What’sOnStage: Review de Rosencrantz & Guildenstern Are Dead / Autor: Andressa


Daniel Radcliffe e Joshua McGuire interpretam os personagens principais da peça de Tom Stoppard

A chegada de Rosencrantz and Guildenstern are Dead no Old Vic, ao mesmo tempo que Travesties está sendo performada no Apollo, significa que repentinamente duas peças teatrais de Tom Stoppard estão sendo apresentadas em West End – a primeira que ele chama de carta de esplendor, e a segunda como a efervescência de sua meia-idade.

É um prazer tê-los novamente – e particularmente Rosencrantz and Guildenstern voltar ao teatro onde sua primeira produção fez tanto impacto no National Theatre há 50 anos atrás. Stoppard tem uma voz distinta como dramaturgo – esperto, espirituoso, sempre trabalhando com conceitos, sem esforço profundo.

A visão antiga que se tinha era que ele era apenas cabeça sem coração. Porém, o que a produção de David Leveaux de Rosencrantz foi capaz de fazer, é manter toda a energia afiada e inteligência, e ainda assim nos lembrar de que a peça é sobre dois homens prestes a morrer. Um pouco de tristeza e perda está nas entrelinhas das piadas praticamente desde o começo, então uma peça sobre duas pessoas sem importância em Hamlet é tão vista e tão marcada pela mortalidade quanto a tragédia de Shakespeare.

Mesmo assim é surpreendentemente divertida com uma grande diversidade de piadas desde palhaçadas (a falha da dupla de alcançar Hamlet com cintos cruzados) até algo conceitual – Rosencrantz chora fogo em um teatro lotado porque ele está “demostrando o uso errado da liberdade de expressão” – e para algo magnificamente irônico como a exclamação exasperada dos atores: “Somos atores, somos o oposto das pessoas.” A destreza de pensamentos deslumbrantes.

A produção também possui um lindo elenco. Com Daniel Radcliffe como Rosencrantz e Joshua McGuire como Guildenstern, a peça tem dois protagonistas que combinam como sal e pimenta ou então são como gêmeos não idênticos, parecidos, interdependentes, mas fundamentalmente diferenciados por um mascar sutil. Enquanto eles trocam silogismos ou jogam inúmeros jogos, a necessidade que um tem do outro para a compreensão de um mundo no qual eles mesmos não têm certeza da própria existência os une. McGuire cobre o seu crescente pânico com um sorriso nervoso e um reconfortante tapinha na cabeça. Porém é o personagem de Radcliffe, Rosencrantz, que é a revelação – com uma enorme confiança, além de grandes e gentis olhos cheios de desconcerto e também momentos casuais de claridade sobre a profundidade de suas condições. É uma adorável, e segura performance, a milhões de quilômetros de Harry Potter.

São balanceados pelo carismático Player de David Haig, um homem ao mesmo tempo arrogante, magoado e levemente ameaçador. O poder de sua fúria mal contida acende o palco e as suas falas como “Você deveria ter-nos visto em épocas melhores. Nós éramos puros”, tem uma maravilhosa queda, enquanto ele apresenta sua estranha turma, com rostos brancos estilizados, com roupas esfarrapadas e um triste som de saxofone. A essência da atuação, e a função do teatro, são apenas alguns dos vários temas ricos da peça e são incorporados aqui pelo estilo diferente dos atores de Hamlet e diferentes, novamente, de Rosecrantz e Guildenstern.

Tudo é enquadrado em um design levemente mais enfático feito por Anna Fleischle. Eu gostei da maneira como foi usada a profundidade do palco do Old Vic, trazendo a atuação o mais próximo possível, enquanto os efeitos são aplicados no fundo, e dividindo, também, o espaço com cortinas de seda, porém acidentalmente acaba atrapalhando a atuação, particularmente na segunda metade. Por outro lado, a direção de Leveaux foi moldada cuidadosamente, juntando todos os tópicos com uma habilidade considerável.

Tradução e adaptação: Andressa Macedo
Escrito originalmente por: Sarah Crompton – What’sOnStage



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