Variety: Review de Rosencranz & Guildenstern Are Dead / Autor: Andressa


Rosencrantz and Guildenstern Are Dead review

Em sua vantagem e desvantagem, “Rosencrantz and Guildenstern are Dead” é, no geral, uma peça para um jovem adulto. Isso fica evidente na falta de interesse em personagens femininos e ainda mais na característica da peça, a competitividade vertiginosa da habilidade do jogo intelectual de palavras entre os personagens título que beira a característica da (relativa) juventude auto-confiante. O Stoppard desconhecido tinha 29 anos quando a peça causou sensação no festival de Edinburgh antes de estrear como produção do National Theatre em Abril de 1967.

Stoppard deixou o cuidado de lado e virou “Hamlet” de pernas pro ar, rebaixando o príncipe depressivo a um personagem secundário e colocando seus colegas secundários no centro do palco. Mas enquanto em 1967 essa releitura do clássico era ousada, o fato de que algumas palhaçadas do papel são agora práticas comuns, deu a recente produção um ar enfraquecido. O último revival em Londres (2011), com os ex-“History Boys” Samuel Barnett e Jamie Parker dirigido por Trevor Nunn, sublinhou os jogos, mas achou pouca seriedade. E também se arrastou por duas horas e quarenta e cinco minutos.

Leveaux corta quinze minutos disso através de um controle de ritmo ideal, mais óbvio nas cenas com os Players. A imagem inicial dos palhaços dos anos sessenta maquiam a devoção ao período, mas tudo permanece em movimento, nem ao menos o líder dos Players de David Haig. Ele agradavelmente explora o papel, mas não apenas nos picos dramáticos. Durante o resto do tempo, ele é bem pronto ao ataque.

Isso também se aplica aos protagonistas. Reconhecendo que o detalhe dos jogos verbais são subsidiários ao ato de repetitivamente os jogar, ele encoraja Radcliffe e McGuire a precipitar as coisas para o benefício de todos. Dirigindo o diálogo cômico no que poderia ser chamado de “velocidade Aaron Sorkin”, significa que a plateia não se foca apenas nos detalhes individuais, mas em como e porque os jogos são utilizados. Com os atores de Leveaux sendo forçados a frente do palco do cenário profundo de Anna Fleischle, a plateia se conecta com os personagens e se envolvem com as ideias de Stoppard para o papel da sorte aleatória, a presença da morte e a procura de significado na vida.

Na verdade, raramente o tom da peça lembra tanto “Esperando por Godot” de Beckett, uma das maiores influências no existencialismo fundamental da peça. Ambos possuem uma dupla matando o tempo enquanto esperam por alguém chegar e lhes dar algum propósito. Há também ecos à “Play”, também de Beckett, seu estudo de 1964 do purgatório em que três personagens estão lutando para achar um sentido em suas vidas e estão presos em urnas, similar aos três barris do cenário de Fleische.

O elenco é crucial para o sucesso da produção. McGuire tem uma alegria leve e natural, que fortalece o senso pragmático de liderança de Guildenstern, seu presunçoso senso de superioridade e sua habilidade de controlar a exasperação. Isso significa que Radcliffe optou astutamente pelo mais contemplativo, menos exibido papel de Rosencrantz. Em alguns de seus papéis de teatro pós-Potter, Radcliffe tem mostrado às plateias o quanto ele tem se esforçado. Aqui, ele tem uma quietude sem esforço. Permitindo Rosencrantz a parecer diminuído, mas alegre, dá ao personagem uma desgraça vencedora. É inesperadamente comovente.

A parceria deles, tão surpreendente quanto efetiva, faz da produção de 50 anos um revival de substância.

Tradução e adaptação: Gustavo Borella
Escrito originalmente por: David Benedict – Variety

 



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