Com o lançamento de Animais Fantásticos e Onde Habitam, a BBC Radio 1 realizou um documentário sobre o porquê do mundo bruxo de J.K. Rowling ter se tornado um sucesso tão grande. Daniel Radcliffe e Eddie Redmayne (Newt Scamander de Animais Fantásticos) participam do documentário e ajudam o crítico Ali Plumb a descobrir esse segredo.


Essa semana foi o aniversário de 15 anos de lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal, filme que lançou Daniel Radcliffe como ator aos 11 anos de idade. A DigitalSpy conversou com Daniel, que falou sobre sua primeira memória nos sets de gravação, quando percebeu o quanto sua vida ia mudar e sua relação com os atores da série hoje em dia.

Daniel Radcliffe revela o que REALMENTE o animou para Harry Potter e a Pedra Filosofal

Nós quase não acreditamos, mas hoje faz 15 anos desde que Harry Potter e a Pedra Filosofal estreou nos cinemas e lançou seu elenco jovem em um estrelato mágico.

Daniel Radcliffe sentou com a DigitalSpy para relembrar o filme, apesar que você não irá ser capaz de adivinhar o que o animou no primeiro dia no set.

“Os primeiros dias na plataforma de trem em Goathland, onde também foi filmado Heartbeat, eu acho… Eu lembro de estar lá e eles dizendo, ‘Foi aqui onde eles filmaram Heartbeat’, e eu tava tipo ‘Não brinca! Sério? Incrível!’, esse é um programa de TV que eu ouvi falar quando criança.”

Sim, esqueça o mundo mágico de J.K. Rowling tomando vida diante dele: foi um set policial no lado rural de Yorkshire que cativou a mente pré-adolescente de Radcliffe.

Ele admite que, no set, ele estava “bem nervoso, mas não tão nervoso como [ele] deveria estar” por estar entrando em uma adaptação da série mais vendida na história do mundo. Foi apenas depois do filme ser lançado e a máquina da publicidade começar a rolar que ele ficou “perturbado”.

Radcliffe diz que ele não estava preparado para como o filme mudaria a sua vida. “Ninguém sentou com a gente e disse, ‘Isso pode acontecer, isso pode acontecer’… A primeira vez que eu senti isso foi na primeira première e na primeira vez que eu fui reconhecido na rua por alguém que enlouqueceu. Eu fiquei bem assustado.”

Felizmente, a sua família estava lá para ajudá-lo durante as piores e mais estranhas partes de tudo. “Depois disso eu estava como, se eu conseguir lidar com isso então estou bem. Eu acho que meus pais foram muito bons em como eles lidaram com isso. Mesmo que eles estivessem assustados, eles iriam olhar pra mim e dizer, ‘A vida não é engraçada? Que coisa estranha tudo isso acontecendo!’”

“E eu acho que isso me deu uma boa perspectiva, melhor do que eu pensar que tudo estava acontecendo porque eu sou tão incrível, ou que era algo a ser temido ou negativo – então eles me deram uma atitude legal e saudável à isso.”

Radcliffe pensa que seus pais e a equipe de filmagem de Harry Potter “fizeram um ótimo trabalho” tratando o elenco “primeiro como crianças, depois como atores,” uma tendência que ele acha que é frequentemente reversa nos EUA – apesar dele admitir que há atores mirins “adoráveis” e “estragados” nos dois lados do Atlântico.

Na carreira pós-Harry Potter de Radcliffe – que já teve de tudo desde terror (A Mulher de Preto) até o de temática-gay Beat (Versos de um Crime) e comédias negras de cadáveres flatulantes (Swiss Army Man) – não deveria ser surpresa que ele tentou seguir em frente depois da série. Na verdade, ele nunca sentou e assistiu nenhum dos filmes, apesar de ter se tornado impossível evitar a todos.

“Eu vi um pedaço de um outro dia,” ele diz. “Eu estava de férias na Grécia e havia um canal de filmes que nós estávamos assistindo porque era a única coisa em inglês e o filme apareceu e eu estava tipo, ‘OK, agora eu tenho que achar outra coisa para assistir’. Mas eu acho que assisti algumas cenas e estava como, ‘OK, eu não preciso assistir mais.’ Um dia eu, provavelmente, vou assisti-los novamente se eu tiver filhos, então vou fazer isso, mas esperançosamente eles vão gostar dos filmes e isso vai me distrair da minha própria atuação.”

E sobre o resto do elenco? Ele não está em contato com Emma Watson, apesar dele ver  Rupert Grint “ocasionalmente”. “Eu diria que tenho uma boa relação com o elenco,” ele diz, embora as pessoas que ele considera como “ótimos amigos” daqueles dias são os membros da equipe de filmagem. Mas ele ainda mantém contato com Matthew Lewis (Neville), Alfie Enoch (Dino) e Bonnie Wright (Gina), e é claro que ele pensa que a série providenciou a todos uma longa carreira no cinema. “Nós todos gostamos de trabalhar com cinema.”

Fonte: DigitalSpy
Tradução: Nuara Costa


Durante a semana que Daniel passou no Festival de Cinema de Zurique, ele concedeu muitas entrevistas nas quais promoveu Swiss Army Man e falou sobre usar bonecos de si mesmo nas gravações, as polêmicas geradas pelo filme e sobre sua carreira. Segue abaixo a entrevista traduzida:

Se ele fosse um fenômeno meteorológico, meteorologistas provavelmente o descreveriam como um furacão. Daniel Radcliffe passou correndo pelos corredores do Hotel Zürcher, onde concedeu a entrevista. Ele cumprimentou os jornalistas que esperavam na passagem e ele os cumprimentou novamente quando passou na volta. Ele responde todas as perguntas com muita vontade. Ele corre a mão pelos cabelos, destacando suas afirmações com gestos expansivos e seus olhos azuis emitem uma cordialidade calorosa.

Ele descreve como “segunda carreira” o seu tempo após Harry Potter. Isso inclui filmes como “Imperium”, “Truque de Mestre 2” ou “Swiss Army Man”, que foi apresentado no Zurich Film Festival, na Suíça.

Em “Swiss Army Man” você gravou muitas cenas sem o manequim. Qual cena se apresentou com maior desafio?

Provavelmente a cena do começo do filme, quando estávamos na água. Todos pensam que é um manequim. Mas Paul Dano, na verdade, ficou em cima de mim. Abaixo de mim havia uma jangada e eu estiquei meus braços, que estavam presos por cabos. Eu tentei curvar as minhas costas com o máximo de força possível. A câmera foi posicionada de tal modo que não dá para ver isso. Então Paul se sentou em cima de mim e eles nos puxaram pela água.

Essas duas pessoas se apaixonam…

…Sim, totalmente!

Com isso, você vê uma mensagem como: Todo amor é amor?

Sim, acho que é assim. Não é especificamente amor homossexual ou heterossexual, é simplesmente… amor. E o amor é ensinado a ele. Algo maravilhoso nesse filme é que dois homens heterossexuais – bem, eu estou morto, mas amo Sarah – se beijam, um beijo romântico!

Embaixo d’água.

(Risos) Sim, embaixo d’água. Mas na cena da festa, eles quase se beijam e acontece esse grande momento, no qual Paul ameaça se afogar e ele ainda quer me dar a experiência de um beijo, antes de nós dois morrermos. Mas então, ele de repente percebe que pode me usar como tanque de oxigênio. Isso é simplesmente brilhante.

Quando você aceita um papel como esse, há uma grande intenção de se livrar da imagem de Harry Potter?

De forma alguma. Não quero que as pessoas se esqueçam de mim como Harry Potter. Me entenda, eu não teria recebido todas as propostas, se eu não tivesse feito Harry Potter. Eu sou muito grato a esses filmes. Talvez eu ganhe mais reconhecimento pelos diferentes papéis que interpreto do que eu mereço. Praticamente todos os atores interpretam muitos papéis diferentes, mas porque as pessoas me viram interpretando esse papel por tanto tempo, ele é mais reconhecido. Não quero destruir Potter, quero apenas prosseguir com a minha carreira. Fico satisfeito com isso, como tudo progride e eu posso olhar para trás como muito entusiasmo.

Qual é o papel dos seus sonhos?

(Hesitando.) Isso é realmente difícil de dizer. Conversei recentemente com Woody Harrelson sobre o trabalho em conjunto com Martin McDonagh (In Burges), porque uma vez eu participei com ele de uma peça de teatro e já trabalhei algumas vezes com Woody. E para mim não faria diferença qual papel seria, já que há apenas um papel em um filme de Martin McDonagh. Eu considero que ele é um dos melhores roteiristas contemporâneos e muito rapidamente se tornará também um dos melhores diretores.

A fala de Radcliffe jorra como uma cascata. A garrafa que estava ao lado dele permaneceu intocada. Ele falou com gosto, muito e em um ritmo insano. O entusiasmo e o prazer por seu trabalho são notáveis a cada palavra. Ele parou de beber álcool. Rigorosamente. Um motivo específico para isso não foi dado, além de um “Uma coleção de terríveis coleções”, como ele consegue descrever.

O colega de filme, Harrelson, havia convidado-o na noite anterior para abalarem Zurique juntos. Radcliffe soube que na manhã seguinte ele teria compromissos com a imprensa. Com isso, foi dito que Harrelson disse: “Garoto, você começará a trabalhar no dia depois da sua estreia, não antes das duas horas da tarde!”, “Um conselho que eu busco recordar.”, completa Radcliffe sorrindo.

Em Swiss Army Man você diz uma vez: “Meu corpo é repugnante!”. O filme representa um tipo de jornada de redescoberta do corpo de um indivíduo. Você também descobriu algo novo em si?

Quando a pessoa analisa o que acontece em seus corpos: Seres humanos, nós somos repugnantes! O interior de um humano é nojento! Mas essa é a melhor coisa no filme, porque ele leva você a reexaminar seu relacionamento com o seu corpo físico ou sua própria forma de ficar sozinho – seja qual for! Ao mesmo tempo, ele dá a você a permissão de sentir e viver essas coisas. O ponto do filme é que a vergonha nos afasta do amor. Não importa se a pessoa solta um pum, tem uma ereção, ou se masturba, ou quando você se sente sozinho, ou se sinte como um louco: Todas essas coisas são totalmente universais e sentimentos humanos, dos quais nós somos levados a sentir vergonha. É um filme repugnante com uma bela mensagem sobre amor e aceitação.

No festival de filmes de Sundance muitos espectadores foram embora depois dos 25 minutos. Cada cena é uma surpresa e você é recompensado por esperar. Não dá para ter certeza no começo do filme do que ele se trata, é um sentimento estranho.

Isso está totalmente correto. O filme é tão cheio de surpresas que depois dos primeiros 15 minutos não dá para avaliar para onde essa jornada vai.

“Estranho” poderia ser a melhor descrição do filme?

Também seria simplesmente “bonito”. Estou inclinado a descrever o filme como “altamente tolo e altamente esperto”. Ele é muito “completo”, cheio de contradições que o sustentam. Isso é a maravilha desse filme.

O que você pensaria sobre uma continuação para Swiss Army Man?

Isso seria totalmente demais. Nenhum outro personagem que eu interpretei, tirando Harry, eu gostaria tanto de interpretar novamente como o Manny. Se os Daniels (Os diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert) daqui a alguns anos quiserem gravar um Swiss Army Man II com um Manny mais velho e caduco, eu ficaria extremamente interessado.

Quando Radcliffe ganha, ao final da entrevista, um canivete suíço de um jornalista, ele demonstra uma alegria infantil. Enfim, ele tem seu primeiro canivete. Com empolgação ele examina os diferentes apetrechos, abrindo finalmente a lâmina: “Esse é o que eu mais gosto”. Depois ele flertou outra vez com o saca-rolhas. De certo modo, altamente tolo e altamente esperto.

Tradução: Munich Graf Ferreira
Fonte: outnow.ch


Durante sua passagem pelo Deauville American Film Festival, Daniel Radcliffe conversou com o Clique. Na entrevista ele falou sobre o Brexit, Eminem, refugiados, Harry Potter e mais.


Clique x Daniel Radcliffe por cliquetv


Daniel Radcliffe concedeu uma entrevista para Conan O’Brien, durante seu programa de televisão e explicou sobre sua primeira experiência em um Museu do Harry Potter. Clique no link e confira o vídeo legendado.

Daniel Radcliffe no CONAN TV!

Fonte: TEAM COCO


No final de mês de Outubro, Daniel concedeu uma pequena entrevista ao jornalista Matt Prigge do METRO, falando um pouco mais sobre como decidiu fazer parte do elenco de “Horns” e sobre seus filmes de terror favoritos. Confira a tradução abaixo.

Daniel Radcliffe afirma que teve uma maré de sorte após a filmagem do último filme da franquia de “Harry Potter”.

Ele protagonizou com sua inteira alma três personagens em três filmes totalmente diferentes: Interpretou Allen Gisnberg em “Kill Your Darlings”; foi uma estrela na comédia romântica “What If” e então chegou á “Horns”, uma mistura de terror e mistério regado de uma boa dose de comédia e romance, no qual ele interpreta um jovem acusado de ser o culpado pelo assassinato brutal de sua namorada (interpretada pela atriz Juno Temple), e então, um belo dia o jovem acorda possuindo um par de chifres e um poder sobrenatural de transformar as pessoas em criaturas seriamente honestas.

O fascínio do diabo: “É interessante como muitas vezes o “diabo” aparece na literatura, na cultura pop, peças teatrais e em filmes – mais até que Deus. Eu posso lembrar-me somente de “Bruce Almighty”. Até em outros, mas com certa dificuldade. O diabo é um personagem muito carismático, e sempre será. De acordo com a história, ele costumava ser um anjo e por mal comportamento caiu, a partir daí, teve potencial para o bem e para o mal dentro de si. Não aparece algo relacionado a ele ser um ser humano de verdade, ao contrário de Deus, que possui essa grandiosidade o tempo todo”.

Seu diabo fictício favorito: “ ‘The Master and Margarita’ é a minha versão favorita do diabo, porque esse diabo é como uma amálgama com partes separadas que são divididas em entidades diferentes. Há um chamado de Roland, que está sempre vestido de preto, mas há também o Koroview, o qual possui 7 metros de altura, e há um outro, um gato preto que por sua vez, possui 5 metros de altura. Eles são sua comitiva. É simplesmente uma representação maravilhosa do diabo rasgando Moscou ao meio em 1925. Radcliffe e seu diretor Alexandre Aja, compartilharam também seu favoritismo por “Sympathy for the Devil”, que possui essa ideia do diabo como um temporal, uma metamorfose de um ser sempre presente.

Sua necessidade por fazer “Horns”: “Eu respondi ao script de uma forma muito visceral”. Eu me coloquei no lugar de outra pessoa vendo outro ator interpretando aquele tipo de cena, seria como ver minha namorada beijando alguém. Dá aquele nó no estômago. Assim que eu li, eu sabia que se eu assistisse outra pessoa interpretando aquilo no meu lugar, eu ficaria muito infeliz”.

Ele teve que convencer Aja de lançá-lo: “Eu me voltei para Alex e definitivamente demonstrei o inferno que havia dentro de mim. Deixei-o saber o que eu estava disposto a fazer por este filme, o quão duro seria o meu trabalho, até porque, eu sabia que ele estava pensando em uma pessoa mais velha para isso. Então encorajei: ‘Por favor, deixe-me lhe mostrar que esta forma de pensar está totalmente errada’”.

Por que ele não é um horror: “Há uma obsessão moderna – talvez não tão moderna, talvez eu esteja sendo muito duro com a modernidade – mas há uma obsessão em categorizar os filmes e coisas do gênero. Você poderia dizer que se trata de um filme de terror por ter Alex como diretor. Na verdade me pergunto se Alex não fosse o diretor, se ele iriam o categorizar simplesmente como ‘horror’. Eu acho que ele não pode ser categorizado dessa forma. Existem elementos de horror e de thriller. Mas generalizando, é apenas uma história de amor. Na realidade apenas um drama. Trata-se da clássica batalha do bem e do mal, só que isso está acontecendo dentro de apenas uma pessoa. O grande dilema desse filme não está direcionado exatamente no culpado do assassinato, mas sim em sua reação ao descobrir quem fez isso. Será que ele vai manter sua trajetória de raiva e violência, ou vai fazer a pessoa ver o que ele realmente é, uma pessoa que está ostensivamente de luto e aceita o perdão pelo simples desejo de acabar com tanta violência e ódio”.

Interpretando um personagem que é intenso e nem sempre agradável: “Interpretar  alguém que faz coisas terríveis o qual o público ainda estará torcendo por esse personagem? Isso é quase o ideal! Sua intensidade e o alcance de suas emoções me fez querer interpretá-lo, a partir da comédia no início do filme para o quão horrível é o lugar e  a cena em que ele tortura seu irmão. Houve uma verdadeira comoção por ele, um romance de verdade sobre ele, por conta de seu coração ser puro. Há algo de belo e doloroso em ver como esse romance o destruiu e ao mesmo tempo conseguiu reconstruí-lo”.

Os seus filmes de terror favoritos: “‘O Iluminado’ seria o primeiro filme de terror que nunca realmente me assustou de uma forma profunda. Não que ele tenha só me feito pular, mas me assustou para caramba. Além disso, eu só assisti porque estava trabalhando com o diretor, mas James Watkins, que dirigiu “Woman in Black”, seu primeiro filme é chamado de “Eden Lake”, com Michael Fassbender e Kelly Reilly. Isso sim é um grande filme, porque poderia concebivelmente acontecer na vida real. Os antagonistas são crianças horríveis que destroem o fim de semana desta família. Esse também possui o final mais sórdido e mais triste que eu já vi. Quando eu encontrei com James eu lhe perguntei: ‘Como você teve corajem de acabar um p*** filme desses dessa maneira? ’”.

Mas seu filme favorito desde sempre é um filme britânico de 1946, intitulado “A Matter of Life and Death” (que é de fato incrivelmente brilhante): “Esse é um filme que eu assisti com cada namorada que tive. É aquele momento verdadeiro: ‘Se você não gosta desse filme então eu realmente não gostarei de sair com você’”.

Tradução e Adaptação: Barbara Carias

Fonte: METRO


Confira abaixo a tradução da entrevista de Radcliffe para a revista Mental Floss que foi publicada originalmente na impressão de outubro.

Harry Potter pode ter usado óculos, mas a verdade é que, Daniel Radcliffe que é um pouco nerd. Também é um auto-proclamado fã da história, amante (e ás vezes escritor) da poesia, colecionador de livros e trivialmente entusiasta, essas são suas diversões, o que faz de Radcliffe, o nosso tipo de cara. Sentamos com o protagonista de “Horns”, filme que será lançado no Dia das Bruxas, e tentamos descobrir no que ele está trabalhando atualmente, os livros que ele acha que todos deveriam ler e qual sua figura histórica favorita.

Você comentou uma vez que a escola foi difícil para você mas que você aprendeu a amar os estudos de verdade no set de Harry Potter. O que você usa para alimentar a sua mente nos dias de hoje?

Eu costumava ler um monte de ficção científica, mas nos últimos meses li um monte de não-ficção e algumas biografias. Eu também acompanho inúmeros programas de televisão. Eu tenho isso programado na minha cabeça, antes de dormir eu tenho que assistir algo do (Smithsonian Canal), e pretendo manter esse mantra por mais tempo. Eu estava aprendendo sobre os “Hittites”. Lembro-me de pensar “É bom que os Hittites tiveram um programa dedicado à eles”, porque você não ouve falar deles. Todas as recentes civilizações recebem um alarde enorme, mas eles foram umas das primeiras civilizações! E eles também merecem menção na mídia!

O que você consome dessa nova cultura?

Eu recebo um monte de notícias sobre mim mesmo da Deadspin. Também vejo muitas notícias na televisão. Eu sei que deveria ter o habito de ler jornal, mas não consigo, de verdade. Acho que isso é porque eu sei que se tornaria uma desordem, eu iria ler, esquecer sobre a notícia e jogá-lo fora ou empilhar com um monte de jornal velho. Mas eu não sou muito cult, em termos de coisas que eu gosto mesmo de ver na televisão, atualmente eu recebi muita coisa sobre Network Food, ou simplesmente um reality show muito ruim como o Millionaire Matchmaker. Outro dia assisti quase que por completo uma série de Top Chef só porque ele estava no elenco. Então, tecnicamente não sou muito culto (risos). Depende do tempo, ultimamente estou só na coleta de informações. Eu sinto que metade do que eu aprendi na preparação para testes foi fazendo palavras cruzadas.

Aqui está uma boa pergunta para você. Quem foi o 1º presidente de todos os 50 Membros – Estados? Espere! Eu vou reprovar essa pergunta porque o Havaí não era um estado oficial até os anos 50.

Eisehower! Eu gosto dele porque sinto que se encaixa em qualquer questionário. Eu também gosto de inventar testes para as pessoas, comecei a fazer isso no West End no verão passado, enquanto fazia “The Cripple of Inishmaan”. Fizemos quase que um campeonato e a pessoa que venceu o quis era da minha equipe, isso porque eu formulei um quiz horrível. Eles me odiavam! Mesmo assim foi muito bom. O fiz baseado em coisas que todos deveriam saber mas não o fazem. Tipo, qual era o nome do terceiro homem que foi à lua? Michael Collins. Eu sempre sinto que ele fica esquecido, porque apesar de pouco falado ele também estava na cápsula de comando. Um dos fatos mais incríveis eu já ouvi, é que ele foi o único que eu uma volta do lado escuro da lua, para mim ele foi o mais corajoso e todos. Eu sempre pensei que o sucesso e de pessoas como Buzz Aldrin e Neil Armstrong teriam sugado o reconhecimento dele. Eu era um grande fã de Micheal Collins.

Será que você teria coragem de ir ao espaço?Eu não iria, contêm muito lixo espacial.

Ah, é mesmo? Será que você não iria ao espaço se tivesse a chance? Eu gostaria de deixar algumas pessoas irem também, como uma viagem espacial comercial com passageiros, até para se tornar mais comum, mas eu com certeza iria até lá.

Você tem uma gíria britânica favorita a qual ache que os americanos deveriam começar a usar?

Tenho, e uma grande quantidade! “Bollocks” é, obviamente uma grande palavra para rejeitar algo. Nós somos de um país particularmente quente, mas temos muitas gírias contra a transpiração. Mas a minha favorita é de um amigo meu que usa muito a frase: “sweating like a glass blower’s asshole” – “suando como uma imbecil bola de vidro”, que no britânico fica uma frase deliciosa de se pronunciar, é muito viva. Risos. Outra boa é quando minha namorada diz “good shout” e na verdade ela só quer expressar que você pensou bem sobre algum assunto ou atitude sabe? Na verdade ela quer dizer “good call” – “bela jogada”.

Eu gostaria de melhorar o meu sotaque britânico. Me diga, quais os erros que um principiante na linguagem britânica faz?

As pessoas tendem a pronunciar as palavras muito, muito corretamente. Como na América na palavra “little” vira “li-tull”. E ninguém na Inglaterra pronuncia desta forma – somos preguiçosos quando temos de pronunciar o “T”.  Nós não o pronunciamos normalmente com a ponta da língua próximo aos dentes, fazemos um som quase parecido com o “S”. A única coisa que eu realmente sei sobre os americanos, é que eles têm de nós uma imagem de seres altamente elegantes, sempre. E muitos americanos pronunciam um sotaque britânico realmente luxuoso, mas é claro que tem diferença daquelas pessoas que cresceram ali e falam durante seu dia a dia. Eu gostaria de poder dar mais dicas! Mas a verdade é que você só precisa relaxar um pouco mais nas pronuncias. Pessoalmente, eu espero que o meu sotaque americano seja bom, mas se isso lhe faz se sentir melhor, nenhum britânico possui um sotaque americano perfeito.

Sente vontade de trabalhar com alguém que possa ajudá-lo com seu sotaque americano?

Na verdade eu tive um professor para me ajudar no sotaque. Mas eu já tinha aprendido um pouco, usei o sotaque americano durante muito tempo. Mas a verdade é que nós gostamos de muito seriados americanos, comigo por exemplo, o meu primeiro contato com a América foi assistindo “Os Simpsons”, então acho que herdei muito aprendizado com eles.

Vamos dizer que os fantasmas são reais. Que figura histórica iria querer que te assombrasse?

Napoleão, ou alguma outra figura histórica com um ego enorme. Porque ninguém iria querer um fantasma qualquer. Eu gostaria muito de conhecer o John Keats, mas tenho em mente que o fantasma dele provavelmente seria muito triste. Considerado que, eu imagino que Napoleão seria apenas um cara esquentado e com raiva.

(mais…)


Daniel Radcliffe cedeu uma pequena entrevista para o jornalista Kevin Bourke, do Northern Soul UK contando um pouco mais sobre seu personagem em “What If” e sobre seu comprometimento com a carreira de ator desde de criança.  Confira a baixo a tradução.

 

Hoje em dia chega a ser clichê ver o declínio irreversível de alguns atores que fizeram muito sucesso ainda na juventude, hoje em dia, alguns enfrentam até a reabilitação.

Mas, certamente, nenhum desses jovens atores cresceu junto do público, literalmente, assim como Radcliffe. A estrela dos oito milhões de bilheteria da franquia de Harry Potter, que começou em 2001, quando o ator tinha apenas 10 anos de idade, e faz sucesso até hoje, uma década depois do primeiro filme lançado. Radcliffe tem sido visto por milhões de pessoas nas telas do cinema desde aquela época e é até hoje perseguido dia e noite pela mídia.

Então, será que ele também ficou louco? Longe disso. Notavelmente, o inteligente e espirituoso ator sentado á minha frente no hall do Soho Hotel de Londres, é facilmente identificado como o mesmo “menino bruxo” que há dez anos ganhou o reconhecimento da mídia pelo seu belo trabalho, e de lá pra cá vem fazendo um caminho suave e sadio. E certamente contrariando a opinião de muitos, a carreira de Radcliffe pós Harry Potter está ficando cada vez mais interessante e variada.

Sabiamente, ele interpretou muito bem seu primeiro papel em um trhiller como em “The Woman in Black”, antes de se aventurar na bela obra de Allen Ginsberg “Kill Your Darlings”, e agora, no final de outubro o veremos lutar contra as forças sobrenaturais em uma adaptação do romance de Joe Hill em “Horns”. Ele também atuou em uma reformulação muito bem feita e muito aguardada de “Frankenstein” e revela que, “O meu Igor soa como uma versão bem ríspida de mim. Eu não me imagino sendo maciçamente elegante, mesmo assim sei que sou um pouco. E sim, teremos muitas próteses envolvidas. Eu não quero dizer muito, mas você imagina algo desse tipo quando pensa como Igor…

E durante essa fase pós-menino bruxo, ele também não teve medo de despir-se – e sim, quero dizer literalmente – no palco, onde estrelou “Equus” no West End, também soube cantar e dançar no remake do musical “How to Succeed in Business Without Really Trying” que estrelou na Broadway, antes de sua recente vitória de bilheteria dando vida a Martin McDonagh no divertidíssimo “The Cripple Of Inishmaan”.

A partir desta semana, ele estará mostrando outro personagem, um tanto inesperado, já que será protagonista da comedia romântica “What If”. E adivinhem? Esse filme é realmente muito bom, comparado a alguns de sua espécie. Interpretando o personagem de nome Wallace, você realmente não assimila Radcliffe, como “aquele menino-bruxo”. Seu personagem, no entanto, está nitidamente sentido por uma série de relacionamentos fracassados, mas isto faz com que ele tenha uma ligação instantânea com Chantry (personagem interpretada por Zoey Kazan). O problema é que ela possui um relacionamento longo ao lado de Ben e é feliz. Como o sujeito decente que é, Wallace não quer ser o motivo do rompimento deste relacionamento feliz, ainda mais depois que Chantry torna-se sua melhor amiga e confidente.

O livro “When Harry Met Sally confronta exatamente este tema: “Será que realmente homens e mulheres nunca podem ser só amigos?” – E “What If” consegue descrever este tipo de situação de uma forma completamente engraçada, bem diferente de outras obras clichês do mesmo gênero. Radcliffe revela que se sentiu realmente inspirado enquanto gravava o filme, pois levou consigo para o set de filmagem a comédia mais brilhante de 1934, escrita por Frank Capra, o  It Happened One Night”

Se você ainda não leu esta obra magnífica, você realmente deveria.” – ele insiste – e o ator com certeza deve amar a ideia de toda uma geração de fãs de Harry Potter ser apresentado a obras tão importantes da nossa arte por todos esses novos trabalhos.

Dito isso, vamos voltar para o foco da venda desse novo trabalho.

Isso realmente não era sobre fazer uma comédia, ou algo diferente do gênero que meus fãs estão acostumados para mostrar minha versatilidade ou algo parecido” – ele ri. – “Eu estava conversando sobre isso com alguns amigos meus que também são atores, e a única vez que nós usamos a palavra “gênero” para definir um filme diferente do que estou acostumado a fazer é quando falamos do filme com os jornalistas. Então, a partir disso para explorar novos trabalhos como por exemplo a comédia romântica, é realmente algo no qual eu entrei em um processo de criação forte para interpretar tal papel, como qualquer outro trabalho, isso não quer dizer que eu saia dizendo para os meus agentes hoje em dia que “agora só faço comédias românticas” ou algo como “me direcione apenas para ótimos roteiristas”. Antes de aceitar o papel em “What If” eu li alguns roteiros de comédia que me ofereceram, e eles eram realmente muito bons, mas eu disse para mim mesmo que quando eu tivesse que fazer parte deste tipo de produção, eu teria também que ser parte dela, entende?”

O que eu gostei sobre isso” – explica ele – “foi que eu me senti inteligente. O diálogo foi engraçado, sim, mas pareceu muito da mesma forma que as pessoas falam. Eu também achei muito comovente, especialmente no final do filme, não sendo duro consigo mesmo. É apenas uma simples história doce eu acho que ele ficou bastante afetado emocionalmente, é claro. Não de uma forma grande, sabe? Mas do jeito que deve ser em todos os filmes, uma espécie de dor descartável. Nós todos sabemos que esse tipo de coisa assistida na tela é realmente muito engraçado, mas você acaba esquecendo tão rápido quanto ri de piadas. Mas eu espero que esse filme em questão, fique com as pessoas por muito mais tempo do que os minutos de execução nas salas de cinema.”

O filme todo se passa em Toronto – Canadá (na maioria das vezes esses filmes são gravados nas esquinas de Nova York), mas o personagem de Wallace parece muito britânico, assim como Radcliffe.

Absolutamente”, – ele reconhece alegremente. “Para ser honesto, eu aprendi a ter um pouco do sotaque americano antes de viajar para filmar, então, quando cheguei no Canadá, exatamente dois dias antes de começarmos a filmar, eles me disseram que eu tinha que interpretar o personagem com meu próprio sotaque. Basicamente, eles me disseram que eu não era uma pessoa comercializável só por conta do meu sotaque. O que é uma péssima notícia para “Horns” e todas as outras coisas que fiz utilizando o pouco do meu sotaque americano. – ele ri – “Foi um daqueles acessos de pânico que você tem antes de começar a filmar, o nervosismo mesmo, mas eu também não fui lá no meio do set e disse “vão se ferrar todos vocês!” e dispensei  200 pessoas de seus trabalhos por causa do mero sotaque. Acabou sendo bom para o personagem, porque não há nada inteiramente canadense em Wallace. E particularmente é um pouco chato de se fazer, eu até gosto de fazer sotaque americano, é divertido, eles fogem um pouco dos padrões da fala coerente, assim como os britânicos, usam muita improvisação, então grande parte da minha personalidade acaba saindo naturalmente.

Não costumo fazer nenhum processo de escolher tal roteiro, ler e decidir se devo apreciá-lo como uma boa obra ou não. Na verdade só acho que tenho bons instintos para minhas escolhas. Minha mãe foi diretora de elenco para o Peter Kosminsky, que sempre fez coisas intensas e desafiadoras para a TV, e o trabalho do meu pai como agente literário era encontrar novos escritores. Então, eu gosto de pensar que herdei alguns instintos dos meus pais para escolher scripts. Mas eu gosto de coisas com bons diálogos e de personagens totalmente realizados. Se ele tem algo novo ou parecido, isso me interessa também.”

Especialmente filmes de ação! As pessoas pensam que como eu acabei de fazer uma comédia romântica, foi extremamente difícil esse meu entrosamento, pelo fato de eu ter feito filme de ação durante muito tempo, e não é assim tão impossível. Nunca há um único personagem envolvido em qualquer um desses filmes, são apenas as mesmas pessoas jogadas em diferentes cidades, com um elenco diferente. Eu adoro filmes de ação e eu sinto falta daqueles espirituosos como “Duro de Matar” onde foram envolvidos personagens de ação um pouco sentimentais. Mas esse tipo de ação infelizmente  está bem distante dos da atualidade.

Para ser honesto, eu realmente não consigo me imaginar atuando em filmes de ação como esse. Como ator você tem que ter noção e entender para o que você é bom e para o que você não é. Talvez seja uma dessas razões pelas quais eu tenho certa dificuldade em lê-los. Minha teoria é a seguinte: se na primeira fase têm algo terrível, então a segunda com certeza não vai conter algo relativamente bom para salvar totalmente o script. Então, se eu estou gostando de um roteiro até a metade dele, é isso. Eu sei que terei encontrado bons diretores, bons papéis, e por ai vai…”

Além disso, eu recebo uma quantidade incomum de roteiros de ação enquanto estou filmando outras coisas. “Frankenstein” tinha muitas cargas de ação, “Harry Potter” obviamente era um tipo de ação, “Horns” tem suas partes. Então, digamos que mesmo que eu não me ache o melhor ator para isso, não consigo fugir.”

E segundo ele foi lisonjeador ser cotado para esse tipo de coisa.

A pior coisa que já me indicaram durante meu caminho de ator pós Harry Potter, foi quando um maluco sugeriu que deveríamos refazer “O Mágico de Oz”, e da seguinte forma, Emma como Dorothy, Rupert como Leão Covarde e eu como o Espantalho. Lembro-me bem de ter olhado pra pessoa e pensado “essa é a criatura mais preguiçosa e com barreiras que existe no mundo”.

Quando isso aconteceu, lembro que JK Rowling havia começado a remexer com o mito Potter e até perguntou para o público se ela havia acertado, ao ter casado Hermione com o Rony ao invés do Harry.”

Radcliffe parecia sentir que a pergunta inevitável estava para chegar, mas, para minha surpresa, muito bem humorado, ele respondeu pela enésima vez.

(Nessa parte o repórter se refere à pergunta a qual vários jornalistas fazem para Daniel, se ele tem vontade de voltar a atuar como Harry.)

Você e o mundo sabem que eu sempre terei muito orgulho de ser associado a essa série de filmes, mas eu acho que 10 anos é muito tempo para gastar com um personagem. Portanto, é extremamente duvidoso que eu volte a interpretá-lo.

E, pessoalmente, eu estava muito feliz com a forma como tudo terminou. É claro que eu também pensava que Harry e Hermione teriam um caminho a seguir, mas eles são personagens da J.K Rowling, então, ela tem todo direito de mudar de idéia quando bem quiser.” – ele ri.

Há alguns meses atrás, Daniel estava promovendo “Horns” e durante a semana da Comic-Com, enquanto ele não estava trabalhando, ele apreciou uma caminhada pela convenção inteira vestido em uma fantasia de Homem-Aranha para não ser reconhecido. Engraçado, não?

Eu estou muito receptivo atualmente mesmo com as limitações da minha vida, mas, se eu fosse simplesmente andar pela convenção da Comic Con, teria que o fazer rapidamente, e o que eu falo rapidamente acaba sempre se tornando um monte de pessoas se empilhando para tirar fotos. E às vezes é frustrante, porque não posso dar a devida atenção para todos, então encontrei um jeito de interagir com as pessoas sem que elas tenham aquela reação de quando vêem alguém que elas conhecem dos filmes ou dos seriados. Mesmo que não tenha sido confortável como eu imaginei que seria ficar naquela fantasia durante uma hora, valeu à pena.”

E Radcliffe continua inflexível na resposta em relação aos jornalistas que insistem em dizer que ele perdeu sua infância durante a gravação da franquia que lhe rendeu o sucesso, como alguns ex atores mirins costumam reclamar anos depois de viverem longos papéis como o dele.

Eu tive uma melhor perspectiva de vida fazendo Potter”, diz ele. “O estereótipo sobre atores mirins é que eles são do tipo entediantes e preguiçosos. Eu acho que quando eu era mais jovem, eu tive esse pensamento. Não pela minha parte, mas porque eu sabia que era o que as pessoas pensavam de mim. Mas sempre existiu algo em mim, como uma chama viva, que me dizia para continuar e provar para aqueles que tanto me criticaram que eu não deveria deixar eles dizerem que estão certos. Bastava apenas eu olhar ao redor do local o qual eu estava trabalhando, ao lado de pessoas como Imelda Staunton, David Thewlis e Gary Oldman e não só ver que eles eram grandes atores, mas sim como eles se comportavam no set. Isso era muito inspirador para mim. E eu aprendi exatamente o que esperava de tudo aquilo, não aprendi apenas a ser um ator, aprendi como ser um bom profissional.”

Tradução e Adaptação: Barbara C.

Fonte: North Soul


Depois de oito filmes e mais de uma década, separar Daniel Radcliffe do ‘Menino Que Sobreviveu’ precisaria de uma séria mágica. Felizmente, o ator conhecido como Harry Potter não vê nenhuma necessidade de um ter que morrer para o outro viver. “Por que eu simplesmente não peço ‘Não me perguntem sobre Potter’?. Eu não quero fazer isso, porque isso seria virar as costas a algo que me construiu. [Harry Potter] me deu essas coisas que todo o mundo pensa sobre, em termos de fama e dinheiro — e me deu confiança e propósito e integração e comunidade. Essas coisas são valiosas, então eu nunca iria querer virar minhas costas à elas.” Ele é sério e genial, mas não se engane — não é nenhum truque de publicidade, esse é como ele é. “É definitivamente mais fácil pra mim ser legal sobre alguma coisa do que é ser um idiota.” 

Apesar disso, Harry nunca foi só dele e ele sabe disso. “Existem tantas pessoas por aí que ainda têm aquela conexão emocional muito realística com esses livros e filmes.” Ouvindo o sotaque que é ao mesmo tempo familiar e exótico, fica evidente o real porquê de Daniel preservar aquele legado, muito depois de ter seguido em frente. “Eu sou uma pessoa que tem tido experiências menos que brilhantes quando tenho conhecido pessoas que eu realmente admiro, ou pessoas que eu era fã, e eu sei o quanto isso pode ser desapontante, então você nunca quer dar esse sentimento à ninguém.” Neste momento é claro que mesmo se você tem sido conhecido por um personagem amado por quase toda a sua vida, ninguém é impermeável ao mau comportamento. Também é claro que ele tem tido muito a aprender para evitar o mesmo.

“Havia um músico que eu simplesmente amava e sempre pensava sobre… Eu gosto muito de música, e você se sente ligado à musica de alguém, então se você tem uma chance de conhecê-los, você fica tipo, ‘Oh meu Deus, nós vamos nos dar tão bem!’ E então você os conhece, e eles são um pouco severos e indiferentes e meio que apartam qualquer tipo de elogio que você estava tentando dar… Sim, isso é uma merda. E é desagradável, e eu sinto que isso acontece com várias pessoas.” É como se aos 25, talvez a responsabilidade de ter interpretado um ícone tenha o ajudado a reunir mais sabedoria sobre o que tudo significa do que sua idade poderia proporcionar. “É por isso que dizem que você nunca deve conhecer seus heróis. Eu acho que tenho uma consciência, por mais estranha que seja — Eu conheço muitas pessoas e não vou conseguir lembrar de cada uma delas, mas muitas pessoas vão se lembrar de terem me conhecido, então você quer fazer com que esse momento seja bom.”

E agora, quatro anos depois e vários projetos além do universo de Harry Potter, aquela benevolência é refletida na vontade de seus fãs de o deixar crescer. “É totalmente possível para mim sempre apoiar e ter orgulho da memória de ter interpretdo Potter e o que esses filmes foram para mim e pra todos que os assistiram, ao mesmo tempo que faço minhas próprias coisas.” O caminho começado cedo com a temporada de “virar cabeças” da cruciante Equus, e continuado com uma série de projetos ousados que incluem The Woman in Black, Horns, e Kill Your Darlings, interpretando personagens que o atraem, e não necessariamente o que é esperado dele. “Eu não vendo minhas escolhas fazendo da minha carreira ‘Oh, o que os fãs vão pensar disso’, não é assim que eu guio minha carreira. Eu só penso… desculpe pela linguagem, mas eu não acho que você precisa cagar todo o seu passado para seguir distante dele.”

Mas seguindo, ele está. Grandes projetos se acumulam, incluindo um olhar criativo na história de Frankenstein, que reúne pedaços de contos antigos e foca em um tempo e um relacionamento não explorado antes.  “Em um contraste com a maioria dos filmes sobre Frankenstein, onde a criatura e Victor incorporam a relação central, a maior parte desse filme se passa antes da criação do monstro. Esses focos na relação entre Igor e Victor são sobre dois jovens impulsionando a ciência.” Não para despertar o monstro que é o termo “Bromance”, mas a ênfase na relação entre Victor e Igor se junta a uma lista de relações platônicas fascinantes na cultura popular. “Eu acho que talvez o interessante é que tantos filmes e particularmente a TV hoje em dia parecem ser incrivelmente focados nos personagens. Em vez de focar em um espetáculo ou algo assim, as pessoas têm, eu acho, percebido que estar a par de uma relação emocionante, seja entre dois homens, ou entre um homem e uma mulher, ou duas mulheres, ou qualquer que seja, é uma das coisas mais emocionantes para se ver na tela.”

Embora ele certamente tenha recebido uma indesejável excitação sobre sua recente interpretação da relação homossexual de Allen Ginsberg em Kill Your Darlings. “Todo mundo ficou chocado — ou pelo menos fingiram estar chocados para poderem escrever artigos sobre isso. O que me surpreendeu foi a reação, particularmente na Grã-Bretanha, talvez porque eu sou britânico e há uma convivência, mas nós tivemos entrevistador que veio entrevistar Dane e eu ao mesmo tempo, que sua primeira pergunta foi:”

Ele muda de tom, como por mágica.

“‘Então, eu não tenho que trazer isso atona, mas vocês SE BEIJARAM no filme.’ E então ele nos olhou como que fingindo estar envergonhado sobre isso ou alguma coisa? Eu achei aquilo muito chocante, pra ser honesto. Eu esperava um pouco dessas reações, obviamente, por causa de quando eu fiz Equss, e porque eu sou mais conhecido por filmes infantis, e sempre que faço algo que não é propício a crianças, essa coisa vira ‘notícia’ ou o que quer que seja. Eu gostaria de pensar que mais e mais atores héteros estão interpretando personagens gays — e não se importam com isso, porque isso realmente não tem nada de mais — você só está interpretando um personagem, e você aborda isso como aborda qualquer outra cena, e é tudo o que há.” Aqui, sua juventude o concede uma perspectiva otimista de que a intolerância é um problema que a sociedade irá literalmente superar. “Eu penso sim que nas próximas gerações isso irá se tornar menos e menos um problema —” Ele pausa e adiciona um pequeno capricho cínico. “E então as pessoas irão poder interpretar personagens gays quando quiserem, e ninguém irá perguntá-las coisas irritantes.”

Daniel coloca seu tempo e esforço onde seu aborrecimento está,  ajudando com trabalhos para o The Trevor Project, uma organização focada na prevenção de suicídios entre os jovens da comunidade LGBTQ. “As pessoas que trabalham afrente esses projetos, que dão seu tempo, são altamente instruídas. Elas simplesmente fazem um trabalho incrível e  assustador,  debater com adolescentes muito conturbados no telefone, às vezes em situações quase de vida ou morte. E só o fato de que a caridade existe e que isso ajuda incontáveis pessoas…” Ele procura por palavras. “Uma coisa só é perigosa no mundo quando não se consegue falar sobre ela. Se você está vivendo em uma comunidade no meio do nada, onde aparentemente não há gays e você não tem ninguém para conversar, isso é, presumivelmente, uma coisa terrível. Eu já estive sozinho, e é uma coisa terrível.”

Essa não é a única coisa que o motiva a retribuir. Ele não vê [o engajamento com o projeto] apenas como um suplemento generoso — isso é essencial. “Porque se você recebe quantidades absurdas de dinheiro em qualquer ponto na sua vida por um trabalho que pessoas morreriam para ter a chance de fazer, é justo dizer que teve mais sorte que a maioria das pessoas, então, eu não sei. Parece que se você não faz nada beneficente com aquilo, isto é simplesmente obsceno. Eu acho que qualquer pessoa que está em posição de ajudar uma coisa como esta, provavelmente devia fazê-lo.”

Tem sido tudo muito sombrio, personagens diferentes e amor por filantropia desde Potter, ele voltou à Broadway pela terceira vez, reprisando seu papel em The Cripple of Inishmaan, depois de descrever sua mudança em How To Succeed in Business “uma das melhores experiências profissionais que eu já tive.” E ele estrela ao lado de Zoe Kazan na comédia romântica What If (Será Que?). O filme levanta a temível situação de ser não-correspondidamente “apenas amigos”. “Eu acho que é uma coisa universal, acho que todo mundo em algum ponto já acabou se perguntando se estava se apaixonando por alguém que é seu amigo ou melhor amigo.” Teria ele demostrado descontentamento? “Eu tenho uma grande amiga que, anos atrás, nós tínhamos uma queda um pelo outro, e hoje nós dois pensamos, ‘Oh, não é bom que nós nunca tenhamos feito nada, isso teria sido…’ É um misto bem peculiar de excitação e frustração e esperança e aflição, praticamente o tempo todo, porque se vocês são muito amigos, você acaba passando muito tempo com a outra pessoa. Sempre que você passa o tempo com a ela, você se apaixona mais ainda. E sim, sempre que você a vê isso parece mais fútil.”

Ele pausa e considera a confusão desse sentimento que às vezes não deve ser nomeado. “Talvez a coisa não tenha a ver só com você estar apaixonado por um amigo, talvez seja só estar apaixonado.”
Embora talvez o amor é a coisa mais próxima de magia que nós chegamos a experimentar nesse mundo?
“Eu acho que isso é certamente quase verdade.”

Matéria: New York Moves Magazine

Tradução e Adaptação: Edigar Gomes


“Do aprendiz de feiticeiro Harry Potter ao poeta da geração beat Allen Ginsberg, o ator Daniel Radcliffe já encarou uma variedade de papéis em filmes de fantasia e de época, mas finalmente entra no mundo real em seu filme mais recente.”

O ator britânico cedeu uma entrevista a uma das mais famosas agências de notícias do mundo, a Reuters. Nela, Daniel explicou como é deixar “Harry Potter”,  o bruxinho mais aclamado do cinema para trás e provar que os críticos estavam errados a seu respeito.

Você já fez ação, fantasia e terror, mas nunca uma comédia romântica. O que o atraiu em “What If”?

DR: Eu nunca tinha feito um projeto contemporâneo que se passa no mundo em que estamos e que reconhecemos. “Potter” vivia no seu próprio mundo de fantasia e tudo que fiz foram filmes de época, fazia tempo que queria fazer um personagem contemporâneo.

O que você teve chance de explorar interpretando Wallace?

DR: Foi a primeira vez que fiz um personagem que se parece muito comigo, não em termos de decisões que toma ou da maneira como lida com as coisas, mas de seu senso de humor e sua velocidade de pensamento. Eu temia muito que interpretar a mim mesmo, ou não interpretar alguém muito diferente de mim, faria as pessoas pensarem em “Harry Potter”.

E aí me dei conta de que não fazia eu mesmo em “Harry Potter”. Fazia um personagem muito diferente, muito mais sisudo que eu mesmo. Então acho que deixei um pouco dessa vergonha para trás, e com certeza isso facilitou as coisas.

Você foi criticado por seus desempenhos na tela no começo de sua carreira como Potter. Isso fortaleceu sua determinação?

DR: Ah sim, para provar que estavam errados, qualquer um que tenha dito que não consigo fazer algo – e isso soa terrível – , mas eu de fato quero que cada filme seja um “f…” para eles.

Se você diz coisas terríveis para um menino de 12 anos, então sim, quero que você pague por isso, quero te constranger com meu sucesso.

E, bom, é o que faço (risos)… não sou do tipo que implica com as coisas ou que fica furioso, mas tenho um lado competitivo muito forte, e suponho que ele se manifeste assim. E no tênis de mesa.

Que estilo você gostaria de encarar?

DR: Sempre achei ficção científica muito divertida por causa dos cenários. E se for um bom filme de ficção científica, inteligente, com uma abordagem interessante sobre o futuro, então meu Deus, estou nessa. Adoraria estar no set de filmagem de uma nave espacial.

Como se lida com a fama?

DR: Ainda não se lidar. A única maneira de atravessar isso de maneira sã é prestar tão pouca atenção quanto possível… é estranho que as pessoas tirem fotos suas, que alguém ligue que você foi fazer compras.

Sempre têm que arrumar uma manchete, como “Daniel Radcliffe e namorada vão às compras juntos”, porque isso dá uma reportagem. Se não é isso é algum… maluco tirando fotos suas na rua, e se não há uma manchete, fica nisso.

Você já atua há 15 anos. Pensa que vai chegar uma hora em que vai parar?

DR: Existe uma possibilidade, mas amo tanto o que faço que não acho que me veria fazendo outra coisa. Não consigo imaginar alguém me dizendo “você nunca mais vai pisar em um set de filmagem”. Honestamente não sei o que faria. Não imagino minha vida sem isso.

 

Tradução e Adaptção: Barbara Carias
Fonte: Reuters






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