“Daniel Radcliffe diz à Michael Musto que se divertiu para caralh* interpretando um gay.” / Autor: Andressa


Daniel Radcliffe deixou seu cálice de fogo para trás e está caminhando em um pasto cada vez mais verde. A ex-estrela de Harry Potter, aos 24 anos, está plantando sementes para uma nova carreira, começando com o psicodrama da Brodway “Equus”, em 2008, seguido por “How To Succeed In Business Without Really Trying”. Agora, ele está pondo em pratica o projeto “Kill Your Darlings”, baseado na reação dos poetas famosos da época ‘Beat’ em um terrível assassinato. Radcliffe interpreta o escritor de “Howl”, Allen Ginsberg, que tem de tomar uma decisão: Se vai apoiar seu amigo e amante , Lucien Carr (Dane DeHaan). Em uma conversa nas torres de Waldorf, Daniel abriu a câmara secreta para mim.

Musto: Olá Daniel. Eu sinto que este é o filme que melhor mostra o espírito dos poetas da era Beat.
Daniel: Obrigada. Quando você está fazendo um filme sobre eles, a única coisa que você não pode ser é reverente, porque eles não eram. Eles eram uma anarquia caótica e estavam tentando destruir tudo o que veio antes deles. Você não pode coloca-los em um pedestal. Você não pode fazer um filme sobre pessoas se divertindo sem realmente se divertir. É sombrio e histórico, mas divertido. Os Beats se divertiram para caralh*.

Musto: Eu não acredito que Harry Potter está dizendo caralh* para mim.
Daniel: Vai acontecer mais vezes. (risadas)

Musto: Você e James Franco interpretaram Ginsberg. Franco interpretou em 2010, Howl. Eu não sabia que Ginsberg era tão bonito.
Daniel: Conheci uma pessoa que conhecia Ginsberg quando ele era mais novo que me disse, “Allen deve estar muito orgulhoso de ser interpretado por você e por James Franco!” Quando meu papel foi anunciado as pessoas disseram “O quê? Isso não me parece certo.” Mas eu olhei fotos e não é tão ruim quanto pensamos. – As fotos estavam um pouco borradas, o que ajuda. (risadas)

Musto: Você está interpretando Ginsberg em uma crise ética, que torna a história muito interessante, não é?
Daniel: O mais angustiante pra mim foi quando a Jennifer Jason Leigh disse para mim como uma mãe: “A coisa mais importante que seu pai fez foi me deixar”. Todo mundo tem um momento quando descobre que os amigos não são tão legais assim como eram, e você tem que tomar a decisão se deve cortá-los. É uma decisão enorme para alguém de 18 anos.

Musto: Especialmente quando você está apaixonado por alguém.
Daniel: Sim.

Musto: Ginsberg começou a apoiar o NAMBLA, a associação dos homens que se amam. Você acha que ele passou dos limites?
Daniel: Eu acho. Ele tinha a ideia de um amor livre no qual as pessoas agem ao extremo, mas ele foi muito louco com isso, e eu não posso apoiá-lo. Felizmente, não devo interpretar essa parte de sua vida.

Musto: Você estava consciente quando decidiu que faria esse filme, tendo em vista que haveria varias cenas de sexo explicito?
Daniel: Não houve tempo para ter consciência. Uma cena de sexo ,– seja com homem ou mulher – sempre há algo engraçado nela. Mas não era estranho. Você só tem que fazer seu trabalho. Qualquer consciência foi tomada por nosso diretor, John Krokidas, gritando instruções. No filme, ou no templo de Juno em Horns, é sempre tentar não rir enquanto está fazendo uma cena intensa, olhando nos olhos, com alguém. John poderia gritar “Ok, um beijo forte de sexo!” que faríamos. Uma vez que você já ficou nu em um teatro, você só pensa “Eu já fiz isso”.

Musto: Outra vez me surpreendo com Harry Potter me dizendo essas coisas. Então, você basicamente fez uma decisão consciente para sacudir um pouco a sua carreira?
Daniel: As pessoas ficam me perguntando se fiz uma decisão consciente, mas eu não sei. Eu me divirto mais quando o material é desafiador, mas você acha mesmo que eu faria algo parecido com Harry Potter? Eu aceito que “Equus” foi uma coisa muito extrema, mas enquanto as pessoas estavam se preocupando com cada detalhe de Equus, que é um clássico moderno, eu não estava me importando.

Musto: Acho que as fotos promocionais abalaram bastante as coisas.
Daniel: Isso foi uma jogada inteligente de nossos produtores.

Musto: Você estava realmente nu naquelas fotos? E não apenas no palco?
Daniel: Naquela que estou com o cavalo, acho que eu estava usando cueca boxer.

Musto: Não queria se machucar.
Daniel: (risadas) Eu fotografei para a Vanity Fair com o falecido Richard Griffiths. Eu fiquei completamente pelado ao lado do cavalo e não foi confortável. Não sei como a senhora Godiva conseguiu.

Musto: Ah, ela tinha aquele cabelão. Como Harry Potter, era difícil interpretar com todos aqueles efeitos visuais a serem adicionados depois?
Daniel: Essa é uma área onde os atores mais jovens são melhores do que os mais velhos. Mandaram-nos fazer e amamos – imaginar e fingir. E essa geração que cresceu com tanto CGI… Já vimos os bastidores dos filmes, e como são feitos, então é um fato mais aceitável.

Musto: Bem, voltemos a realidade, você se considera um ícone gay?
Daniel: Eu não me considero ícone de nada. Se as pessoas querem me chamar assim, apenas me sinto lisonjeado. Mas acho que a Madonna é um ícone gay bem maior do que eu.

Musto: Mas você tem um grande número de seguidores gays.
Daniel: Disseram-me. John Krokidas me contou. Ei, eu não estou reclamando. Particularmente, não acho que é para mim. Eu cresci em volta de pessoas gays. Um grande amigo de meus pais, chamado Mark foi o primeiro homem gay que conheci. Eu lembro que ele era um grande fã de Britney Spears.

Musto: Disse o suficiente, de qualquer forma. Obrigada, Daniel, e um enorme parabéns.

Fonte: OUT



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