as custas da igualdade.

Eu acho que esta refletido nos movimentos pelos direitos dos homens. Não parece que aprendemos nada. Você tem que aceitar de alguma maneira que como um homem branco, você praticamente tem o mundo nas mãos. Quando você ouve as pessoas dizerem “nós somos aqueles sendo oprimidos”, você só pode pensar “Jesus, olhe a sua volta”. Ainda sou questionado sobre ser um feminista como é algo que você deve assumir e “tirar do armário”.

Você postou um tributo quando Alan Rickman morreu, apesar de não usar muito as mídias sociais. Por que se sentiu obrigado a fazer isso?

Não é que eu acredite que você precisa publicamente mostrar sua tristeza para sentir algo. Mas aconteceu algo atrás da morte de Alan, onde todo mundo queria falar sobre seus personagens, e eu queria dizer o quanto ele era uma pessoa memorável também. Sua lealdade imutável com seus amigos era algo que você normalmente não vê e seu memorial foi um testamento de como carinhoso ele era, particularmente com pessoas mais jovens.

Entrevista por: Olivia Ovenden – Esquire UK
Tradução e adaptação: May Oliveira e Nuara Costa


Com Imperium e Swiss Army Man estreando no UK essa semana, diversos jornais e revistas fizeram matérias sobre os filmes e entrevistaram Daniel. Na matéria da BBC, Daniel fala sobre o cenário político dos EUA e UK e também  sobre terrorismo.

Daniel Radcliffe fala sobre o Brexit e medo do Trump

Daniel Radcliffe acredita que o voto do Brexit no UK, junto com a ascensão de Donal Trump, fez a Extrema Direita “agora uma legítima parte da discussão política.”

O ator, que em seu último filme, Imperium, interpreta um agente do FBI que se infiltra em uma trama de uns extremistas de direita que planejam detonar uma bomba, diz “a maioria dos eleitores não são extremistas racistas.”

Ainda assim, ele continua: “Algo aconteceu com o Brexit e com Trump, as pessoas podem ouvir esses pontos de vista na TV e acreditar que é uma maneira legítima de pensar sobre as pessoas.”

Ele diz que sente que é mais difícil ser patriota após o voto do UK de sair da União Européia.

“Algumas pessoas vão pensar que você é racista. Patriotismo está ligado a um nacionalismo e não é a mesma coisa,” ele diz.

“Eu me vejo como muito patriota mas não tem nada a ver com a ideia de querer nos separar da Europa. Nós somos uma ilha, mas uma mistura de culturas e línguas nos fizeram o que somos. É muito triste observar as pessoas pensarem que esse não é o caso.”

Imperium foi filmado no ano passado, o ator explica, “quando eu não poderia ter previsto nenhum desses pontos de vista expressados no filme sendo colocado na mídia. Trump era um candidato de brincadeira.”

O filme,  co-estrelado pela atriz australiana, Toni Collette, é uma colaboração entre o seu escritor-diretor, o americano Daniel Ragussis, e o ex-agente do FBI Mike German, que foi a inspiração para o papel de Radcliffe como Nate Foster. German foi um agente secreto infiltrado em movimentos de Extrema Direita por anos, levando muitos a serem presos.

Entretanto, apesar de alguns ataques destacados publicamente, mais notoriamente o bombardeamento em Oklahoma em 1995, liderado pelo supremacista Timothy McVeigh, Ragussis acredita que o foco no terrorismo inspirado pelo Isis significa que a cobertura na violência de Extrema Direita não é mais predominante.

“Grupos supremacistas brancos não são necessariamente classificados como terroristas,” ele explica.

“Eu sinto que nós não devemos chamar a atenção para as pessoas inspiradas pelo ISIS,” Radcliffe adiciona. “Quando a bomba explodiu em Nova York, eu estava dizendo a mim mesmo ‘por favor, não deixe que o autor seja negro, ou muçulmano – porque se for, vai ser usado pelo Trump.’ Mas nós não precisamos chamar a atenção para os ativistas de Extrema Direita.”

O ator diz que sua descendência Judia “não foi um fator decisivo para fazer esse filme.”

“Também tem a ver com meu pai ter vindo da Irlanda do Norte. O filme mostra que o terrorismo vem em diversas formas.”

“Eu sei por meu pai ser Irlandês, que pessoas brancas também fazem isso. Eu acho que é útil lembrar as pessoas disso agora.”

Radcliffe adiciona que ele “mergulhou” na autobiografia de Adolf Hitler de 1925, Mein Kampf, e expressa a esperança de que neonazistas assistam Imperium.

“Eu não ligo se eles fazem isso como uma atividade de ódio porque eu sou judeu,  eu sinto que esse é o tipo de filme que eles podem assistir porque, enquanto nós não tivermos uma mente aberta sobre as ideias deles, nós temos uma mente aberta sobre supremacistas brancos enquanto pessoas – se você assistir ao filme, nem todo mundo lá é skinhead, eles não são retratados como monstros.”

Contudo, foi a cabeça raspada de Radcliffe, feita durante uma cena no filme, que deu a Imperium mais publicidade quando as primeiras fotos causaram uma comoção na internet quando foram lançadas ano passado.

“Não deveria ser notícia que alguém cortou o cabelo, mas acho que foi bom para o filme,” disse Radcliffe.

Ele também aceita, apesar de não entender, porque cinco anos depois do último Harry Potter, ainda há tanto frenzi.

“Eu tenho que sentar perto de atores em entrevistas e ouvi-los dar respostas para as perguntas da mídia e penso, ‘Eu nunca poderia dizer isso, iria parar em todo lugar.’ É muito estranho – eu estou lindando melhor com isso.”

“Eu só continuo fazendo diferentes escolhas para filmes diferentes – e o fato que eles são tão diferentes hoje em dia não é um comentário ao meu papel como Potter, eu só não quero me repetir.”

“Então ninguém deveria esperar um remake de A mulher de preto, Versos de um crime ou Imperium.”






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