TimeOut: Review de Rosencrantz & Guildenstern Are Dead / Autor: Andressa


Daniel Radcliffe brilha na peça de estréia de Tom Stoppard

Daniel Radcliffe é o brilhante e sombrio cortesão dinamarquês condenado Rosencrantz (ou é Guildenstern – ninguém tem muita certeza) na última grande versão da peça clássica de Tom Stoppard. “Rosencratntz and Guildenstern are Dead”, de 1966, é uma comédia impressionante e absurda, sediada na história de “Hamlet,” de Shakespeare. Vivendo num estranho vazio existencial – essencialmente nos fundos da produção da peça – os amigos de infância do príncipe dinamarquês brigam enquanto tentam tirar a sensação de que suas vidas parecem não ter significado além de suas curtas aparições em “Hamlet”.

É uma escolha fascinante de peça teatral para a estrela da segunda franquia de entretenimento mais bem-sucedida na história humana, porque Rosencrantz não é na verdade um papel de estrela. Ele serve essencialmente como um parceiro inexpressivo para o tagarela, nervoso, mas intelectual Guildenstern, interpretado por Joshua McGuire. Para não esquecer, um dos personagens mais recentes de Daniel Radcliffe foi um cadáver flatulento em “Um Cadáver para Sobreviver”; O que é obviamente muito diferente, mas ambos são sugestivos de um homem feliz em enterrar seu ego em nome de algumas risadas. E ele realmente é muito bom, um arsenal belamente lançado de olhares vagos, olhares de incompreensão e sorrisos angelicais, muito ocasionalmente se tornando um pânico elevado. Ele é um contrapeso maravilhoso para o febril e nervoso McGuire, e faz algo semelhante para o Player de David Haig, um ator viajante, interpretado como o irmão sinistro do Jack Sparrow pelo veterano de palco incrivelmente brilhante.

O problema, então, com a versão de David Leveaux é que a peça se sente presa em algum tipo de limbo próprio. A premissa de “Rosencrantz and Guildenstern are Dead” permanece incrivelmente original – mas a grandeza de seu sucesso significa que já não se sente revolucionária. Além disso, sente-se – ou a produção de Leveaux faz sentir – que há pouco a ser feito com esta peça tecnicamente exata que não foi mapeada há meio século. Situada nos bastidores de um período datado, “Hamlet”, em muitos aspectos não se parece significativamente diferente da última grande versão em Londres (Trevor Nunn, em 2011). Não é um grande problema – a peça continua rápida, engraçada e não convencional – mas há uma sensação subjacente de não-aventura – ironicamente, se parece mais com uma peça de museu do que uma tragédia de 400 anos em que é baseada.

Tradução e adaptação: May Oliveira
Escrito originalmente por: Andrzej Lukowski – TimeOut



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