“Daniel Radcliffe em Kill Your Darlings e indo além, porém não se esquecendo, de Harry Potter.” / Autor: Andressa


Caso Daniel Radcliffe fosse uma estrela do rock, sua atual turnê para promover Kill Your Darlings se chamaria “A turnê para seguir em frente” ou “Harry Potter e o espelho retrovisor”. Sim, Daniel Radcliffe não é mais Harry Potter – Como uma recente edição da revista New York Times ilustrou. – Mas o que é realmente interessante sobre Radcliffe (bom, até) é que ele não é um anti-Harry Potter.
Aqui está um exemplo: Em “Kill Your Darlings”, Daniel Radcliffe vive um jovem Allen Ginsberg, que logo no início da geração “beat” encontra seu amigo Lucien Carr (Dane DeHaan) envolvido em um escandaloso relacionamento que o leva à tragédia. Quando apontei que Ginsberg não era um conhecedor das técnicas “mainstream”, Radcliffe rapidamente defendeu a franquia Harry Potter. O garoto de 24 anos pode ter se mudado de Hogwarts, mas esqueceu de onde veio.

Você não tem apenas Kill Your Darlings vindo este ano, mas também brilhou na estreia do “Toronto International Film Festival”, com Horns e The F Word. Não é fácil separar a sua imagem da imagem de Harry Potter, mas você parece estar conseguindo.
Daniel: Acho que isso depende, basicamente, da sua atitude diante a isso. Se você disser sim, ‘Potter’ foi a maior coisa que eu fiz e eu nunca vou chegar perto disso outra vez, eu vou me agarrar a isso de tal maneira que isso tudo se tornará realidade. Mas, se você tiver a atitude que está em uma plataforma acima, de alguma forma, prepare-se para a carreira e irá conquistar o mundo. Foi um jeito maravilhoso de começar e é algo que deve ser capitalizado ao invés de te segurar no lugar. Aliás, eu me divirto muito fazendo o meu trabalho. O melhor e mais interessante para mim é poder escolher diferentes coisas, bem variadas como “The F Word” e “Kill Your Darlings.” Eu acho que definitivamente há algo em crescer em um set por 10 anos. Você realmente não tem colegas com 12, 13 anos como vê em outros filmes. E quando você está com 17 anos conhece caras como Aaron Johnson, Eddie Redmayne, Ben Whishaw ou James McAvoy. E então você se torna fã deles e os admira e, automaticamente, começa a pensar coisas como “Eu também quero fazer o que eles fazem. Eu também quero ter diferentes papeis.” E assim se constrói o desejo de chegar lá.

A narrativa de “A mulher de preto” mostrou basicamente que “aqui está Daniel Radcliffe em seu primeiro papel pós-potter” e com isso as pessoas acabaram por mudar.
Daniel: Eu realmente achei sua observação muito astuta, eu acho que isso é uma verdade absoluta. “A mulher de preto” foi uma transição fantástica, porque não era tão diferente de Harry, ao ponto de as pessoas ficarem tipo “Ah, ele só está querendo chocar!”. Mas foi diferente o suficiente para que as pessoas tivessem um motivo diferente para irem assistir ao filme. E o fato é que isso deu muito certo e o filme se saiu muito bem. Eu não posso me gabar com o meu próprio desempenho porque tem coisas que eu mesmo vejo o Harry presente. Eu comecei a filmar o filme em mais ou menos seis semanas após o fim da filmagem do último HP. Então veio logo depois. Mas acho que agora, com esses três filmes que estão por vir, as pessoas vão ver o quão diferente é em relação ao que eu já fiz antes.  Eu realmente acho que cresci muito como ator no último par de anos. E o meu trabalho, como consequência, está ficando melhor, e estou ansioso para que as pessoas possam vê-lo. Porque sinto como se eu estivesse falando desse filme há muito tempo e agora finalmente as pessoas poderão ve-lo com seus próprios olhos!

E você está interpretando um garoto que faz parte de um grupo que despreza os gostos “mainstream”.
Daniel: (risadas) Sim, sim. Entendi o que você quis dizer. Mas, você sabe, isso é o que eu gostei sobre Potter e continuo muito orgulhoso por isso. Mesmo que tenha sido a saga mais comercial do mundo – em termos de dinheiro e do apelo que teve – Sempre tentamos fazer o mais desafiador possível. Acho que esse é o motivo pelo qual sou tão orgulhoso dele, pois fizemos oito filmes que ficaram melhores, melhores e melhores até o ultimo.  Não é muito comum acontecer isso em filmes e o fato de termos conseguido é a prova da quantidade de amor e carinho colocado nele por todas as pessoas do set, o tempo todo. Então sim, eu ainda acho que fizemos algo notável, então mesmo se estávamos muito “mainstream” – o que realmente estávamos – trouxemos muita integridade e uma espécie de ousadia para a franquia. Porque, quando eu era uma criança, eu não ouvia as pessoas falarem desse tipo de franquia antes de eu estar em uma. Lembro-me das pessoas falando sobre “O senhor dos anéis” e “Harry Potter”, que poderiam ser franquias, esta é a primeira vez que me lembro…

Outra vez conversamos sobre você nunca ter assistido Star Wars.
Daniel: Sim.

Bem, com exceção de “The Phantom Menace.” 
Daniel: Ok, não vamos contar isso a ninguém.

Você tem que ver antes de ” Episode VII” sair. 
Daniel: Eu sei! Sei que tenho! Tenho que ver porque todos os meus amigos estão trabalhando neste novo. Porque Star Wars está sendo filmado em Leavesdean. Tem pelo menos um cara, Digby Milner, que trabalhou em todos os HP e que tinha também trabalhado no Star Wars original. E ele estará trabalhando nesse novo também, em Leavesdean. E isso é maravilhoso porque o Star Wars original foi feito na Inglaterra. Então tem muita gente nessa equipe do novo filme que são filhos dos originais.

Isso é como um círculo então.
Daniel: Aparentemente é isso que eles fazem em Leavesden, são como franquias. (Risos)

Kill Your Darlings” é interessante porque envolve pessoas famosas em uma história que não é muito bem conhecida.
Daniel: Eu não sabia a história. Eu realmente não estava ciente sobre ela. Essa é uma das coisas mais legais sobre ela. E a primeira vez que você lê o script fica tipo “wow…”. Quando você tem uma história cheia de personagens que você conhece – e até agora a história nunca foi contada – você começa a achar que está desenterrando um tesouro.

Allen Ginsberg queria escrever um livro sobre a história, em um ponto de vista e foi-lhe aconselhado a não fazer.
Daniel: Absolutamente! Lucien,por razões que você descobre ao ver o filme, não queria que ninguém soubesse dessa história. E isso definitivamente é o mais fascinante no filme: as pessoas não sabem. E uma das coisas que eu acho que as pessoas vão gostar sobre esse filme é que, talvez, quando eles escutam “Um drama de um poeta de 1940”, eles naturalmente pensam “Isso parece seco” e não que é divertido também, e é.  Você não pode fazer uma história sobre os ‘beats’ sem se divertir, porque eles mesmos se divertiram MUITO.

Esta pode ser uma má comparação, mas ele tem uma história da origem dos super heróis para fazer, apenas com escritores.
Daniel: Ah, eu já disse isso muitas vezes.

Como quando fomos apresentados à Jack Kerouac, soou dramático. 
Daniel: E a primeira vez que vemos o nome de Allen no filme é como uma avaliação de faculdade. O diretor, John Krokidas, adorou a ideia de pegar o nome de um famoso, mas, o vendo num contexto de universidade. Quando você tem uma história cheia de personagens que você conhece – e até agora a história nunca foi contada – você começa a achar que está desenterrando um tesouro.

Qual foi a sua reação ao ver que JK Rowling estava renascendo o mundo de Harry Potter com “Animais fantásticos e onde encontra-los”? Ficou surpreso? 
Daniel: Eu nunca a ouvi dizer ‘acabou’, não acho que nenhum de nós é tolo o suficiente para dizer nunca. Mas com a Jo, eu não fiquei surpreso. Meio que fez sentido para mim quando foi anunciado. Eu fiquei tipo “Ela está indo fundo, e ela também tem o ‘Morte Súbita’ e também fez o livro como Robert Galbraith e todos tiveram sucesso”. Imagino que ela teve a confiança de que estava suficientemente afastada de HP e agora poderia voltar á ele. E ela reconhece que ainda há uma enorme fome lá fora por mais lados do mundo de Harry Potter. E sim, ela quer dar as pessoas o que elas querem. E eu acho que vai ser muito bom. Fico feliz sobre estar tudo nas mãos da Jo, honestamente. Isso me da a confiança de que não é qualquer um que está lucrando, e vai ser autentico.

Ela não precisa do dinheiro. 
Daniel: Ela definitivamente não precisa do dinheiro.

Fonte: Huffington Post

Tradução e Adaptação: Giovana Zanardo – Equipe DRBR



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